quarta-feira, 3 de junho de 2020

Que safadeza é essa?!

Em tempos de reuniões ministeriais cujo palavreado deixaria constrangida a inesquecível atriz Dercy Gonçalves (1907 — 2008), lembrei-me de duas repreensões que recebi por usar termos inaceitáveis para meu pai: sacanagem e merda, vejam só!

Um dia, chateado com um de meus irmãos por conta de uma bobagem qualquer, reclamei: “isso é sacanagem sua!” Meu pai ouviu, me olhou firme e foi direto ao ponto: “nunca mais diga isso, entendeu?” Noutra, apenas repeti o que já ouvira na rua ao criticar um vizinho: “olhe a merda que você fez!” De novo, ele chegou junto e decretou: “se falar isso outra vez, vai apanhar!”.

Lá em casa, sob pena de puxão de orelhas ou croque no cocuruto, o máximo admissível em termos correlatos a palavrões (ou “nomes feios”, no dizer dele) eram: cocô, bunda, pinta, pássaro, “piupiu” ou, no limite, safadeza. E não é bom nem pensar no que aconteceria se um dos filhos de Seu Agostinho pronunciasse um um robusto “taquiupariu!”

Talvez por isso nunca aceitei ser classificado por alguém pelo ultrajante “você é um merda!”. E até hoje não sei o que uma pessoa que achincalha outra dessa forma tem fora da cabeça, porque dentro, eu sei. E não cheira nada bem.

Quando cresci, claro, o repertório de vocábulos impróprios engrossou o caldo, mas só afloravam em situações especiais e em doses terapêuticas, quando era vítima de insulto, ofensa, pisão, queda ou topada. E quando meu time sofria um gol ou perdia um daqueles imperdoáveis. Apenas compreensivas interjeições, diriam meus colegas de verbos e verbas Marcelo Torres e Silas Braga Jr.

Fiz o que pude para não usar palavras peludas de grosso calibre no trabalho e ferir o decoro do ambiente profissional, mas confesso que não foi nada fácil. Evoluí ao conviver com pessoas sensatas que nunca recorriam a termos chulos para se expressarem e minhas recaídas andam cada vez mais raras depois que me aposentei. 

Semana passada, ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, o seu titular disse algumas palavras que me lembraram meu pai: “...A falta de educação produz vidas menos iluminadas, trabalhadores menos produtivos e um número limitado de pessoas capazes de pensar criativamente um país melhor e maior... A educação, mais que tudo, não pode ser capturada pela mediocridade, pela grosseria e por visões pré-iluministas do mundo”. 

O discurso também me remeteu a um episódio que me contaram há muito tempo. Teria ocorrido nos anos 90, envolvendo um ex-presidente do Banco do Brasil. Ao noticiar a nomeação de um diretor, o chefão lhe rasgava elogios numa reunião quando um dos presentes, em tom de pilhéria, comentou baixinho: "dá a ele..." 

Boca-suja incorrigível, o ex-dirigente ouviu e retrucou em cima do laço: "eu como você e ele, seu filho da...". A gargalhada de alguns pode ter desanuviado o ambiente, mas não escondeu o fato de que o estofo da cadeira presidencial era bem maior do que a bunda do ocupante de plantão. 


O mundo corporativo anda repleto de exemplos dessa natureza. É a partir da vulgaridade das relações internas entre seus líderes que grandes empresas perdem o respeito da sociedade. Mais que isso, quando esses líderes, fora das quatro paredes, se acovardam diante de ofensas à instituição que deveriam defender, ela vira manteigueira de pensão de beira de estrada, onde todos metem as mãos e se lambuzam à vontade.

Voltando à reunião ministerial que deve ter enrubescido Dercy Gonçalves, um certo participante — ilustre anônimo até pouco tempo e já despontando para o escrete das mediocridades históricas — não foi claro ao explicar seus objetivos. Disse ele: “O BNDES e a Caixa, que são nossos, a gente faz o que quer. Banco do Brasil a gente não consegue. Então, tem que vender essa porra logo!” 

Perdão, meu pai, mas tenho que perguntar a meus leitores: que safadeza (sacanagem ou merda) é essa?! O que ele quis dizer mesmo com “a gente faz o que quer"? A quem interessa concentrar ainda mais o mercado bancário? A que preço cogita vender a “jóia da Coroa” em meio à grave crise sanitária, política e econômica em que chafurda o País?

Certos palavrões são ditos apenas para esconder nas entrelinhas — com o rabo de fora, claro!  coisas bem mais feias que nos deixam de orelhas em pé. 

39 comentários:

  1. Os palavrões ferem os ouvidos e cheguem rumo ao esquecimentos os atos nocivos ao patrimônio deixam piores rastros. Como a governança do BB impede fazer "o que quer" vender é o melhor remédio.

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  2. Foi muito bom e dei boas risadas. Hoje o palavreado está solto. Mas não gosto também. Somos uma geração que não soltou o verbo.

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  3. ANTONIO CARLOS CAMPOS3 de junho de 2020 07:17

    Quando era garoto, nada constrangia meus pais Minha mãe tinha um vasto repertório de palavrões e não perdia a oportunidade de se exibir. Meu pai já era homem de poucas palavras, mas tinha uma quedinha para a violência. Talvez por isso nunca gostei de violência nem de palavrões. Exceto aqueles libertados naturalmente quando o mindinho encontra um obstáculo mais sólido.
    Mas gostaria mesmo e de saber como o novo Presidente do TSE se manifesta frente a uma boa topada; aquela que chega correr uma aguinha no canto dos olhos.

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  4. Quando fiz o curso ginasial, a partir da 2a. série se lecionava o LATIM, com letras "garrafais". É mesmo. Os tempos mudaram. Reunião do parlamento inglês, Reunião do STF, do parlamento italiano,todas públicas, se vê e ouve cada baixaria...A que hoje tanto se comenta e que se estranha, pois era secreta, só veio a tona porque lá se encontrava Judas. Como sou menos jovem que o escriba, quando em era crianca, em plena 2a guerra, o carão dos meus pais, vinha acompanhado do tapa na boca.

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  5. Quando assisti ao vídeo da tal reunião e ouvi a referida frase do "ilustre anônimo até pouco tempo", na hora imaginei que você não perderia a oportunidade de rebatê-la em uma crônica, tempestivamente, e com o grau de asco que a mesma merece. A crônica deu-nos, em palavras, voz para exprimir o espanto diante de tanta mediocridade praticada no referido evento.

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    1. Se bem recordo, o anônimo ainda teria dito algo como “o BB não é tatu nem cobra...”. Nisso ele tem razão: é competente no que faz e continuará fazendo história.

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  6. A argumentação do estafeta de economia é das mais lamentáveis. Onde deveria haver elogio, ultraje. Onde o reconhecimento, a malhação. Não se pode dizer que ele não conhece a governança do BB. Ele conhece. Mas, como aquele diretor que era só elogios, achou sempre necessário puxar o saco do chefe do abismo. Muito boa a crônica.

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  7. Você tocou num ponto muito interessante, Hayton! Às vezes o palavreado chulo esconde coisas muito mais graves. Vi gente mais indignada com o palavrão do Guedes do que com a ideia de vender na baixa um Banco que tem mais de 200 anos de história, que contribuiu demais para o desenvolvimento nacional e que hoje tem um papel diminuído não por acaso, mas como estratégia do mesmo ministro. Assim como vi gente mais escandalizada com o linguajar do presidente do que com a proposta explícita de armar a população pra enfrentar a bala governadores e prefeitos (tão eleitos quanto ele) porque ele não concorda com a forma como aqueles se conduzem durante a epidemia.
    Me deu uma vontade de xingar alguém como fez o Caio Ribeiro numa transmissão do Sportv ao falar de um árbitro: bananão!

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  8. Belo texto! Cheio das orientações e procedimentos dignos da boa educação Familiar. Em falta na nossa sociedade moderna, que tanto demigre as relações. O agravante jogar ao lixo as instituições.

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  9. Hideraldo Dwight Leitão3 de junho de 2020 08:42

    As pessoas, mais que reproduzir o modelo do opressor, aplaudem-no. Este se sente cada vez mais aprovado. Bem-aventurados aqueles que nunca se renderam à opressão, em todas as empresas e lugares.

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    1. Uma coisa puxa a outra, Dedé.
      Burgos, velho amigo meu, acaba de me contar, em mensagem à parte, que testemunhou um caso bem emblemático nos anos 90, quem sabe envolvendo o mesmo ex-dirigente do BB citado na crônica.
      Reunião de Administradores em Manaus, Cilso Nunes, gerente de Lábrea, escuta a fala do presidente, que se excede nos palavrões e na bronca coletiva sobre todos os presentes, até cair em si e tentar distensionar o ambiente pesadíssimo. Escolhe alguém na plateia e pergunta: "você aí, o moreninho, baixinho, da segunda fila, o que tem a dizer disso tudo?”
      E Cilso, sereno, levanta da cadeira – o que não adiantou muito porque era bem miúdo – e manda ver: “presidente, antes de responder, eu queria dizer que não sou baixinho; sou concentrado. E não sou preto, sou mal iluminado, mas fui bem educado, estudei muito, tanto que hoje sou gerente...”
      Depois da algazarra na plateia, ali começaria de fato a reunião.

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  10. Diferentemente de ti, sou filho de italianos... pessoas que felizmente falavam poucos palavrões, principalmente quando se elogiavam. Quando discutiam, eu era tirado de perto, mas não havia distância que pudesse me privar de ouvir tudo. Mas um detalhe era preponderante: se eu dissesse um palavrão e minha mãe ouvisse, podia contar que a boca iria ficar machucada...rs. Quando às pessoas que dirigem instituições, algumas com quem já tivemos a oportunidade de conviver, concordo com você que o assento da cadeira causa problemas. Parece um foguete que eleva o ego e dá direito de se dizer tudo o que acha bonito pra mostrar que "quem manda aqui sou eu". Enquanto ficarem só nos palavrões, que talvez aprenderam com ênfase, estaremos tranquilos. Pior se resolverem agir de acordo com seus princípios...

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  11. Triste é constatar que, apesar de chocantes, os palavrões foram a parte mais nobre daquela fatídica reunião...

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  12. Taquiupariu! Ficou ótima, meu caro amigo!

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  13. Nossa diferença de 10 anos, como estagiários neste mundo, me faz crer que vivi um período em que o “palavrão” era menos aceito ainda, principalmente se dito próximo “aos mais velhos”. Em casa, se dito perto da minha mãe, enquanto éramos crianças, sabíamos que a reprimenda vinha através de um sonoro “vou passar pimenta na tua boca”. Hoje, se isso se tornasse hábito, faria a festa dos cultivadores de pimentas. Mas com certeza, o palavrão, utilizado em reuniões de trabalho, principalmente pelo “chefe”, é por demais constrangedor. Sei bem o que é isso. Tive como exemplo um excelente profissional, dos homens mais dinâmicos que conheci, mas que constrangia a todos, exceto os bajuladores de plantão, com seu vocabulário de baixo calão (redundância com valor de reforço).
    O assunto me fez lembrar de uma reportagem de 2008, reeditada em 2017 na revista Super Interessante:
    https://www.google.com.br/amp/s/super.abril.com.br/ciencia/a-ciencia-do-palavrao/amp/

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  14. Eu sempre achei que Hayton tinha uma relação de pai e filho com o Banco do Brasil. Conseguia harmonizar sempre o respeito que se devota aos pais e o cuidado que se dedica aos filhos.
    O texto de hoje é maravilhoso, sensacional e educadamente forte. Tem a força de um pai que defende o filho e a recíproca de um filho que defende o pai.

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  15. As safadezas do Hayton
    Ê, mano velho!
    Você, que é um menino – descobri que sou mais velho do que você dez anos – sofreu com o carrancismo de seu Agostinho imagine se seu Severino poupava minhas costas magras! Nasci na beira do Riacho do Navio mas passei dos 4 aos 7 anos homiziado na Paraíba, me escondendo da seca e temente a Deus e à corda de caroá, que me ensinou a não ter a boca porca. Verdade que cometi meus pecadilhos nesse campo mas, diferentemente do Velho Graça, que gostava de palavrão escrito e falado, sou avesso ao calão o que, a meu ver, me impediu de chegar ao Alvorada. Mas não quero pegar carona no sofrimento de Hayton mas na sua “ira santa” na defensão do Banco do Brasil. Aliás, talvez essa ira do meu colega não seja tanto para defender o BB. Não faria então outra coisa na vida, tanto é atacado o Banco. Mas para mostrar o repúdio, o nojo, o asco pela falta de pejo de homens públicos que não respeitam instituições sérias e nem se respeitam a si mesmos. Concordo com o blogueiro por conhece-lo e conhecer o objeto babujado pelo ministro. O Banco foi não apenas o esteio a que me agarrei para viver dignamente e criar com dignidade a família – diga-se de passagem que criei duas famílias que, até hoje, não me botaram uma nódoa. O BB foi, para mim, uma escola. E “antigamente a escola era risonha e franca”. Foi para mim uma pós-graduação da honestidade, da lisura e do sentimento de respeito à pessoa humana que recebi no berço. A instituição que, em detectando algum perigo para os seus servidores era proativo, como o foi durante um surto de meningite ocorrido em priscas eras, orientando, aconselhando, colocando-se e colocando a Cassi à disposição. Se detectava tendência ao deslize no seio de seu corpo funcional alertava para se evitar a “erronia” e em carta-circular determinava “abolir a prática”. E mais e mais e mais, que não cabem nesse desabafo.
    Acho que estou enfeando o blogdohayton. Sorry . Muitos têm o direiro de defender o Banco. Hayton é um dos

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  16. O texto acima é de Antônio Sobrinho, analfabeto digital

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  17. Tenho estado muito triste. Triste com as vidas perdidas pelo coronavírus, pelas famílias enlutadas, pela grosseria dos homens, pelas atitudes dos políticos, pelas decisões e palavrões das autoridades, pelas palavras enganadoras de tantos, pela angústia das pessoas de bem e por ver o belo, o bom, o aprazível, o santo e o saudável sofrerem tantas "cacetadas"!

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  18. Texto bom pra caramba Hayton !
    Também cresci e fui educado sem palavrões. Muito embora em alguns jogos do Vasco meu pai soltava um “desaforo” incontido...
    Eduquei meus 3 filhos da mesma forma. Muito embora, agora é o Fluminense e a política que me fazem soltar uns “desaforos” também. Mas, agora tenho um filho de 11 anos que me repreende assim que acabo de pronunciar os impropérios...
    atitude que jamais ousei ter.
    Essa fatídica reunião tbm despertou uma vontade danada de soltar uns ☠️X#¥£*💀💩👹

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  19. Lá em casa também não podia dizer nomes feios. Apesar da graça do texto, foi bastante oportuno lembrar que o Banco está sob risco e que devemos cuidar para que ele continue tendo o sobrenome do Brasil.

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  20. Sinceramente, Hayton, acho que você entrou por trilhas perigosas ao fugir dos temas que colocava seus leitores dentro da história, como parte dela, e entrar sutilmente no perigoso universo ideológico. Sob meu ponto de vista, é muito mais tolerável os palavrões ditos
    numa reunião, que era para ser secreta,
    do que os tenebrosos conchavos para uma corrupção generalizada e de lesa-pátria.

    No mais, como sempre, você desenvolveu brilhantemente o tema.

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  21. FABRICIO LUCAS DI PACE3 de junho de 2020 21:25

    Excelente reflexão vinda de uma ótima leitura. Parabéns mais uma vez pela crônica e pela analogia

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  22. "Banco do Brasil a gente não consegue. Então, tem que vender essa porra logo!” Esse pequeno e enfático trecho foi responsável pela alta de nada menos que 10% das ações do BB em um dia de pregão após a divulgação do histriônico vídeo.

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    1. Algumas corretoras sempre lucram com essas “inocentes” declarações. Coincidência apenas?

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  23. Lembrei da minha mãe que não permitia que falássemos palavrões sob pena de umas belas palmadas. Dercy deve ter ficado escandalizada mesmo. O Presidente conseguiu superá-la na sacanagem por palavras e inovou por atos.

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  24. As atitudes dos participantes da Reunião demonstraram o que acontece quando
    a Educação e os Bons Princípios, que nossa geração aprendeu e praticou, são relevados.

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  25. Bela crônica! Aprendi que o líder é o espelho para os colaboradores e no BB ainda bem que poucos destoavam de alguns princípios.

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  26. Sem deixar de elogiar o brilhantismo do texto, você perdeu a oportunidade de lançar um palavrãozinho nele.
    De minha parte, acho que o palavrão por exibição não tem qualquer sentido, mas, há situações em que ele é terapêutico, como há!!
    Sou dos que o utilizam recreativa ou terapeuticamente, sempre de forma espontânea, mas confesso que às vezes faço também de maneira provocativa, quando o ambiente é só de amigos. Acontece sempre quando estamos reunidos "etílicamente", em um dos bares da vida, e alguém se apresenta musicalmente de forma a merecer louvor. Quando sinto que os aplausos estão tímidos, embora todos estejam a elogiar, nos papos, o/a artista, lanço o grito de guerra ao iniciar meu aplauso - "bate palma rebanho de sacana". Tem funcionado.
    Na dúvida se o UNKNOWN vai me visitar de novo, aqui é Volney.

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  27. Começo a comentar este belo registro de nosso modelo de gestão, eivado por um estilo personalista e patrimonialista, com esta tua frase, que tanto me tocou: "Manteigueira de pensão de beira de estrada..."
    E é assim que sinto meu país se tornar. Imagine que a maior preocupação do novo secretario da Saúde, lá no Ministério, é recontar o número de mortos da Covid-19. Este sujeito,CEO do Wizard, se não sabe nada de saúde deveria ao menos ficar calado. Imagine que pessoas que vão às ruas defender o fechamento de Instituições são tratadas como manifestantes, com direito até a comícios e sobrevôos presidenciais nos eventos. Já outros, com a pauta de preservar estas Instituições e a Democracia, são tratados como marginais, com direito a botar a polícia no encalço deles. Querido amigo, olho para as manchetes e digo. Que porra é esta em que se transformou o Brasil? Acho que a Manteigueira mudou de lugar, indo pra cozinha de cabaré. E o que se dirá de tirar dinheiro do Bolsa Família para injetar na Comunicação Governamental? É ou não é Manteigueira de Cabaré?

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  28. Hayton, é por isso que eu sempre acreditei que a educação vem de berço, e infelizmente, estamos num ciclo vicioso, não se investe em educação básica de qualidade, logo formamos gerações que assistem os "exemplos" citados e assim vai..

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  29. Excelente e oportuno texto, Hayton.
    Abraços, Lima Neto

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  30. As críticas ainda que duras, são ingredientes da democracia e do direito à diversidade de pensamento. É opção do cidadão se manifestar sobre quaisquer atos de instâncias governamentais que considerar inadequados. Por outro lado, se esquecem os governos de que não são donos de nada, exceto autorização transitória para melhor conduzir o bem comum, se assim o for. Não sendo, estarão conquistando descrédito, desconfiança e protesto das pessoas coerentes até sua exaustão e o findar vergonhoso de que não serve ao povo e ao País.

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  31. Meu estimado Hayton é triste em verificar que uma reunião presidida pelo Presidente e seus Ministros os tons e os conteúdos São desnerecedores de aplausos. Aprendi no BB, a participar e conduzir reuniões com agenda programada, com objetividade e celeridade, onde sempre havia uma condução competente. Todas as reuniões com atas lidas e aprovadas. Cito o Érico Furtado e, após você. Reuniões produtivas e objetivas. No que se refere aos dizeres do Ministro da Economia fico pensando se está pessoa infeliz teve um Pai? Uma mãe? Uma família? A resposta vem destas indagações, pois nem todos são abençoados como você, eu e o Érico Furtado.

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  32. Ri muito lendo essa crônica. Lembrei-me de que na minha infância palavrões não entravam na nossa rotina. Até hoje aqui em casa, quando alguém solta algum impropério é motivo para reclamação. Mas às vezes um se faz necessário para fortalecer uma ira momentânea hahaha

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  33. Isso fez-me lembrar o saudoso e insuperável Millôr Fernandes. Mestre do humor, das palavras e das traduções, sabia, como poucos, domar a Última Flor do Lácio bilaquiana, inculta e bela, despertando o leitor para verdades escondidas nos textos e na vida, somente demonstráveis pelos "prestímanos" das letras. Em "Palavrinhas e Palavrões", de 2004, Millôr, como lhe soia, com humor, fina ironia, autoridade e propriedade, destroçou argumentos de O Globo, de pudicícia tão falsa quanto, hoje, uma nota de três reais. O periódico, à época dos fatos narrados por Millôr, era alinhado, em vasta medida, com a ditadura e, por conseguinte, com os censores. Uma pena que o sítio dedicado ao Millôr não tenha sobrevivido aos poucos quase dois lustros de sua morte. Enquanto isso, segue a oligofrenia, solta como nunca, Brasil e mundo afora, "devorando árvores, pensamentos, seguindo a linha" [...] e "devastando a sede" dos matagais da ignorância e das trevas. Perverto, por fim, o "brocardo" do Simão, para declarar que hoje e amanhã também, que já pinguei meu colírio alucinógeno, pois a quimera é melhor que a realidade!

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