março 04, 2026

Caráter ao relento

CARÁTER AO RELENTO 

Hayton Rocha

 

Engana-se quem acha que conhecer alguém é questão de tempo. Tempo ajuda, mas raramente revela. A gente só conhece mesmo é no arranca-rabo, na tormenta, quando a engrenagem chia e o metal entrega a liga.

 

O tempo, aliás, é especialista em panos quentes. Amacia arestas, instala conforto. Conviver nem sempre é conhecer. Muitas vezes é apenas acostumar-se.



Ilustração: Uilson Morais (Umor)



 

Todo mundo vê o que se mostra: a roupa limpa, a conversa aprumada, o sorriso pronto, a versão que sai de casa com manual de bons modos debaixo do braço. Poucos, pouquíssimos, sabem quem somos quando o sapato aperta e o elevador social despenca alguns andares. E se já dá um trabalho danado mudar a si mesmo, imagine reformar o outro.

 

A imaginação é generosa com quem nunca levou pancada. Arredonda defeitos, perfuma falhas, fabrica anjos e santas que não resistem ao primeiro vento mais sério. Idealizar é barato; conviver custa.

 

Mas a rigor ninguém conhece ninguém. Conhece a versão ensaiada para caber no mundo sem provocar espanto. A edição definitiva só estreia quando o chão começa a ceder.

 

Quer tirar a prova? Experimente viajar junto. 

 

Viagem é teste de caráter sem gabarito antecipado. Atraso de três horas no aeroporto, fila que não anda, criança chorando atrás, fome latejando, GPS jurando que é por ali enquanto o carro entra num beco sem saída. O quarto alugado que só prestava na fotografia. A mala que resolve fazer turismo sozinha.

 

É aqui que se revela quem respira fundo e resolve e quem faz plateia para reclamar. Quem ajuda a carregar a bagagem e quem distribui ordens. Quem ri do imprevisto e quem transforma qualquer contratempo em perseguição divina. 

 

No aperto ninguém planeja ser canalha. A canalhice surge como reflexo. É o ego assustado quando o mundo desobedece. Uns se agigantam e outros encolhem. 

 

Tem gente que se acha leve como a brisa de um fim de tarde. Até perder as estribeiras. Quando perde, pesa feito porta de cadeia. A leveza dependia do ar-condicionado, da bateria do celular, do sinal de wi-fi, do saldo na conta. 

 

 

Aliás, fale de dinheiro e a verdade sai da moita. 

 

Dinheiro é farol alto em estrada escura: ilumina até o que se queria esconder. Proponha dividir a conta do restaurante e observe quem calcula vantagem com régua invisível. Empreste, combine prazo e espere. Quem “esquece” não tropeça na memória... escolhe. A matemática moral raramente erra.

 

Pegue alguém num dia de sangue quente. A raiva é vento que arranca telhado e derruba fachada. Veja se conversa ou grita, se escuta ou atropela. “Eu estava nervoso”, dirá depois. Nervoso é estado. Crueldade é decisão. 

 

Não sei vocês, mas já tive chefes que me fizeram até cogitar descumprir o sexto mandamento (“Não matarás”). Nos primeiros dias, eram quase paternais. Semanas depois, reuniões para “alinhar expectativas” terminavam com alguém desalinhado diante dos outros. Elogio em privado, reprimenda em público. Constrangimento vendido como método de gestão, que mais tarde ganhou rótulo elegante: “assédio moral”.

 

Quer ir além? More junto. 

 

Morar junto é chuva grossa revelando goteira antiga. Toalha molhada sobre a cama, louça largada na pia. Aparecem a bagunça, o egoísmo, a preguiça de dividir tarefas simples, o jeito torto de lidar com rotina. Descobre-se quem constrói e quem apenas ocupa espaço, quem soma e quem suga.

 

Todo mundo parece admirável quando o mar está manso. O caráter, esse bicho tinhoso, só dá as caras no dia ruim. Quando o dinheiro míngua, o plano desanda, o cansaço bate feito sol em laje descoberta. É ali que cada um escolhe o que quer ser: abrigo ou ventania.

 

Já passei da idade de escolher gente por caras e bocas. Fala bonita impressiona, mas não se sustenta. Prefiro gesto que não rende aplauso. Cuidado que não vira postagem. Firmeza quando ninguém está olhando.

 

Aprendi errando com quem parecia pedra e virou pó na primeira ventania. E, para ser justo, também já me vi menor do que a imagem que gostava de exibir. Já fui muro sem prumo. Já fui vento quando pediam abrigo. A gente só descobre o próprio tamanho quando o mundo resolve medir.

 

Amizade, casamento e sociedade não quebram na brisa leve do entardecer. Arrebentam quando o mundo acorda atravessado e bate na porta antes do dia clarear. 

 

O bom de um dia ruim é que ele não inventa ninguém. Ele tira o teto. E deixa o caráter ao relento.

 

64 comentários:

  1. "E, para ser justo, também já me vi menor do que a imagem que gostava de exibir"
    E isso dói....

    ResponderExcluir
  2. Êta que esta crônica veio para sacudir tanto quem vive no mundo encantado das redes sociais quanto aqueles que, mesmo longe delas, habitam Nárnia e esquecem da vida real. Com boas pitadas de humor e palavras precisas, você mostra que o caráter é aquele 'bicho tinhoso' que só sai da toca quando o boleto vence ou a louça acumula. Entre chefes tóxicos e toalhas molhadas, você traz uma crônica cheia de nuances e elegância, provando que um dia ruim é o melhor exame de DNA moral que existe: ele não inventa ninguém, apenas tira o teto e deixa a verdade ao relento.
    Simbora, viver em harmonia, com amor, respeito, tolerância e muita empatia.

    ResponderExcluir
  3. ADEMAR RAFAEL FERREIRA4 de março de 2026 às 06:00

    Fidalguia e grosseria são acionadas por botões vizinhos e algumas vezes um deles é acionado automaticamente. Seguir a dica da placa existente em cruzamentos com trilhos de trem "Pare, Olhe, Escute" é a melhor opção.

    ResponderExcluir
  4. O amor, como o carnaval, vive de fantasia. A gente veste coragem, exagera nas cores, promete eternidades embaladas por refrões fáceis. Dança espremido no meio da multidão achando que aquilo é para sempre. E talvez seja — mas só até a quarta-feira.

    ResponderExcluir
  5. Que texto maravilhoso, pura realidade! E assim é o ser humano!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Haydee Jurema da Rocha4 de março de 2026 às 11:38

      Eu ainda complementaria com a máxima: "Quer conhecer alguém? Dê poder!! "

      Excluir
  6. ...Quanta verdade, caro HAYTON! PARABÉNS! - José Luiz.

    ResponderExcluir
  7. Bom dia Caríssimo Parahyba!
    Hoje você acordou empunhado uma “teleobjetiva”, como as que portava com maestria o mestre Sebastião Salgado.
    Revelou, contudo e com elevado esmero - a genial genialidade do gênio Nelson Rodrigues “A Vida como ela É”, sem tirar e nem botar.
    O despencar do elevador social, me trouxe nitidamente à mente, antiga marca de sabonete - Vale Quanto Pesa, aplicada à vida - De quem um dia pesou e depois deixou de pesar.
    Concluo com o inapagável escrever do maravilhoso Gonzaguinha, na sua imortal "Palavras": "Cantar nunca foi só de alegria / Com tempo ruim todo mundo também dá bom dia".
    Vida que segue… prioritariamente, com muita alegria e muito prazer.
    Amplexo fraterno 🤝🫶🤝

    ResponderExcluir
  8. Que já passou dos 50 (eu estou chegando nos 60), já pode associar cada parágrafo com alguma experiência vivida. Muito bom.
    Maurício

    ResponderExcluir
  9. 👏👏👏👏👏👏👏

    ResponderExcluir
  10. Eita crônica arretada de boa!!! O menino pegou ar e contou como e quando a verdade de ser o que se é escancara.

    ResponderExcluir
  11. Nota 1000 !!👏🏻👏🏻💙

    ResponderExcluir
  12. Muito boa. Até Jesus chutou o pau da barraca.

    ResponderExcluir
  13. Hayton, seus textos são excepcionais, seria injusto destacar um ou outro que li até hoje, mas o de hoje peço uma licença poética para grifa-lo, e lembraria de outro ponto que nos revelam, para o bem e para o mal: o poder. Em qualquer nível, quando o temos é não estamos preparados, nós revelamos e as vezes na pior versão. Perdi muitos amigos para o poder, ou melhor, nunca foram, apenas se relevaram. Porém, o melhor presente que me deram foi a clareza de que aqueles que sempre estiveram ali, no sol e na chuva, nas altas e nas baixas, são os mais valiosos, os que mais temos que cuidar.

    Obrigado mais uma vez por compartilhar sua arte e sensibilidade e nos provocar os melhores sentimentos e reflexões 🙏

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tanto revela quem detém o poder quanto quem não o tem e se julga mais merecedor, os amigos quem se tornam potenciaus algozes, não antes de sua promoção.

      Excluir
    2. Tanto revela quem detém o poder quanto quem não o tem e se julga mais merecedor, os amigos quem se tornam potenciaus algozes, não antes de sua promoção.
      Raul Cisneiros

      Excluir
  14. Quem nunca?!
    Abração,
    Gradim.

    ResponderExcluir
  15. Ser "bom no bom" é fácil, mas, ser "bom no ruim" é um grande desafio.

    ResponderExcluir
  16. A convivência é o melhor troféu para o teste da paciência. Uns evitam a separação considerando a idade dos filhos. Outros pela dependência financeira. Na união é preciso ceder, reconhecer os próprios limites. Não somos perfeitos, mas a família é a razão do nosso viver, além de base para uma sociedade mais justa.

    ResponderExcluir
  17. Quando o perigo aparece, é nesse momento que descobrimos quem são os verdadeiros heróis. Afinal, todo super-homem enfrenta seu dia de vilão, mesmo que, na maior parte do tempo, viva como alguém comum.
    Hayton, nesta crônica, a viagem não é apenas nos outros, nos relacionamentos, nas pessoas do nosso convívio, mas também para dentro de nós mesmos. Ela nos leva a refletir sobre nosso próprio comportamento e nos convida a analisar como reagimos, quais atitudes assumimos e como nos posicionamos diante dos dias difíceis. Parabéns pela belíssima e instigante crônica.

    ResponderExcluir
  18. Eta! Descrição certinha da alma humana. Sim, alma humana porque aprendi que só os humanos tem, além da alma vegetativa (da vida) e da sensitiva (do sentir) a espiritual. Mas, discordando um pouco do final, ou complementando, o bom de um dia ruim é que ele passa e, passando, nos dá oportunidade de apreciar melhor um dia teliz e até mesmo
    Um dia “normal”. . NelzaMartins

    ResponderExcluir
  19. Parabéns Hayton, retrato vivo do desfile de egos, onde fantasias e máscaras disfarçam o caráter do folião. Cedo ou tarde vem a chuva revelar a essência de cada um.

    ResponderExcluir
  20. Caráter, realmente, não é vitrine, é estrutura e a liga se revela, mesmo, é no atrito.

    Entendo que aqui o ditado popular "desse mato não sai coelho" pode perfeitamente ser aplicado, especialmente quando se suspeita que uma ação ou pessoa é duvidosa ou incapaz de produzir algo bom.

    A crônica foi certeira ao resumir, com elegância e contundência, o que muitos veem mas não enxergam: crises não criam defeitos ou virtudes, apenas os expõem.

    ResponderExcluir
  21. Caramba, quanta verdade num espaço tão pequeno.
    É um texto que nos permite enxergar a nós mesmos e nossas relações e refletir sobre isso.
    Obrigado, caro Hayton.

    ResponderExcluir
  22. Cronica pra desnudar a alma do ser humano. Somos assim mesmo: imperfeitos, falhos e, vez por outra, o caráter apresenta "falha de caráter". Por outro lado, botando o pessimismo de lado e sem querer desanimar da humanidade, aqui e ali vemos ilhas de esperança, de solidariedade legítima ( sem ser filmada para as redes sociais) de pessoas que revelam o melhor de si quando a situação piora. No mais, Hayton, sua cronica nos faz lembrar e revisar os erros que cometemos. Se servir de alerta para não repeti-los, já valeu a pena.

    ResponderExcluir
  23. Ninguém conhece ninguém
    Vê apenas a versão
    Que se quer apresentar
    Nesse mundo de ilusão
    Mas basta faltar dinheiro
    Para conhecer o parceiro
    Que sequer tem coração.

    ResponderExcluir
  24. James Cavalcante de Medeiros4 de março de 2026 às 09:52

    Momentos da vida que se repete diariamente, relacionamentos, amizades nem sempre são duradouros, quebra completamente com facilidade a partir do momento em que se avança no espaço do outro. Às vezes repito uma frase: entro calado e saio mudo. Ouvir problemas dos outros sem comentar…. Comentou, tá envolvido. Tou fora. Muito bom, Hayton! É amargo o assunto mas é necessário comentar. Aprovado.

    ResponderExcluir
  25. FRANCISCO OITAVO PINHEIRO FERNANDES4 de março de 2026 às 10:21

    Caráter é aquilo que você é ou faz quando está sozinho. É provável que este conceito esteja certo. Feliz mesmo devia ser o Macunaíma, "um herói sem nenhum caráter".

    ResponderExcluir
  26. Um texto muito verdadeiro, eu já me surpreendi com pessoas que diziam que era amigos, mas na hora do pega pra capar sobrava pra mim, sempre, aprendi o bastante, pra não me deixar levar e também saber lidar com essas pessoas.

    ResponderExcluir
  27. Perfeito.Para conhecer as pessoas tem q comer 1 kg de sal,juntos.Prefiro atitudes do q palavras bonitas.

    ResponderExcluir
  28. Eu costumo falar que todos somos tentados a terceirizar a culpa. Alguns de nós resistem mais, outros menos.
    Todos temos momentos de ira, raiva, descontrole, dúvida, impotência, destempero. Parece que o que nos resta mesmo é escolher qual a dose desses comportamentos liberamos em nosso dia a dia!
    Hayton foi cirúrgico ao mus lembrar disso!

    ResponderExcluir
  29. Excelente texto Hayton. É para se ler, reler e refletir o até onde nós nos enquadramos nesse contexto.

    ResponderExcluir
  30. Muito boa reflexão. Obrigado por compartilhar.

    ResponderExcluir
  31. Luís Eduardo Pessoa4 de março de 2026 às 12:52

    O risco vale a penas, mas é bom ir preparado. Esse artigo foi um mini manual de regras não escritas da vida.

    ResponderExcluir
  32. Um tratado da vida “em conjunto”!
    Assino embaixo, entusiasticamente.
    Vale o que teria dito Millôr Fernandes: “como são admiráveis as pessoas que não conhecemos bem”!

    ResponderExcluir
  33. A medida do servidor bom, é ser bom sem medida. Se mil anos vivêssemos, jamais conheceríamos a fundo, uma pessoa. O ser humano vive em eterna transição. Ninguém conhece ninguém. Parabéns mais uma vez pela linda crônica. Um abraço

    ResponderExcluir
  34. Digo: a medida do ser bom, é ser bom sem medida.

    ResponderExcluir
  35. A vida nos oferece surpresas que relativizam o que se pode dizer sobre "o que é, afinal, o caráter"... São tantas imagens que se distorcem, a depender do "óculos" usado por quem não quer ver o óbvio ou, talvez, enxergar o invisível que o conceito de caráter torna-se algo bem subjetivo... Alguém poderá dizer que se trata de uma "questão cultural" e que isso já está tão arraigado, especialmente em nossa gente brasileira, inclusive nos altos escalões da governança pública, que, de fato, o caráter está "ao relento"...

    ResponderExcluir
  36. ROBERTO SANTOS FERNANDES4 de março de 2026 às 16:48

    Dessa vez você mexeu nas entranhas do leitor, colocou todo mundo às avessas. Muitas verdades reunidas num só local.
    Parece uma sessão de psicoterapia.
    Parabéns!

    ResponderExcluir
  37. Crônica sensacional, mestre Hayton.
    É aquele velho ditado popular: “quer conhecer uma pessoa de verdade, dai-lhe poder e dinheiro para ela, ou simplesmente repara como ela te trata quando não mais precisa de você”.
    Você pode fazer 99%, mas o 1% que você não pode fazer, será lembrado para sempre.

    ResponderExcluir
  38. Nesta crônica, você foi preciso! Abordou, de forma abrangente e sábia, as situações reveladoras da essência humana.

    ResponderExcluir
  39. Hayton,
    Li recentemente uma crônica de Rubem Alves – “A Pipoca”. Nela, o autor faz uma analogia sobre a transformação do grão de milho em Pipoca, comparando com a transformação das pessoas ao passarem por sofrimentos e aperreios.
    O milho, após receber o contato do óleo quente, se transforma em algo saboroso e belo, parecendo uma flor, além de estimular famílias inteiras a degustar essa iguaria assistindo filmes e proporcionando interação entre todos.
    Muitas pessoas ao passar por dificuldades, como a perda de um ente querido, uma doença inesperada, perder o emprego, etc, também se transformam em pessoas melhores.
    Resumindo, sempre crescemos na dificuldade.
    Mas infelizmente, como ocorre das Pipocas onde existe o piruá (O milho que não estoura e não vira pipoca), também entre nós existem e os piruais humanos, pessoas que se recusam a se transformar em seres humanos melhores.

    ResponderExcluir
  40. Como é possível alguém sintetizar a vida, as falhas, defeitos e também virtudes do ser humano de forma tão contundente e indiscutível em uma crônica, como você acaba de fazer???
    Realmente, é no enfrentamento de percalços e momentos inusitados da vida que cada um revela sua mais forte essência, suas fraquezas e virtudes.
    Em nossa trajetória no BB, cada um de nós viu um pouco de tudo, principalmente pelo comportamento daqueles que tinham a missão de comandar pessoas, grupos. Havia quem se louvasse na arrogância, acreditando que só assim imporia o que considerava respeito, autoridade, mas havia também aqueles que preferiam e conseguiam conquistar a liderança do grupo, o que terminava na construção de amizades sólidas que continuariam na vida, mesmo e principalmente após o término da jornada profissional.
    E fico à vontade pra afirmar que você é um exemplo maior do que digo ao final do parágrafo anterior, pois mesmo não tendo trabalhado junto a você, conheço muita gente que o fez e tem hoje por você amizade imorredoura.
    Então, nada como o cargo, o poder, para revelar a face oculta, a real qualidade de cada um. Não à toa, há um pensamento célebre e definitivo do Padre Antônio Vieira que define com maior precisão tal situação, diz assim: QUERES CONHECER O VILÃO, PÓE-LHE O CARGO À MÃO".
    Efusivos parabéns mais uma vez, você sempre se supera em brilho como cronista.

    ResponderExcluir
  41. Texto primoroso, com uma qualidade de construção fantástica. Cada parágrafo com uma pérola de reflexão, fazendo o leitor mergulhar em seu círculo de convivência, bem como para dentro de si, para ver como anda seus comportamentos.
    Parabéns por mais uma crônica que não conseguimos ler só uma vez, tamanha a quantidade de verdades explicitadas.

    ResponderExcluir
  42. Parabens , Hayton.
    De forma cirúrgica descreve , expõe e indica situações reveladoras do ser humano ....
    Deixa clarões para reflexões mil.
    M Veras.

    ResponderExcluir
  43. O cronista é muito assertivo e vai no ponto certo, no momento certo. Quem não viveu momentos de dúvida em relação a amizade de um colega e não saber a atitude a tomar? Quer conhecer alguém dê poder, grande verdade.

    ResponderExcluir
  44. Nossa! Quantas figuras de linguagem e tiradas! Nessa você superou a si mesmo.
    O homem, por sua natureza, tem um perfil brutal e belicoso, às vezes de covardia, outras de heroísmo. Mesmo o herói, pode virar covarde nas agruras da vida. Sua crônica, meu caro Hayton, embora case com a verdade, foi marcante, dura, como ferro em brasa.
    Orlando Salvador de Lima

    ResponderExcluir
  45. Interessante estar lendo esta crônica num momento em que o trem no qual viajávamos parou e não pode seguir por problemas na pista… estamos na calçada da estação… aguardando um ônibus para um estação próxima, longe do nosso destino, e rindo das diferenças culturais dos que aguardam juntos e dos que tentam organizar o “pequeno caos”…. Faz parte 😅

    ResponderExcluir
  46. Na vida, já vi essa “imagem” algumas vezes qdo me olhei no espelho e tive vergonha do reflexo q vi. Em algumas dessas vezes, a vergonha me fez refletir e isso me permitiu evoluir. Hoje, percebo q essa “olhada” no espelho e as reflexões sobre nossa própria “imagem” devem ser um exercício diário se almejamos evoluir sendo um ser humano “mais humano” ✨

    ResponderExcluir
  47. Crônica perfeita. De frente, de lado e de fundo. É o cronista nos dizendo: tudo na vida quer tempo e medida.
    E, cuidado com o amigo de todos. O ditado diz: Amigo de todos e de nenhum tudo é um.
    Parabéns, Cabra Véi!

    ResponderExcluir
  48. Tem um ditado popular que diz: Quer saber quem é alguém? Como um quilo de sal com ele… Parece bobo por fora, mas verdadeiro por dentro. Entretanto, o fato é que ninguém conhece ninguém! O nosso olho clínico insiste em orbitar universos paralelos, incapaz de se voltar para si mesmo. É tarefa para vida toda! Parabéns por nos lembrar de nós mesmos.

    ResponderExcluir
  49. Devemos temer a nós mesmos. Os grandes perigos estão dentro de nós…

    ResponderExcluir
  50. O verdadeiro amigo é um tesouro. Hoje em dia e muito dificil de encontrar. Tem sim mas, dá trabalho. Parabéns! Gostei.

    ResponderExcluir
  51. Nas fases boas quando conhecemos alguém tudo parece fácil. Mas é na tempestades da vida que descobrimos quem realmente se importa e quem caminha conosco.
    Parabéns amigo Hayton

    ResponderExcluir
  52. AGOSTINHO T DA ROCHA FH7 de março de 2026 às 07:50

    Conceituar caráter constitui tarefa até fácil. Difícil mesmo é fazer alguém refletir sobre o seu próprio caráter, a partir de uma criativa e bem elaborada crônica, e convencê-lo de que este alguém ainda precisa melhorar muito.

    ResponderExcluir
  53. Tudo verdade. Os amigos que tenho, são amigos e eu os cultivo. Alguns, que se diziam meus amigos, bastou entrar dinheiro na conversa para sumirem. E pior, valiam muito pouco. Tive amigos de R$ 100,00... amigo não é quem diz que gosta da gente, é quem te quer por perto o tempo todo, ainda que por telefone. Não tem como ser definido.

    ResponderExcluir
  54. O mais difícil é quando, o que era para ser um apoio, uma ajuda, um gesto de amizade, torna-se uma obrigação.

    Tem pessoas que se apropriam de você como se fossem seus donos e ficam extremamente magoadas, quando você tem "coragem" de dizer não.

    Parece que você está se negando a cumprir com suas obrigações. É quando você é visto como uma propriedade, ao invés de um bom amigo.

    E pode ser ainda mais complicado, quando você mesmo não se dá conta disso, ou até mesmo acha "normal". Nos tempos de hoje, vivemos uma "síndrome" de normalização. Uma espécie de "vale-tudo", onde é preciso "levar vantagem em tudo, certo?". Errado!

    Ecoando palavras de Hayton, em conversa pessoal, amizade não deveria nunca tentar transformar generosidade em dever. Quem realmente é amigo entende limites, respeita escolhas e nunca confunde cuidado com posse.

    ResponderExcluir
  55. Excelente! O autoconhecimento é tarefa das mais árduas, porém necessária.

    ResponderExcluir
  56. Ótimo! Que belo presente para nossos olhos, mente e reflexão. É a vida como Ela é, as cortinas que escondem o po.

    ResponderExcluir
  57. Meu Deus do Céu, Hayton! Essa é para emoldurar. Vou espalhar prá todo lado. Muito bom!!

    ResponderExcluir
  58. Cheguei tarde, mas cheguei. Assim diria um relápso - estou me incluindo na frase (risos) para me penitenciar com o mestre Hayton.
    Há tempos em que nos portamos como deselegantes, não por vontade deliberada, mas por acúmulo de afazeres, emboramente aposentado - como diria Odorico Paraguassu, encarnado personagem televisivo interpretado pelo grandíssimo homem de teatro e televisão Paulo Gracindo, batizado Pelópidas, que se considerava nordestino de Maceió - e, ao ver de alguns, sem ter o que fazer.
    Nas imensas tratativas de trabalho ou de atuação politica experimentei a situação do "me vi menor do que a imagem que gostava de exibir", não somente pelo fato de assim merecer, como por outro lado e por ossos do ofício ter a necessidade de me mostrar bem menor para não causar um mal estar no ambiente de fala. Recebi admoestações imerecidas mas o foram para o bem do grupo em relação a alguém que queríamos e devíamos conquistar. Por outro lado, procedi de igual modo, admoestando companheiros ou subordinados administrativamente, com a mesma finalidade de não desagradar, de público, alguém que, mesmo sem razão, merecia nosso apoio naquela oportunidade - um grande teatro, convenhamos.
    Havia um senhor no meu município que costumava dizer, quando alertava para os casos de alguém que, de posse de poder e/ou dinheiro, se transformava em alguém totalmente diferente da pessoa com que havíamos convivido no lugar, "dê pinhão ao cão!"
    Até hoje, já septuagenário e descambando para o octagenarismo, não tenho a mínima ideia do meu tamanho; acho que o mundo não se interessou em medir.
    Certo é mesmo que tenho conseguido transitar entre bons e grandes amigos que, por imensa bondade, toleram minha convivência.
    Abraçaço, Hayton!
    Tonho do Paiaiá

    ResponderExcluir
  59. Essa é daquelas crônicas que, a exemplo de outras instigantes do autor, nos põe no divã.
    Dentre as situações trazidas por Hayton, atenho-me às que dizem respeito a viagens. Tenho para mim que elas são excelentes exemplos para se testar paciência, compreensão, solidariedade e caráter. Elas são sonhadas, planejadas dentro de uma perspectiva de dias de prazer e descobertas agradáveis. Nem sempre há correspondência com a realidade. Por esse motivo, não gosto de viagens de “excursões”. Há anos faço parte de um quarteto que já foi colocado à prova incontáveis vezes e ninguém foi reprovado. Nos descasamentos do planejado com o ocorrido, tudo foi superado com força conjunta e, em algumas ocasiões, os reveses tornaram a viagem ainda mais especial.
    Com esse grupo, creio que já estamos bem perto de bater “um saco de sal” e, até agora, o sabor está perfeito.

    ResponderExcluir