O BILHETE ERRADO
Hayton Rocha
Toda vez que escuto “Encontros e Despedidas”, de Fernando Brant e Milton Nascimento, penso que me casei com um erro ferroviário.
Não ela, claro, mas o engano que a antecedeu. Filha de cearense com alagoana, nasceu porque o pai, uma década antes, comprou o bilhete errado. Devia começar a trabalhar como bancário em Palmares, Pernambuco. Por descuido na estação de origem, desembarcou em União dos Palmares, Alagoas.
Trocou a estação de destino, encontrou a família. Se tivesse conferido a placa da estação, talvez a história fosse outra. Ou não.
Magdala só veio ao mundo porque sua mãe, temendo estar diabética, fez promessa à santa padroeira: se o exame desse negativo, levaria a terceira gravidez adiante. A santa concordou. O exame deu. E aqui está entre lágrimas e risos, desde então, cumprindo a promessa em prestações de amor e teimosia.
Eu também sou fruto de um desencontro geográfico. Segundo de nove filhos de maranhense com paraibana, mudei aos dez anos para Alagoas. Mudança que parecia provisória e fincou raízes como mangue à beira-mar. Foi ali, entre bancos de escola e campinhos de pelada, que descobri a menina que, mais adiante, seria mãe de meus filhos e avó de meus netos.
A graça de termos filhos e netos, portanto, depende menos de nós mesmos e mais de um erro logístico. Um emprego promissor. Uma mala fechada às pressas.
Os filósofos chamam isso de contingência. Palavra que traduz o susto permanente de existir, a possibilidade de algo acontecer ou não. Prefiro chamar de tropeço cósmico. Há algo de desajeitado no modo como o universo organiza nossas vidas: um atraso aqui, um empurrão ali, olhares que se cruzam por acaso e mudam o curso da história.
Todos nós somos frutos de encontros que quase não aconteceram. Dois corpos que, por razões insondáveis, coincidiram no instante certo. Se aquele homem não tivesse encontrado aquela mulher naquele dia específico, você que me lê neste instante não estaria aqui. Bastava um espirro, uma crise de tosse, uma câimbra. E outro seria você.
Se seus pais brigassem na saída do cinema. Se chovesse demais e a goteira no quarto desanimasse o romance. Se houvesse cansaço, enxaqueca, visita inesperada. Somos sobreviventes de improbabilidades acumuladas.
Você duvida disso? Suba a árvore genealógica da sua família. Cada casal ali é um milagre estatístico. Multiplique por gerações. Guerras atravessadas. Epidemias vencidas. Migrações forçadas. Amores clandestinos. Violências inomináveis. A história humana não é álbum de casamento. É campo minado que se atravessa às cegas, sem mapas nem pistas.
E ainda assim estamos aqui, respirando e fazendo planos para a semana que vem, para o mês que vem, para o próximo Natal.
Some a isso o detalhe de a Terra ainda não ter sido engolida por um asteroide. Ou de seu bisavô não ter embarcado para outro continente. Ou de seu avô ter perdido aquele trem. Ou de ter desembarcado por engano na penúltima estação. Às vezes, a diferença entre existir e não existir cabe numa plataforma vazia.
“Todos os dias é um vai-e-vem. A vida se repete na estação.” Há quem chegue para ficar. Há quem parta para nunca mais. E há quem mude o destino de uma família inteira apenas por comprar o bilhete errado.
Não somos arquitetos solitários do teto que nos dá abrigo. Construímos com o material que nos entregaram e nem sempre escolhemos o terreno. Cada escolha alheia infiltra-se na nossa biografia. Cada atraso ou coincidência abre ou fecha caminhos que julgamos nossos.
Há quem diga que Deus calculou todas as variáveis, que nada foi erro, apenas roteiro escrito nas estrelas. Outros juram que somos acidente biológico que aprendeu a fazer poesia para suportar o caos.
Eu, que me casei com um equívoco ferroviário e uma promessa à santa, estou seguro de que a vida não é plano fechado nem acaso cego. É improviso. Improviso por forças que não dominamos. Coreografia em que errar o passo, às vezes, é encontrar o par.
Se o cearense tivesse comprado o bilhete certo, eu não teria a meu lado a mulher que está comigo há mais de meio século. Se meus pais não tivessem migrado, meus filhos e netos não existiriam. Se um detalhe qualquer fosse outro, eu seria outro. Ou talvez nem estivesse aqui.
Não somos trilhos. Somos os desvios improváveis que nos trouxeram até aqui.

Belo texto, que mexe com a gente
ResponderExcluirOs fatos narrados são as ocorrências "escritas nas estrelas", essa união de pontos extremos torna-se real por fatores cuja previsibilidade pode ser traduzida como "mistérios da meia noite". Texto instigante.
ResponderExcluirHayton Bela História de seu Amor Palmarino acontecido pela Graça de Santa Maria Madalena a Padroeira de União ( antiga Vila Macacos) com banhos e lavadeiras e rasantes de lavanderias sobre meninos e meninas descobrindo a Adolescência ! Os melhores momentos da Vida são frutos de Deus, do Universo , do Amior e do Acaso ( Hasard) como sempre dizem os Franceses 🍾☀️☔️🏖️🌴🏦
ResponderExcluirO velho Banco do Brasil é responsável por muitas existências. Me fez lembrar Caetano Veloso, que disse algo cono: "É inacreditável a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer".
ResponderExcluirA história de cada um de nós é uma equação complicada onde achamos a incógnita de forma quase milagrosa!
ResponderExcluirParabéns pelo texto!
Eta, que texto! Faz cada um de nós pensar nas próprias origens. Enquanto lemos vamos pensando: e eu? E se..? E lá vamos nós rebobinando a fita de nossa existência. 👏👏👏👏👏. Nelza Martins
ResponderExcluirPois é… As pessoas fazem planos e Deus ri" ou “Der mentsh trakht un Got lakht"
ResponderExcluirIsso mesmo Hayton, a vida é exatamente assim, com encontros inesperados que revelam o nosso futuro. Maravilhoso o texto! Parabénsssss!! 👍👍👏👏👏👏
ResponderExcluirMeu amigo, que poesia maravilhosa: "A vida não é plano fechado nem acaso cego. É improviso. Improviso por forças que não dominamos. Coreografia em que errar o passo, às vezes, é encontrar o par." Como diz a canção: "caminheiro, não há caminho. O caminho se faz ao caminhar". Hayton, que texto lindo e profundo! A história de Magdala já me pegou de jeito; essa mistura de fé, promessa e amor que se renova em prestações diárias. É bonito pensar que a existência dela (e a de tantos de nós) está ancorada num gesto tão simples e tão poderoso: uma mãe que negocia com o divino a possibilidade de uma vida. E você ainda amarra isso com a sua própria trajetória, esse desencontro geográfico que virou encontro definitivo, como mangue que finca raízes onde a maré leva. É impossível não se sentir parte dessa teia de acasos e escolhas.
ResponderExcluirSua reflexão sobre a contingência; ou, como você prefere, o "tropeço cósmico", me fez pensar em quantos detalhes ínfimos nos trouxeram até aqui. Um bilhete de trem, uma mudança de última hora, uma promessa atendida. A gente gosta de achar que é arquiteto da própria história, mas no fundo somos todos sobreviventes de improbabilidades, como você disse. E o mais bonito é que você não trata isso com resignação, mas com uma espécie de espanto poético, uma gratidão lúcida por esse improviso que chamamos de vida.
E é isso que me toca no seu texto: a forma como você celebra os desvios, os erros de percurso, as estações erradas. Seus netos, seus filhos, sua companheira de meio século; tudo isso veio de um "equívoco ferroviário" e de uma promessa a uma santa. Que sorte a nossa que o universo é desajeitado, que os planos furam, que os trens atrasam. No fim, somos mesmo feitos desses desvios improváveis, e é neles que mora a graça. Obrigado por compartilhar essa coreografia tão bonita.
Hayton,
ResponderExcluirFiquei aqui pensando em como a gente gasta energia tentando planejar cada passo, tentando ter o controle de tudo quando, no fundo, o que nos define são esses "erros" de percurso que você descreveu tão bem. A imagem do seu sogro descendo na estação errada e mudando o destino de gerações inteiras é de uma poesia visual fantástica. É um desses acasos que a gente só entende a importância décadas depois, olhando para os filhos e netos.
Esta crônica me fez olhar para trás e perceber que eu também sou fruto de uma série de "quases".
Essa ideia de que somos sobreviventes de improbabilidades acumuladas — um espirro, uma chuva, um bilhete trocado — tira um peso enorme dos ombros. Além disso, é tranquilizador pensar que a vida não é um trilho rígido, mas esse improviso constante onde errar o passo acaba nos apresentando ao par certo.
No fim das contas, a gente constrói a casa com o material que recebe, mas é o seu texto que nos lembra de celebrar o terreno, por mais torto que ele pareça. Terminei a leitura com uma vontade enorme de investigar quais foram os "bilhetes errados" da minha própria família.
Parabéns por mais esta excelente crônica, humana e interessantíssima.
Verdade, caro HAYTON! Excelente texto. José Luiz.
ResponderExcluirMuito bom! Seguimos em frente, às vezes aleatoriamente. Abração.
ResponderExcluirGradim.
O destino não marca a hora nem o lugar. Ao sair da "linha", estava no caminho da sua estrela. "Ô trem bom"! PALMA, RÉS alteram a UNIÃO. Na situação estava escrito que nem sempre devemos descer na próxima estação.
ResponderExcluirExistirmos, a que será que se destina?
ResponderExcluirTexto maravilhoso que nos remete a pensar em nossa propria existência, em nossos encontros e desencontros. Parabéns meu amigo. Abraço
ResponderExcluirRenato
Bela crônica. O “ SE “ veio para justificar acasos ou desculpas. Na minha terra, quando um moleque dava desculpas esfarrapas para não brincar, dizia-se:- conversa cara, se meu pai fosse mulher, eu teria duas mães .
ResponderExcluirAbraço
Mistérios do Universo!
ResponderExcluirSe qualquer desses “se” tivesse acontecido, o mundo do autor teria acabado antes começar. Tanto é assim que a minha memória não tem qualquer registro de Hayton sem Magdala.
ResponderExcluirCerta vez, em um encontro do BB na costa do Sauípe, encontrei com Hayton, que, indagado, respondeu que Magdala não estaria ali. Eu não acreditei, mas disse que se aquilo fosse verdade, o mundo estaria perto de acabar. Era só brincadeira. Ela apareceu logo depois dando uma risada e, graças a isso, estamos podendo desfrutar dessas crônicas.
Maurício
Delícia de texto para tornar o nosso dia mais leve. Poesia pura!
ResponderExcluirExcelente essa história. Como grande admirador dessa música, também tive "erros geográficos e bancários" na vida.
ResponderExcluirFilosófico, Brilhante
ResponderExcluirA vida é assim ,cheia de “Ses” …
ResponderExcluir"E ainda assim estamos aqui, respirado”. Que saibamos valorizar esse ar que nos é concedido a cada dia. Acredito no arquiteto divino e tenho a convicção de que tudo acontece no tempo de Deus. Por isso, penso do mesmo modo, que "cada casal ali é um milagre".
ResponderExcluirParabéns, Hayton, por mais uma vez nos oferecer o bilhete dessa nossa viagem das quartas-feiras. E como diz a canção: "Tem gente que chega pra ficar Tem gente que vai pra nunca mais".
Eu mesmo, minha bisavó, de Málaga, Espanha, veio fugida da terrível gripe espanhola. Essas contingências...kkkkk. Adorei a crônica
ResponderExcluirBelo texto amigo Hayton. Parabéns! Nada acontece por acaso e tudo se dá na justa medida. Por isso que somos uma grande colcha humana de retalhos. Abraços, Horácio.
ResponderExcluirEntendo que a vida pode até ser escolha nossa, nas dentro de um plano divino, que é insondável.
ResponderExcluirMeu amigo, sempre me intrigou a frase do poetinha afirmando que 'a vida é a arte do encontro'. Pois, quantas 'moças casadoiras' ficaram no ponto errado porque os gajos pegaram o trem certo? Quantas noivas ficaram por casar, como registra outro poeta, apenas porque o prometido resolveu atravessar o mar? É curioso pensar que esses desencontros, por outro lado, acabam gerando novos encontros, transformando a vida em... bem, talvez numa obra de arte meio abstrata.
ResponderExcluirE pensar que o nome Palmares, que dá origem a essa festejada união, serviu para denominar um local de encontro de gente sofrida, quantos encontros...
No meu caso, meus antepassados italianos, espanhóis e portugueses cruzaram os mares vindos de aldeias e “comunes” tão distantes que mal se esbarrariam num mapa-múndi, só para se encontrarem aqui, no País dos vários Palmares. Acaso? Destino? Ou só uma baita ironia da vida? Quem sabe! O que importa é que, no fim das contas (ou das longas viagens), a gente sempre acaba encontrando histórias como a sua, que fazem tudo valer a pena, pois nos trouxeram à vida."
👏👏👏👏👏👏
ResponderExcluirExelente crônica. Parabéns!!
ResponderExcluirGrande Hayton. Você mos brinda com uma crônica leve e poética que nos convida a contemplar como encontros fortuitos e desencontros traçam novas rotas, desenhando destinos inesperados e abrindo portas para novas vidas e desafios. A vida, em sua essência, é um mosaico de probabilidades frágeis, e este texto celebra a beleza oculta naquelas coincidências que, por um triz, não ocorreram. É um convite afetuoso a abraçar as imprevisibilidades, viver os bons momentos e, acima de tudo, ter a coragem de montar no cavalo selado que para diante de nós, insistindo em nos levar a galopar por um novo mundo
ResponderExcluirParabéns, pela crônica! Gostei muito.
ResponderExcluirDiante do exposto, podemos concluir que o "bilhete errado" deu um "tiro certeiro", Hayton. Show de crônica, meu amigo. Forte abraço!
ResponderExcluirNa vida, nem tudo é como imaginamos, mas sempre, como tem que ser. Um desembarque na estação errada, tornou-se a estação certa, para o encontro de um amor. O que parecia ser um transtorno, tornou-se a construção de uma família.
ResponderExcluirQuem saiu no lucro foi Hayton, pois dessa união, nasceu a sua amada.
Mais uma crônica sensacional, mestre Hayton.
Crônica que nos faz pensar no que deixamos de fazer...gostei muito. Parabéns! Gilda Augusta.
ResponderExcluirÉ isso… eu só queria ter sido fruto de algum encontro e desencontro lá em Paris, ou Oslo, ou Bruxelas…
ResponderExcluirSem querer contrariar a lógica dessa crônica tão bem escrita, penso que tudo já estava escrito previamente.
ResponderExcluirO Criador designa cada detalhe da nossa vida e da nossa trajetória neste plano.
É o que penso.
Excelente crônica! Parabéns
ResponderExcluirNo filme " O efeito borboleta" o protagonista quase enlouquece ao perceber que cada decisão sua no passado levava a um futuro diferente. Sua crônica hoje é mais profunda do que possa parecer. Traz pro cotidiano da crônica familiar um conceito da Teoria do Caos, formulada na década de 60. A crônica me lembrou também de filmes com a temática " E se...", ou (" What If..., em inglês). Um Clássico do gênero é " A Felicidade não de compra ", de 1948. No filme, um anjo mostra a um homem como seria o mundo se ele não tivesse nascido. Excelente crônica. Vamos em frente, que o passado é imutável, mas o futuro está em aberto.
ResponderExcluirSem contar que o trem de chegada, para uns, é o mesmo trem de partida para outros. E, nesse vai e vem, ainda há os que perdem o trem da partida por querer. Esse trem de encontros e desencontros é um trem muito doido. Pode traçar o destino de uns, apenas porque se perdeu o trem.
ResponderExcluirFrancisco Oitavo.
De fato, nessa inspiradora crônica, conclui-se que "cada casal é um milagre estatístico". E os descendentes são frutos de um "tropeço cósmico", graças a Deus...
ResponderExcluirEm tudo existem lados bons e outros nem tanto, por isso que a vida, em família, é uma sucessão de experiências, algumas bem aprovadas e outras que precisam de manutenções periódicas. Parabéns, caro amigo Hayton, por mais essa bela "história de amor".
Parabéns amigo ! Texto lindo e inspirador !
ResponderExcluirA vida é fruto do acaso ou as coincidências são determinadas pelo destino? Sou adepto de que as coisas acontecem não porque programamos, mas porque o inevitável é inevitável.
ResponderExcluirBelo texto Hayton.
É mágico e muitas vezes louco imaginar quantos “acasos” nos trouxeram até aqui… Como vc bem disse, meu amigo: “Cada escolha alheia infiltra-se na nossa biografia. Cada atraso ou coincidência abre ou fecha caminhos que julgamos nossos.”
ResponderExcluirQue texto exuberante! Li e reli! (Emilton)
ResponderExcluirEsse gajo não se cansa de fazer poesia em formato de prosa!
ResponderExcluirQue texto sensacional!!!
Penso sempre nas coincidências que nos trouxeram até aqui e que contribuem pra sermos quem somos.
Tem gente que chama isso de sincronicidades!
Só que acho também que não podemos deixar tudo ao sabor do acaso, porque nem sempre “o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído”.
Bela crônica!
ResponderExcluirÉ difícil entender os planos de Deus mas tenho certeza que Ele está sempre a frente de todas as coisas escolhidas ou não.
Os desvios concorreram para você construir uma família sólida baseada em amor e respeito.
Esplêndido texto que mexe com as nossas reminiscências.
ResponderExcluirMais uma da genialidade Hayton.
ResponderExcluirMinhas filhas - e por consequência os netos - foram fruto, por assim dizer, da liderança que eu tinha sobre o grupo de amigos que se juntavam pra o carnaval. Ocorre que no ano de 1976, eu estava me recuperando de uma cirurgia e decidi não ir pra rua no carnaval. Embora já estivesse bem, mas decidi não ir. Aí a galera protestou...se era eu que organizava a parada das mortalhas, as frases ali inscritas e na rua animava, dizia a hora de voltar, puxava as brincadeiras... O grupo se desanimou e alguns até estavam prá desistir. Então, revi minha posição, mas com uma condição: eu ficaria mais no Largo de São Bento (nosso ponto de apoio) e não iria atrás dos trios elétricos. Ficaria transitando da Castro Alves até no máximo o Relógio de São Pedro. Também, poderia voltar mais cedo. Concordância geral e lá fui eu na galera. Nesse movimento de ficar mais parado, dei de cara com quem divido mais de 40 anos de convivência...
Kkkkkkkk
Com essa vacilada, seu sogro trocou uma palmarense por uma palmarina e daí veio Magdala ... Parabéns, Hayton, por essa bela crônica que nos faz refletir sobre nossos "e se".
ResponderExcluirTocante crônica, meu caro Hayton.
ResponderExcluirO episódio, quase anedótico, tocando numa das questões mais antigas da experiência humana: o mistério dos caminhos da vida.
Um bilhete comprado para um destino e cumprido em outro parece, à primeira vista, apenas erro de viagem, no entanto, o tempo revela que daquele equívoco nasceu uma história inteira: família, filhos, netos, afetos e memórias, lembrando que a vida, raramente, segue linha reta.
Pequenos acasos, enganos e desvios podem moldar destinos inteiros e o que parecia desencontro transforma-se em ponto de partida.
Nesse sentido a sabedoria é sábia ao dizer que Deus escreve certo por linhas tortas pois, muitas vezes, só depois percebemos que o erro era apenas o disfarce de um caminho.
Ao concluir que “não somos trilhos, mas desvios improváveis”, sintetizas com beleza a ideia de que a existência é feita menos de planejamento e mais de contingências. E talvez seja exatamente isso que a torna tão humana: somos resultado de coincidências, decisões mínimas e acidentes de percurso que, juntos, acabam escrevendo a nossa história.
Parabéns por nos chamar a atenção para isso.
Parabéns , Hayton !
ResponderExcluirA imprevisibilidade da vida é incrível !
Vc despertou sentimentos os mais diversos .Lembrei do Chico Buarque em sua canção " E se..." ( Chico / Francis Hime ).
No final ele diz
E se meu amor gostar de
E se meu amor gostar de mim ?
ResponderExcluirAinda na canção : e se Arapiraca for campeão ?
Eu ter.i o com : e se me faltarem as crônicas matinais das quartas - feiras
Do Hayton ?
Vez em quando me pego pensando algo parecido, que chamo de bifurcações da vida que nos faz , sem percebermos quando acontece, sermos o que somos hoje. Exemplo: já morava em SP quando o Banco me nomeou para Itápolis, alta araraquarense, interior do Estado. Quem seria eu hoje se tivesse aceitado? Não sei. Mas com certeza não seria a pessoa que sou hoje. Estranho e interessante, não? Outra bela crônica para a coleção! Diniz-RJ
ResponderExcluirE as vezes, consideramos capazes de realizar e viver de jeito que imagino e quero, ignorando a vida como Ela é. E o grande Raul cantava: "quem vai chegar? Quem vai partir ? Quem vai chorar? Quem vai sorrir ? E o trem .......:..
ResponderExcluirVamos embaralhar um pouco mais as coisas. E se minha mãe tivesse ficado grávida um mês antes, quem teria nascido? A resposta parece óbvia. Não seria o bebê que eu chamo de "eu". Seria outro.
ResponderExcluirMas... será mesmo? E se "eu" tivesse que existir? Fizesse parte de um "Plano Estratégico Universal", como seria? Deu um "nó", aqui!... Rsrsrsrs
Cheio de emoção, verdades e memórias!
ResponderExcluirBela reflexão filosófica sobre uma história linda!
ResponderExcluirQue bom, termos um destino brincalhão, metido a pregar peças!
Parabéns aos dois!
Caro Hayton,
ResponderExcluirMais uma belíssima crônica.
Conheci seu sogro pelas histórias contadas pelo meu sogro Romariz, colegas na Agência Maceió.
Abraço!
Marcos André Cerqueira
Haja filosofia!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirDuas coisas me vêm à mente. Uma é que fica mais fácil ganhar sozinho a MEGA DA VIRADA que conseguir imaginar onde você vai parar, quando sua mente não encontrará mais temas pra nos encucar com suas provocações.
Outra é a capacidade de reflexão que suas criações produzem, os diversos comentários comprovam minha afirmação.
Vou me permitir uma descontração aqui; ainda espero uma produção sua sobre a rebimboca da parafuseta...
De bilhete em bilhete, alguns transmutados para passagens - rodoviária, férroviária, aeroviária ou aquaviária, por enquanto, já que não se sabe o que nos espera neste ramo de transportes, de pessoas ou de coisas - surge uma situação que demanda, insatisfação do viajante, elogios às paisagens (quando possíveis vê-las), reclamações à defesa do consumidor, composições entre fornecedor e usuários e, queiramos ou não, em contação de história, como sói ocorrer neste texto do Hayton.
ResponderExcluirPelo texto histórico-familiar do Hayton, deu-se a ver que "valeu a pena Êh! Êh!" como nos ensina a canção Pescador de Ilusões, de O Rappa e Composição de Alexandre Meneses, Marcelo Lobato, Falcao, Marcelo Yuka, Lauro Farias. Aquele pescador de um lugar ao sol, tornara-se um "pescador de ilusões" e concretizara seus sonhos nunca antes sonhados, pelo visto.
Há desencontros que nos trazem ganhos e encontros que nos põem em palpos de aranha. Não é difícil lermos em periódicos e jornais, vermos e ouvirmos em rádios, televisões e redes sociais que, alguém se salvou de uma situação vexatória justamente porquê ao invés de ter descido do transporte na estação B, descera, apressadamente e sem se dá conta, na estação A e, surpreendentemente, aquela fora palco de uma explosão inesperada. Daí vem-se as colocações: você nasceu de novo, não era o seu dia, vá à Colina Sagrada e agradeça a Senhor do Bomfim...... não é toda vez que seu anjo da guarda tá de plantão não, viu; não aposte nisso não!
Este relato-memória é digno de júbilo ao escritor e de aplausos de todos nós seus leitores, não só pelo que ele nos traz à reflexão, como o seu esboçar de contentamento na formação de um novo núcleo familiar e seu seguimento natural para preservação da memória dos Hayton's.
Forte abraço, com um pouquinho de atraso, meu caro escritor
Tonho do Paiaia (tonhodopaiaia.org / tonhodopaiaia.com)
Muitas vezes, passamos anos esbarrando em alguém na mesma cafeteria ou cruzando olhares em estações de transporte lotadas, sem que o "nós" aconteça. São os desencontros necessários: o tempo que ainda não estava maduro, a maturidade que ainda não havia chegado ou o coração que ainda estava ocupado demais com silêncios antigos.
ResponderExcluirEsses hiatos não são vazios; são preparações. O desencontro ensina o valor da espera, mesmo que a gente não saiba exatamente pelo que está esperando.
No fim das contas, a vida é um emaranhado de linhas tortas que, por algum milagre da física sentimental, acabam se dando as mãos.
Bela socialização desse acaso de suas vidas, que tornou possível o nascimento dessa união. Como diria o poeta: "Eu vinha só, tu vinhas só, mas eis que o destino, mestre em dar nós, uniu o teu destino ao meu destino e tornou-nos nós".
E vamos nos equilibrando entre o medo/maravilha da entrega ao acaso e a falsa ilusão de controle.
ResponderExcluirEsse tema é danado...
ResponderExcluir"SE" é sempre. está presente nesse mundo. Nessa linda jornada que é a Vida.
É o fiel da balança das possibilidades.
É físico. É quântico. É metafísico.
" Se o mar é lindo. Se amar é mais ainda".
Esse mundo é mágico exatamente por isso. Pelo improvável. Pelo imponderável.
Improviso. Isso mesmo!!!
Palavra mágica dos poetas repentistas. Esses que sabem como ninguém, cantar a Vida.
Crônica danada de desafiadora...
Boa!!!
Abração!!!
Mário Nelson.
Depois da sua última crônica publicada em 11.03. ficou provado que:
ResponderExcluir. "Deus escreve certo em linhas tortas;"
. "O erro pode ser o acerto;"
. "Nós fazemos um plano e Deus já tem
o dele definido ";
. "Só Deus sabe de todas as coisas"...
Além da bela música escolhida para abrir a crônica, você tratou de forma magnífica o acaso que rege nossas existências, desde o nascimento até os dias atuais, porque muitos acasos nos livraram de ter passado desta para a melhor ou, como dizia meu saudoso pai, “para o andar de cima.”
ResponderExcluirEnquadro-me dentro desse tipo de contexto. Fatos, personagens e acontecimentos diferentes, mas, no entanto, muita semelhança na forma que foi narrado. Excelente crônica, parabéns!
ResponderExcluirNa época da antiga mula mecânica, fui concorrer a um cargo na agência de Sorocaba, código 90750, só que pintei 90770. Do Paraná para Soure, na ilha do marajó. Lá encontrei uma amazonense cujo pai tinha sido transferido para lá como gerente da agência do Banco da Amazônia. Análoga ou não, é o que digo a meus filhos. O universo conspira a nosso favor, ou contra kkkk.
ResponderExcluirQue o Senhor Jesus nos conceda sabedoria e discernimento para que todos nós possamos compreender os propósitos divinos.
ResponderExcluirBela crônica! Deixei para ler no domingo e valeu; meu domingo ficou mais reflexivo. Agora que descobrir qual o "erro de estação" que me trouxe a este mundo.
ResponderExcluirHayton, magnífica crônica *O BILHETE ERRADO* nos colocando mais uma vez reflexivos sobre alguns mistérios da nossa existência.
ResponderExcluirAcredito que tudo acontece como tem que acontecer, algumas por decisões próprias e outras imaginamos serem alheias às nossas vontades.
O meu exercício com o “se” sempre foi para idealizar cenários para decisões futuras, assim tomando decisões diante das possibilidades do desfecho, e mesmo assim pode ser totalmente diverso do que havia previsto.
Não costumo praticar o uso do “se” para situações passadas, para imaginar que o resultado poderia ter sido diferente caso tivesse feito ou falado algo de outra forma. O resultado assim só seria perfeito ou diferente somente em nossos pensamentos, pois o que não foi vivido não pode ser previsto qual teria sido o resultado, isso é impossível. Só vai servir de experiência para tomarmos outras decisões futuras.
Existe uma crença oriental - forte na tradição chinesa e um pouco na japonesa- que é conhecida
como *a lenda do fio vermelho do destino,* que liga pessoas que estão destinadas a se encontrar ou ter algum vínculo importante na vida, dessa forma, independente de qualquer situação e de até prováveis impossibilidades, as pessoas conectadas por esse fio inevitavelmente se encontrarão.
Para os que têm crença em Deus, pode ser Ele quem interliga esses fios invisíveis, quem faz essas conexões, outros podem acreditar ser mero destino, acasos, imprevistos, desencontros… mas o fato é, o que tiver que acontecer vai acontecer e assim ficará realizado, nada será modificado por um “se” em algo que já foi vivido. Mas o exercício que você fez na crônica com várias possibilidades do “se,” é nossa prática e importante em alguns momentos.
Com tudo isso, eu diria que o título da sua crônica poderia ser *”O BILHETE CERTO,”* mesmo que tenha sido por um desvio improvável e nada até aqui foi por equívoco. Assim vamos usar o “se” para possibilidades futuras.
Hayton, amei, que crônica incrível! Estou sem palavras para expressar meus sentimentos ao ler essa crônica. Eu, que tenho por premissa crer que o que acontece nas nossas vidas "está escrito nas estrelas", vem você com essa crônica tão criativa e original e bagunça tudo, expressando de forma tão incrível essa ideia de que tudo é acaso, tudo é produto do caos e de coincidências aleatórias. Incrível, parabéns!
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