agosto 20, 2025

Meia dúzia de diamantes

 

MEIA DÚZIA DE DIAMANTES

Hayton Rocha

 

O Vasco alcançou no último domingo uma vitória daquelas que não cabem apenas nas estatísticas, mas se alojam na memória como retrato inesperado da vida. Em pleno Morumbis, diante de mais de 54 mil testemunhas, o time carioca atropelou o Santos de Neymar por 6 a 0 – cinco gols em 16 minutos –, lavando a alma de uma torcida acostumada mais com o fel dos fracassos que com o mel das conquistas.

 


Em algum canto do firmamento, Pelé e Roberto Dinamite devem ter se entreolhado, incrédulos, como dois semideuses apanhados de surpresa pelo improviso dos mortais.

 

O primeiro tempo já trazia presságios de tsunami. Lucas Piton abriu o placar aos 17 minutos e, a partir dali, o Vasco tratou os contra-ataques como um cronista que descobre a palavra certa a encaixar: repetiu, insistiu, até se dar por satisfeito com o enredo. O Santos ainda ensaiou esperança com um pênalti, mas o VAR — essa praga eletrônica que anda matando de ansiedade o torcedor e transformando comemoração em gagueira — anulou o lance por impedimento na origem.

 

Na segunda etapa, não houve piedade. David acertou um voleio de cartilha, Coutinho ampliou com a serenidade de quem assovia um sambinha, Rayan converteu um pênalti que ele mesmo cavou, Coutinho voltou a marcar e Tchê Tchê fechou a conta abrindo um sorriso largo. Foi um massacre com direito a nota de rodapé na história.

 

A torcida santista, ferida na própria honra, virou-se de costas para o espetáculo. Gesto silencioso e ensurdecedor. Não era só protesto: era luto público por um time que, no segundo tempo, assistiu ao adversário dançar sem jamais encontrar o compasso. No fim do jogo, Neymar, chorando e sendo consolado por Fernando Diniz — treinador vascaíno — parecia a encarnação do improvável: a estrela mundial, reduzida a criança perdida no recreio, amparado pelo professor.

 

Confesso: fazia muito tempo que não via um nocaute tão impiedoso numa luta entre dois gigantes. Lembro de quando, aos 14 anos, vi pela TV o Botafogo aplicar uma indigesta meia dúzia no Flamengo, presente de aniversário de 77 anos do rubro-negro. Jairzinho, que marcou três vezes, fez um deles de letra que mereceu uma manchete inesquecível: “Na década da alfabetização, o Furacão mete um gol de letra no Flamengo.”

 

Nove anos depois, em 1981, o Flamengo de Zico devolveria a fatura: 6 a 0 no Botafogo, no “Jogo da Vingança”. Eram tempos em que a rivalidade ainda tinha certo romantismo — o ódio ficava restrito às arquibancadas, e a vingança podia esperar nove anos. Desde então, raras vezes vi um gigante machucar o outro com tamanha crueldade. Até o último domingo.

 

Porém o que mais me chamou atenção não foi o placar, e sim uma coincidência pessoal. Naquela tarde, recusei o convite de minha neta para acompanhá-la na compra de material escolar, aqui no hemisfério Norte. Foi por ela que, onze anos atrás, acelerei a aposentadoria para ajudá-la nos primeiros meses de vida. Foi a ela também que ensinei a contar nos dedos ao som da cantiga infantil: “Mariana conta 1, é 1, é Ana, viva Mariana...” — até o 10, como se a vida coubesse inteira na soma desses números.

 

Expliquei que ficaria em casa para ver o Vasco jogar, mesmo temendo um castigo dos céus. Afinal, Neymar estava em campo, buscando provar que ainda tem querosene na lamparina para voltar à Seleção. O Morumbis lotado parecia palco ideal para sua apoteose, e eu já me preparava para o possível vexame. Mas quando minha neta voltou, feliz, trazendo cadernos e livros, eu, incrédulo, revia o placar de 6 a 0. Foi inevitável pensar numa paródia da cantiga: “E o Vascão já fez 1, é 1... E o Vascão já fez 2, é 2...” — até chegar ao 6. Não me atreveria a cantar até 10, pois aí já seria esculacho.

 

O bom de ser vascaíno ultimamente é não carregar mais a ilusão de levantar taças todo ano. Aprendemos a celebrar pequenas conquistas, como quem guarda conchinhas na beira da praia, sabendo que a maré mais cedo ou mais tarde levará tudo embora. Mas domingo não foi conchinha: foi pérola rara, reluzindo como meia dúzia de diamantes.

Quando minha neta voltou da papelaria, não fui eu a ensiná-la de novo a contar. Mas foi ela quem me fez lembrar: às vezes a vida também sabe somar seis, mesmo quando muitos só esperam zero. 

63 comentários:

  1. ADEMAR RAFAEL FERREIRA20 de agosto de 2025 às 05:52

    Um resultado que merece um texto de tamanho compatível. No caso de Botafogo X Flamengo tem um fato que somente a "ironia carioca" seria capaz de criar. Depois do primeiro jogo a torcida do Fogão sempre levava uma faixa escrita: "Nós 6ostamos de vocês." para o Maracanã em dias do clássico. Ao final do jogo que o Flamengo devolveu a goleada eis que surge uma faixa na torcida do Mengão: "Nós também 6ostamos de vocês ". O número "6" no lugar do "G" é coisa de "geraldino". Viva o futebol sem VAR e sem BET.

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  2. Gastou os gols do resto do campeonato nesse jogo

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  3. Olá, Hayton, acordei cedinho para me preparar pra sua Crônica da madrugada e, surprise, descobri um Cronista do Futebol ⚽️ Improvável! Como Rubro Negrão, morei no Recife ( Sport), em Salvador ( Vitória), no Rio( Flamengo), estou tentado a comparar ao Choro brasileiro do 7 x 1 germânico! Vendo o nosso Neymar chorando, fui consolado pelo conselho do Governador Major Luiz Cavalcante, que aprendeu com o ZeFogueteiro de Capela: “ se tudo que subisse não descesse, o Céu estaria cheio de taboca de foguete 🚀 “

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  4. Fico imaginando a cabeça do torcedor fanático num momento destes. Se o caboclo tiver problemas com hipertensão, melhor ficar longe da telinha.
    Era melhor você ter aceitado o convite para comprar material com a netinha. 🤣
    Pensei que o time gostava de testar as emoções perdendo por 6 gols a cada 20 anos.
    Corinthians 7x1 Santos - 2005 e agora Vasco 6 x 0 Santos - 2025; mas neste meio teve Internacional 7x1 Santos - em 2023.
    Simbora Hayton, e que o troco dos 6 a zero, para lavar a alma dos torcedores, possa ocorrer nos próximos 20 anos.🤣🎯🥂

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  5. Meu caro Amigo Parahyba - Muito Bom Dia 🤝
    .
    “lavando a alma de uma torcida acostumada mais com o fel dos fracassos que com o mel das conquistas”
    .
    Quando digo que você está ficando ótimo, não minto.
    Porque essa tirada - do acostumada com o fel… - é para quem já apeou há algum tempo, da arquibancada dos bons.
    Confesso, fez-me lembrar o Grande Nelson Rodrigues.
    Parabéns, acompanhado de apertadíssimo amplexo fraterno.
    Paz e bem 🤝🫶🤝
    .

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  6. Dizem que os momentos mais felizes da vida são inesperados. Surgem de repente, quando a gente está meio distraído pensando em outras coisas. Só bem mais tarde vamos nos dar conta.
    Uma vitória deste tamanho merecia uma crônica. Como sempre, muito bem escrita. Adorei a ideia de associar ao canto infantil!
    Eu tô esperando uma do meu Cruzeiro deste nível. Talvez por estar esperando é que ela não aconteça!

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    1. Sergio Riede, talvez sem querer( ou não), citou o mestre Guimaraes Rosa: " Felicidade se acha em horinhas de descuido..."

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  7. Eu gostava de assistir futebol no tempo em que jogavam pela camisa que vestiam e não pelo dinheiro que entra no bolso, pra mim, perdeu o encanto. Entendo qudd eu a carreira é curta e precisam assegurar o futuro, e é justo. Mas é desproporcional. Os jogadores viraram “objetos” nas mãos de empresários que os utilizam e descartam igual a papel higiênico usado. Perdi o entusiasmo de ser torcida. Nelza Martibs

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  8. ROBERTO SANTOS FERNANDES20 de agosto de 2025 às 06:43

    Duplo parabéns! Pelo Vasco e pela crônica.

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  9. Uma vitória gigantesca, dessas para serem emolduradas com fotos de cada gol e abaixo, para transcrição em texto, uma crônica à altura do feito, tal qual a registrada nesta quarta-feira! Bravo!!!

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  10. Só discordo qndo vc diz: "fazia tempo que não via um mocaute tão impiedoso entre dois gigantes" kkkkkk pq ano passado teve um 6x1 impiedoso que não faz tanto tempo assim kkk excelente crônica novamente, parabéns

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    1. 6x0 é muito diferente de 6x1. Ou você não enxerga a diferença entre o 1 e o nada? Aliás, parafraseando o grande Nelson Rodrigues, diria que o Vasco surgiu no coração de seus torcedores 40 minutos antes do nada.

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    2. Não falei do 6x0 e sim do nocaute impiedoso kkkk 6x1 tb é um nocaute impiedoso kkkk

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  11. Mesmo eu também sendo vascaíno, acho que uma frase ficou incompleta:

    "Confesso: fazia muito tempo que não via um nocaute tão impiedoso numa luta entre dois gigantes" do passado.
    🤣🤣

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    1. Gigantes são atemporais, eternos. Aliás, já dizia o filósofo Kierkegaard: “A vida somente pode ser compreendida olhando-se para trás, mas somente pode ser vivida olhando-se para frente”.

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  12. Em meio a tantos gols, o amigo repetiu Jairzinho: fez um de “letraS.” Texto delicioso e imune a qualquer gagueira: pode comemorar!

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  13. Roberto Rodrigues Leite Bezerra20 de agosto de 2025 às 07:20

    Caro Hayton, penso que paixão é algo de muito bom na vida. Seja qual for a natureza. Embala o coração. Enche o ânimo e grava momentos inesquecíveis. Sua fala deixa transparecer esse mais que amor. Uma devoção. Saiba que é um forte alimento para uma vida longeva e feliz -- ainda que, apenas, de quando em vez.

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  14. O bacalhau estava muito salgado, a baleia não resistiu. Segura o "chororô"! O manto sagrado do gigante da colina tem muita semelhança com o da seleção alemã.

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  15. Foi bom. 6 a 0
    O Andrada está vingado daquela humilhação do milésimo gol do Pelé, com um pênalti que não existiu.
    Abraço
    VFM

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  16. Foi um momento lindo até para quem não é vascaíno, como eu, Dedé Dwight

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  17. Merecia mesmo esse texto para o Vasco. O futebol é uma caixinha de surpresas. Temos que abstrair as derrotas, mas quando vem uma super vitória assim, o que conta é o "último jogo". Parabéns Hayton!

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  18. Amigo HAYTON , chorei com NEYMAR e imagino o quanto sofreu . .C’est la vie !!🍀

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  19. Parabéns Vascaíno. Brilhante como sempre e mais inspirado do que nunca, Esse foi um momento tão marcante e também incrédulo para nós, vascaínos sofredores, que precisava ser eternizado. Viva o Vascão.

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    1. Por dever de justiça, preciso registrar que foi você, meu caro Fernando, quem me desafiou a contar como vi o memorável feito de domingo passado. Eu ainda estava em transe.
      Valeu demais!

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    2. Uma emoção destas precisa ser vivida e compartilhada.👏

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  20. Mesmo com um braço na tipóia, vou 'catando milho' no teclado, procurando letras e palavras pra dizer: " Mas que beleza, é uma crônica de futebol"! O bom de ser torcedor Vascaino e do tricolor pernambucano é que aprendemos a celebrar pequenas conquistas! Ta certo! No meu caso, com 'asa quebrada" estou celebrando cada palavra digitada, cada camisa vestida, cada cadarço amarrado... parece pouco. Não é!

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  21. Você não é apenas um excelente escritor, mas também manda muito bem como comentarista esportivo. A vitória do Vasco sobre o Santos, por 6 a 0, pegou todo mundo de surpresa e vai ficar marcada na história. Meus parabéns pela crônica — e pelo Vascão!

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  22. Logo o meu SANTOS!…. Meus parabéns pela crônica.

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  23. Que espetáculo de crônica. Me lembrou as boas de Walter Abrão e Geraldo Bretas, o GB. Muito legal. E, outra coisa, se o Diniz não tivesse poupado meio time no segundo tempo, aí, sim, seria o total esculacho. Pelé aplaudiu certamente, pois uma goleada histórica dessas, com 02 gols de cavadinha, é pra levar para as décadas.

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  24. As boas surpresas com que o cotidiano nos presenteia mostram-nos que, na vida, sempre tem algo que pode nos surpreender, nem que seja um lampejo de esperança ou uma reviravolta de planos. Tem momentos em que uma "derrota" pode ser o ponto de partida de algo que nos faça festejar em outro embate. Nesse mesmo diapasão, uma vitória "histórica" precisa ser bem festejada, analisada e guardada na memória como estímulo para que novos feitos sejam buscados.

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  25. A crônica de hoje é u'a verdadeira Ode ao Vasco da Gama, de quem meu irmão mais velho - já torcendo pelo Selecionado Celestial - era ferrenho torcedor, associado ao Corinthians de São Paulo. Eu, Flamenguista e Palmeirense, herdado de meu pai; outro irmão, meu companheiro de idade, Santista de Pelé e Cia. No nosso sertão não se ouvia falar de clubes baianos, pernambucanos, etc e tal; nem mesmo dos mineiros dos craques Tostão, Dirceu e Reinaldo..... Só se ouvia estações de rádio de São Paulo e Rio de Janeiro, a saber Globo e Mayrink Veiga e Tupy de São Paulo e Difusora.
    Vi e ouvi muitos clássicos deste futebol Rio & São Paulo. Hoje, rubro-negro na Bahia ( eu sou Vitória de coração....) me detenho um pouco, pouco mesmo e infelizmente, a assistir futebol de clubes nordestinos, por óbvio, considerando que o do meu gosto está entre os quatro finalistas - mas finalistas da queda rsrs - justamente ultrapassado pelo Vasco do meu amigo Hayton. Tenho esperanças de ultrapassá-lo. Conforta-me, sobremaneira, contar com os meus outros dois preferidos ostentando os primeiros lugares de classificação no Brasileirão 2025.

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  26. Não é que o cronista acertou em cheio na escolha do programa de domingo a tarde. Valeu a pena trocar a programação de compras ao lado da neta, para assistir o VASCO jogar.
    Afinal, o torcedor vascaíno não vai se esquecer tão cedo da tarde do dia 17 de agosto de 2025.
    Fazer 6 X 0, num corrente direto ao rebaixamento a séria B, é sensacional. Ainda mais no time que projetou o Rei do Futebol.
    Coutinho X Neymar. Coutinho faz 2 gols, Neymar não ver a cor da bola.
    Coisas que só acontece no futebol. Com certeza, nem o mais otimista torcedor vascaíno, sonhava com tal façanha. Tem que comemorar e ainda contar 1 X 1, cada gol.

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  27. Realmente, mesmo para um flamenguista, não dá para não enaltecer a maior goleada que Neyma ja sofreu,.enquanto jogador. E nas palavras de um "craque das letras", melhor ainda. Parabéns, pela crônica espetacular !! Mais uma !!!

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  28. Excelente crônica.

    Ao Vasco nada? Tudo.
    Casaca, casaca, casaca ...

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  29. Maria Perpétua Lemos20 de agosto de 2025 às 10:32

    Custei a acreditar na recusa de acompanhares a neta, mas admito ter sido por uma justa causa. Ainda bem que o Vasco não só ganhou mas arrebentou, senão ia bater uma dor na consciência pela troca, rsrs

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  30. Mais uma maravilhosa crônica, Hayton. Domingo foi um dia de glória para todos nós vascaínos. Há anos não tivemos o prazer de comemorar uma.vitória com tanto entusiasmo. O Vasco é grande e por certo nós dará mais alegrias. Saudações vascainas. Paulo Sampaio. Salvador.

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  31. Como santista, hoje vou me eximir de qualquer comentário. 😪😪😪😪

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  32. Eu soube que houve uma reunião no Céu, convocada por Nelson Rodrigues, da qual participaram todos os grandes cronistas, comentaristas, narradores e jogadores de futebol, independentemente de suas preferências clubísticas no futebol brasileiro.
    Aí, em papo cortez e animado, tomaram uma decisão por unanimidade.
    Criaram uma comissão e foram ao Mestre, Comandante, e ponderaram, fazendo também um pedido.
    Se no futebol o Brasil não vem correspondendo ao que o mundo espera dele, em função de seu passado glorioso, nas artes e nas letras, a coisa está diferente.
    Na crônica, por exemplo, há ótimas revelações, e uma delas tem chamado a atenção de todos, tão brilhantes são os textos produzidos pelo novo cronista.
    E como ele é um vascaíno de paixão, é preciso presenteá-lo, e não há forma melhor para tal que fazer o seu Vasco realizar um prodígio.
    O Chefe, constatando que ali estavam torcedores de vários clubes - os vascaínos eram até minoria -, não teve dúvida, decretou que o prodígio aconteceria logo, até em profundidade que os surpreenderia.
    Pois bem, assim nasceu os 6x0 no Santos, logo nele, o time que fôra durante muito tempo o maior do Brasil, quiçá do mundo, além de ter tido como seu jogador, o mais famoso da história do futebol.
    O final da história foi ainda mais surpreendente. O Todo-Poderoso, ao receber de Nelson a crônica acima, levada por ele em correria e gritos exaltados de comemoração, reconheceu, disse-lhe que o presente fôra até menor que o merecimento do cronista, que isso seria constatado pelo entusiasmo até de alguns flamenguistas, como acontece com este que vos fala.
    Disse ainda que o cronista acabara de ganhar um novo leitor, razão porque não iria querê-lo lá tão cedo, deixaria-o aqui por longo tempo, pra deliciar-se semanalmente com suas imbatíveis criações.

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  33. Stoney Palmeira Melo20 de agosto de 2025 às 11:52

    Hayton, que crônica incrível! Você conseguiu transformar um placar de futebol numa reflexão cheia de vida e poesia. Adorei como misturou a vitória do Vasco com a história da sua neta, isso sim é dar liga no afeto e na bola.
    Fiquei aqui rindo e lembrando dos tempos em que a gente também vivia dessas loucuras esportivas. E ainda meteu uma referência ao Nelson Rodrigues sem querer querendo, hein? Tá inspirado!
    Grande abraço, meu amigo. Continua escrevendo, que a gente continua lendo.


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  34. Sensacional , tenho 33 anos , seu texto é maravilhoso , venho para parabenizar seu texto e dizer que sou vascaína desde os 5 anos , quem me mostrou esse texto foi minha mãe , sua colega Gilvanda Freire . Acompanhei o Vasco campeão brasileiro de 97 , quando tinha 5/6 anos de idade , acompanhei aos 7/8 anos , a virada histórica do século de Vasco e Palmeiras e o Vasco campeão do ano 2000 quando foi usado o slogan do SBT , dali por diante fomos muito perseguidos, como desde a criação do Vasco , tendo em vista que lutamos contra o racismo, um time de zona norte e fomos obrigados a criar um estádio pra jogar . Único estádio particular do Rio e o maior estádio particular do estado , construído com o dinheiro dos próprios vascaínos, em sua maioria operários. Mesmo com a mídia contra , a arbitragem contra , somos a 3 maior torcida do Brasil, segundo a USP , vejo muita gente dizer que é flamengo , porque escolheu time pela mídia , mas nem acompanha futebol, todo vascaíno sabe da sua história e é apaixonada pelo seu time , hoje vejo todo mundo botafogo , porque estão ganhando, o Vasco não meu bem , rebaixado ou não, com jejum de títulos , a torcida segue apaixonada e saindo nas ruas com sua camisa . Desde 1898, Vasco é o legítimo clube do povo e tenho fé que iremos voltar as glórias, pois como diz o nosso hino, sua imensa torcida é bem feliz , norte e sul desse país!🖤🤍.

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    1. Vascão , primeiro campeão sul-americano, invicto!! 🤍🖤.

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  35. Futebol, definitivamente, não é "minha praia", mas, visto dessa forma descrita por Hayton, faz com que eu entenda melhor e admire quem tem uma forte ligação com seus times do coração. Acho que jamais terei tanto apego, nem mesmo pelo Grêmio, mas parabenizo todos e todas, que tem, no chamado "esporte bretão", seu time preferido.

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  36. Altamirando Ferreira da Silva20 de agosto de 2025 às 16:46

    Esses 6x0 me deu quase a mesma alegria que senti quando Roberto Dinamite retornando do Barcelona, em 04.05.1980, marcou 5 gols no Corinthians, no Maracanã. Inesquecível!!

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  37. Eita! Lavou a alma, meu amigo!
    Nem sei que gosto tem isso…
    Vitória de um a zero, do meu time, para mim é massacre.

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  38. FRANCISCO OITAVO PINHEIRO FERNANDES20 de agosto de 2025 às 18:01

    Se ainda tivesse o Leônidas da Silva, o Diamante Negro, que depois viraria nome de chocolate, teríamos um puríssimo chocolate. Daquele dos bons, tipo Godiva, Lindt. Quanto ao Neymar: não choro com ele, não ligo pra ele, não ligo pra ele... Até que foi merecido, pra baixar um pouco a bola. Parabéns!

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  39. Futebol é arte, escrever tão bem assim, também o é. Parabéns ao cronista e ao Vasco. Nota e camisa 10.

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  40. Caro amigo, sua crônica é um exemplo notável de como o futebol pode ser a tela perfeita para se pintar as emoções e os acontecimentos da vida. Você utiliza o jogo, com sua vitória inesperada, para falar de algo muito mais profundo: a alegria que surge de repente, as memórias que carregamos e as conexões afetivas que tecem a nossa história. A partida, em sua narrativa, não é só um placar, mas sim um evento pessoal, um "retrato inesperado da vida" que ecoa sentimentos universais.

    O que torna seu texto tão especial é a forma como você conecta a paixão pelo time a momentos da sua própria jornada. A menção aos jogos antigos e, principalmente, o reencontro com sua neta após a partida, criam uma ponte entre as diferentes fases de sua vida. A goleada, que poderia ser apenas mais um resultado esportivo, se transforma em uma metáfora para as surpresas e as belezas que a vida nos oferece.

    Sua crônica nos lembra, ainda, que a vida, assim como o futebol, é feita de altos e baixos, de derrotas e vitórias que não se pode prever. A frase final, sobre como a vida "sabe somar seis, mesmo quando muitos só esperam zero", resume com maestria a essência do que você quis nos dizer. É um lembrete sutil e poderoso de que a felicidade pode estar à nossa espera, mesmo nos momentos mais improváveis, e de que é preciso estar atento para celebrá-la. Seu texto, com sua beleza e sensibilidade, transforma uma goleada em uma verdadeira lição de vida.

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  41. Que bela tarde de domingo, hein amigo, Presente 🎁 inesperado, grande e de muita alegria. Expresso em uma crônica de primeiríssima qualidade. Valeu um vinho ............

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  42. Ainda bem que não comentei ontem.
    Mal se completaram 72 horas e já abandonamos o riso fácil para sentir a lágrima frouxa descer.
    É, meu, amigo, alegria de torcedor é efêmera, mesmo.
    Mas, mesmo assim, nós torcedores, não perdemos a última que morre, a d. esperança.

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    1. Nem me fale, amigo! Mesmo assim, ontem à noite tive que mandar esta mensagem para algumas criaturas…

      Tem gente que continua indo à floresta e só vê madeira…

      Que tal reler esta crônica do jornalista Lélio Carmona, de segunda-feira passada:

      “Deixa eu te falar uma coisa. Sim, para você mesmo que, no fundo, não sabe o que é amar o seu próprio clube. Você gosta de ganhar. Eu também, por óbvio. Mas não tem coisa mais rica no universo do futebol do que ser apaixonado por um clube. De sorrir e chorar por ele. Seja qual for.
      Chorar na derrota. Viver um tormento de décadas e seguir amando. Não desistir. Sorrir, gritar de alegria e emoção numa vitória que só vale três pontos, mas que desentalou tantos sentimentos represados.
      Lembrar do pai. Do avô. Da avó. Do primo. Do padrinho. Da sua existência. O futebol é parte da história da vida de muita gente. Forma caráter. E ilumina a alma de muitos que estão tristes e deprimidos por ene motivos e que enxergam uma luz depois de 90 minutos.
      Se você não é capaz de entender ou respeitar isso, você não ama, reafirmo, nem o seu próprio clube. Perdão pela franqueza.
      Meu carinho eterno para a minha comadre Simone. Para o querido Eric. Para o sempre presente Eudes. Para a amiga gaúcha Michelle. Para o tricolor Sidney. Para o Gurjão. Paulinho, Joana… Não são vascaínos. Longe disso. Mas tiveram cuidado de mandar uma simples mensagem de carinho num domingo tão especial para os vascaínos.
      Por que eles sabem o quanto aquela épica vitória foi importante para quem sofre. Chora. Engole seco. Vive humilhações há décadas. Só espera por um dia de paz de vez em quando. Um domingo perfeito. Chegou o dia.”

      Fuck the day after! - digo eu 🙄

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  43. No caso das goleadas de Botafogo e Flamengo, tem um fato curioso. Outro semideus, Zico, estava na arquibancada vendo o Flamengo ser goleado, e, posteriormente, virou protagonista, dentro de campo, para devolver a goleada. Show de crônica, Hayton!

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  44. Excelente crônica, meu amigo.
    Parabéns!

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  45. Vamos todos saudar, de coração, a cruz de malta que vive no coração do amigo que nos presenteou com esse exuberante texto.

    É fácil perceber a alegria transbordando em cada trecho dessa crônica.

    6 x parabéns!!!!!!

    Luiz Andreola

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  46. Neymar é o retrato de um futebol sem muita história. Ainda bem que está em final de carreira. Tomara que outras goleadas acelere a sua aposentadoria. O futebol é muito dinâmico. Após 3 dias do chocolate que o Vasco deu no Santos, ontem o Vasco dançou por 2 x0 contra o juventude.

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  47. E a maré levou as conchinhas embora logo no jogo seguinte...
    Mas, sempre tem a lembrança do gosto da "bóia" boa que nos surpreende, comendo na feira. Lembro de uma frase escrita em faixa no Pacaembu, quando da decisão entre Corinthians e Ponte Preta, em 1976 se não me engano: "é bom ser campeão. Melhor ainda é ser corinthiano." Admirei o gesto de Fernando Diniz, ao consolar Neymar. No mais, vamos seguindo, vivendo de "seis a zeros" ou de "zeros a dois".
    Bela Crônica. Leve. Gostosa de ler.
    Abração, grande vascaíno!!!
    Mário Nelson.

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  48. Ôpa! Meu cumpade.

    Em matéria de futebol, sou um Bangu de pessoa.

    No ano 2013, fui contratado pela Rede Globo Nordeste pra fazer uma apresentação no evento esportivo Apito Final, no Recife - encontro destinado a premiações de atletas e outros profissionais do esporte nordestino.

    Teatro da UFPE lotado numa segunda-feira para a Festa que seria encerrada por Reginaldo Rossi, que estava comigo no camarim tomando café com uísque e cigarro, me contando histórias impagáveis.

    Na produção, entre jornalistas locais, contava o cerimonial com a presença de estrelas do jornalismo esportivo do Rio de Janeiro - um atrativo a mais pra noitada.

    Nisso, fui apresentado ao locutor esportivo Luiz Roberto, que seria o chefe do cerimonial, que logo de cara me perguntou:

    -... E aí, poeta, por quem você torce lá na Paraíba?

    Eu fiquei meio enrolado e lembrei imediatamente do meu sobrinho Gabriel, que, nos seus 11 anos de idade, só assistia jogo na TV ou no rádio, vestido de rubro-negro, cores do Campinense, e tasquei de caprichada:

    "Sou raposeiro!"...

    Chega a hora da apresentação, eu lá na coxia aguardando, escuto Luiz Roberto ao microfone esbanjando talento e me convidando ao palco:

    "...E agora, para abrilhantar a noite de vocês, um show de humor e nordestinidade, com o poeta paraibano Jessier Quirino, torcedor do Campinense Clube de Campina Grande - Campeão da Taça Nordeste de 2012!!!"

    Eu de surpresa em punho, disse:
    *"PORRA‼️"*

    E entrei no palco bestinha, com a categoria do Campinense.

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  49. Hayton cada vez mais você traduz nosso dia a dia e nossos pensamentos. Esse relato nos faz ricos em cada parágrafo que você descreve. Por isso estou encaminhando esse texto ao meu Genro Rodrigo que andava meio desesperansoso com o Vasco. Agora são momentos diferentes. Tudo de bom para a história.

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  50. Como já disse um anônimo daqui: 'o Vasco gastou os gols do resto do campeonato naquele dia'. E eu concordo com ele. kkk (Emilton Rocha)

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  51. Parabéns aos vascaínos.

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  52. Foi bom! Tirei minha camisa do fundo do baú, mesmo com cheiro de guardado ( Chico ) e fui pra rua me amostrar.
    Abraço
    VFM

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A coleira invisível

A COLEIRA INVISÍVEL  Hayton Rocha   Terça-feira da semana passada, sete e meia da manhã. Ouvi de longe ela conversando com a amiga por video...