quinta-feira, 16 de maio de 2019

Memória de minhas surras tristes


Apanhar de cinturão tornou-se uma experiência inesquecível para mim. Não apenas pela dor física, mas porque nenhum de meus irmãos apanhava tanto quanto eu e isso abalava a confiança que deveria haver em quem me batia.

Não se falava em "bullying" no Sertão da Paraíba nos anos 60. Se muito, em menino buliçoso, danado. Meu passatempo favorito naquela época, não nego, era torrar a paciência dos irmãos mais novos com apelidos, caretas  e cutucadas nos redemoinhos de cabelo do topo da cabeça deles. Por isso, imagino, apanhava tanto.

Não devia ser fácil para meus pais, sobretudo aos sábados e domingos e durante as férias escolares, manter o sossego numa casa com sete filhos entediados (os últimos nasceriam em Alagoas), todos com menos de 10 anos, a arengar do jardim ao quintal disputando brinquedos, a abrir e fechar a geladeira ou o filtro d'água na cozinha.

Levei tantas surras que aprendi a retaliar com pequenas maldades. Na única vez em que testemunhei uma discussão mais áspera entre meus pais, havia experimentado mais uma, logo cedo, por um motivo besta qualquer. À noite, antes de dormir, minha mãe costumava checar se estava tudo em ordem nas redes em que os filhos dormiam. Ao vê-la entrar no quarto, arranquei a casca de uma ferida antiga, o suficiente para brotar um filete de sangue no joelho e tingir de encarnado o lençol.
– Acorde, meu filho, o que é isso? – alarmou minha mãe.
– Foi a fivela do cinturão de papai.  – respondi, descaradamente fingindo dor e sono.
O coitado ainda tentou argumentar que não era doido a ponto de bater no filho com a fivela, mas, em voz alta, ela disse por mim tudo aquilo que eu não ousaria dizer, sob pena de mais uma pisa memorável.

Já havia sido castigado uma vez por conta de minha curiosidade sexista. Aos cinco anos, no Jardim da Infância do Colégio Cristo Rei, em Patos(PB), não sabia se freira era homem ou mulher. Irmã Priscila não pintava unhas, não usava batom como minha mãe, nem tampouco se tinha ideia do tamanho de seus cabelos. Resolvi tirar a dúvida lhe puxando o véu e minha saliência foi devidamente punida quando cheguei em casa. 

Outra surra inesquecível aconteceu numa manhã de domingo. Ao tentar escapar para não levar mais chibatadas, pisei de propósito dentro da lata de lavagem – sobras de comida estocadas ao ar livre, no quintal, para alimentar os porcos de uma vizinha – e corri para a sala de jantar, lambuzado tudo, para desespero de minha mãe que acabara de limpar o chão. E ainda existe quem duvide se crianças conhecem estratégias de manipulação psicológica.

Como a crônica de mais uma surra anunciada, ficaram na memória algumas sentenças:
– Vou contar pro seu pai quando ele chegar do trabalho, ouviu?
– Se correr vai apanhar mais, cabra safado!
– Não quero escutar nem mais um pio, ouviu?
– Se apanhar na rua dos moleques, vai apanhar de novo em casa!

Eu me perguntava até virar adulto: por que meu pai, cidadão de bem, amante de livros, cinema e música, que nunca sofrera um beliscão ou puxão de orelhas sequer de Tio Enoch – irmão mais velho com quem morava em Caxias(MA) –, recorria a cinturão de couro para "educar" os filhos? Logo ele, meu primeiro ídolo, referencia em quem me espelharia pro resto da vida! 

Não chegamos a conversar sobre o assunto depois que cresci. Morreu antes. Jurei a mim mesmo que faria diferente quando chegassem os meus filhos: nem palmadas na bunda. Parece que deu certo.

Se ele soubesse dos "pequenos saques" que eu fazia na bolsa de minha mãe para poder ajudar na compra de camisetas e bolas dos times da Rua Bossuet Wanderley, em Patos(PB), por exigência dos moleques mais velhos da vizinhança, aí sim é que teria motivos de sobra para umas boas lapadas no meu espinhaço. Não sabia.

Também não sabia dos banhos e das pescarias na “Ilhota” e na “Terra Cavada”, no Rio Mundaú, em União dos Palmares (AL), quando acabei "íntimo" da ancilostomíase (amarelão) e da esquistossomose (barriga d’agua, doença do caramujo). Se soubesse, é provável que o couro de minhas costas ficasse bem mais curtido.

De tudo restou a certeza de que a maior parte das surras que levei aconteceu por motivos banais, sem maior gravidade. Meu pai nunca soube dos mais sérios, inconfessáveis e obscenos. 

Mas não conseguiu da última vez que tentou. Em 1971, com quase 13 anos,  no primeiro golpe eu segurei firme na outra extremidade do cinturão e o puxei com força. Ao perceber que o filho já era taludo o bastante para não mais apanhar, desistiu.

Após a sua morte, um ano depois, virei adolescente impulsivo e sonhador, porém embrutecido e irascível. Nunca cogitei experimentar drogas, mas passei a fumar cigarros e a beber até cachaça com os amigos da Gruta de Lourdes, bairro em que morava, em Maceió(AL).

Quando jogava futebol, se em qualquer disputa levasse uma pancada ou me sentisse ameaçado, reagia, de forma desproporcional, a chutes e murros. Arrepender-se em seguida não me impedia de repetir a dose no próximo racha, só violência onde deveria haver apenas diversão e prazer.

Era tão atormentado que certa noite – Carnaval de 1975, no Iate Club Pajuçara, aos 17 anos –, depois de uns goles de cerveja, apavorei a namorada ao lhe dizer que iria procurar confusão. Saí esbarrando em um e outro até o tempo fechar e alguém partir para o revide me arremessando um copo com gelo. 

Se o mundo fosse justo, na melhor das hipóteses eu deveria ter sido expulso do clube naquela madrugada. Não fui porque, de forma autoritária e cretina, me identifiquei aos agentes de segurança na base do “você sabe com quem está falando?”:
– "Peraí, pô"! eu sou funcionário do Banco do Brasil!

E a estupidez em carne e osso quase joga no lixo o pouco que havia conseguido na vida até ali, ao usar em vão o nome da empresa que lhe acolhera como Menor Aprendiz havia nove meses. Quanto ao rapaz que ao jogar o copo com gelo apenas revidara uma agressão gratuita e imbecil, acabou retirado à força do clube. 

A poeira só tomou assento entre 1976 e 1977, quando me tornei estudante de Economia, funcionário de carreira do Banco do Brasil, marido e pai. Cansados, os bichos que me atormentavam caíram em sono profundo. Ainda bem.

Como um rio no rumo do mar, a vida seguiu adiante. Se hoje meu pai aparecesse na porta de minha casa, quem sabe me diria:
– Lembra quando eu lhe batia de cinturão? Me perdoa! Você não tinha culpa de nada do que se passava comigo.
– Faz tanto tempo, pai. Já esqueci. Senta e vamos tomar um vinho. Daqui a pouco seus bisnetos chegam por aqui...

61 comentários:

  1. Quantas histórias, hein Jurema!?
    Mas uma coisa pareceu certa: seu pai poderia até não saber porque estava lhe batendo, mas você, com certeza, sabia porque estava apanhando, não!?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É quase sempre assim, Avelar.

      Excluir
    2. Taí uma crônica merecedora de aplausos, e jamais de surra. Abraço do Sidney.

      Excluir
  2. Desta vez, vou me abster de comentários. Bem lembro de como " bulia" com todos os irmãos, e não só com os mais novos como diz. Todos os filhos apanharam, proporcionalmente às "ousadias", numa época em que criança tinha que ser " caladinha" e bem comportada.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Para inquietos como eu e você, era preferível croque ou beliscão a ter que ficar "de castigo" meia hora sentado num canto de sala.

      Excluir
  3. Depois de ler essa narrativa vejo que apanhei menos que merecia.

    ResponderExcluir
  4. Surras de cinturão, algumas até de fio de ferro, fizeram parte de minha infância. Todas, sem exceção, justificadas por peraltices ou comportamentos inadequados, mas que contribuíram para a minha formação pessoal e profissional!

    ResponderExcluir
  5. De meu pai recordo-me de ter levado, uma única vez, um croque. De minha mãe, surras quase diárias e com os mais diferentes instrumentos: cintos, fios, cabo de vassoura, pau de lenha e até um cinzeiro de madeira na testa. Minha mãe havia "herdado" o comportamento neurótico de minha avó. E eu pagava, merecidamente ou não. Tanto que me ficou impresso e também agi assim, desgraçadamente. Mas, quando hoje olho para trás pelo que apanhei, só enxergo as coisas boas. Pelo que bati, remorso e arrependimento. Talvez por conta disso controlo meus sentimentos marcantes de impaciência e intolerância. Os tempos são outros, precisam ser outros.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pro "remorso e arrependimento" a que você se refere no final de seu comentário, nada que uma taça de vinho não resolva. Pelo menos enquanto estamos vivos, meu amigo Braulino.

      Excluir
  6. Parabéns estimado amigo Hayton. Excelente crônica. Abraços.

    ResponderExcluir
  7. Respostas
    1. E mesmo assim virei um cunhado manso e atencioso, não é mesmo João? A vida como ela é.

      Excluir
  8. Engraçada no início e nostálgica ao final... Só sabe a falta que faz um Pai quem não o tem mais presente fisicamente. Fica o: - Como seria se ele estivesse aqui.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ô Susynha ... Agora você foi ao ponto crucial!! Aposto que todos esses que dizem ter apanhado dos pais, têm certeza de que eram merecedores daqueles " corretivos ". O que dói mesmo é a ausência de um pai ou de uma mãe !!!

      Excluir
  9. é, meu amigo... acho que as sagas são sempre as mesmas... as circunstâncias outras. Nunca fui briguento, mas arteiro... e o cinturão, ou a terrível vara de marmelo, comiam solto... mas acho que foi trabalho de lanterneiro... desentortou...rsrs.

    ResponderExcluir
  10. Que surpresa (mais uma!), meu amigo!
    Eu poderia jurar que o Hayton criança teria sido o “projeto” fiel do adulto exemplar que conheci, já nessa condição.
    Mas, enfim, criança é criança, em quaisquer época e lugar. E o tempo se encarrega de nos endireitar - ou, pelo menos, sempre nos dá nova chance.
    Continue “documentando” sua história!

    ResponderExcluir
  11. Rapaz, perto de você eu era uma criança santa, rs. E olha que também apanhei bastante, mas sempre por um único motivo: brigas com meu irmão mais novo (que veio a falecer anos mais em um acidente de moto). Nossos pais não tinham culpa, também foram educados assim. Ainda bem que decidimos interromper esse ciclo com os nossos. Contudo, mesmo em uma sociedade que não apanhou dos pais, assistimos a um recrudescimento da violência sem precedentes... Entre tantas razões sociais e econômicas pra isso, vai saber se a falta de palmadas e chineladas na infância também não é um dos motivos...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Rodrigo, mas não consigo descrever esse tipo de "educação" sem "aspear" o termo. No inicio do século passado já existiam pais que não precisavam bater de forma alguma para formar pessoas do bem.

      Excluir
  12. ..Hayton, bela história, muito bonito estas memórias, aliás, tenho as lido sempre. Quem escreve é Edson Bezerra, e, no aguardo de algum retorno teu. No mais, abraços fraternos....

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Édson. Nem sempre percebo de quem é a "caligrafia" quando o comentário aparece postado como de "Unknown". (rsrs)

      Excluir
  13. 👏👏👏como sempre voltamos no tempo com suas memorias

    ResponderExcluir
  14. Como sempre, uma crônica muito bem escrita e de leitura agradável. Parabéns Tio Hayton.

    ResponderExcluir
  15. Taí uma crônica merecedora de aplaudos, e jamais de surra. Abraço do Sidney.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo plenamente com você, meu amigo poeta! Foi Saramago quem disse numa entrevista, no final dos anos 80: “Quero é recuperar, saber, reinventar a criança que eu fui. Pode parecer uma coisa um pouco tonta... um senhor nesta idade estar a pensar na criança que foi. Mas eu acho que o pai da pessoa que eu sou é essa criança que eu fui. Há o pai biológico e a mãe biológica, mas eu diria que o pai espiritual do homem que sou é a criança que fui”.

      Excluir
    2. Hayton, há um verso sutil e singelo do poeta inglês Wordsworth que diz assim: "A criança é o pai do homem". E é mesmo.

      Excluir
  16. Que bom que gastou toda a ansiedade em criança e na adolescência, sobrando para o estado-homem a tranquilidade e a paz

    ResponderExcluir
  17. Essa crônica merece se transformar em um conto. Muitos fatos e elementos, descritos num realismo que não vi tão nítido nas outras. Só não sei ainda se vou divulgar... depõe muito contra você!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Os "crimes" já foram prescritos, Diniz! Ja fiz por merecer progressão de pena. Digo melhor, já fui indultado e nem precisei recorrer aos tribunais superiores.

      Excluir
    2. Como alguém comentou, o personagem da crônica não combina com a pessoa calma e sensível em que você se transformou. Será que foi por causa ou apesar das surras?!

      Excluir
  18. Às vezes (na verdade, muitas vezes), as palavras faltam para comentar suas crônicas. Textos sempre ricos em conteúdo.
    Não imaginava tantas coisas que venho descobrindo aqui.
    Não passei em branco de uma "pisa" bem dada pelo velho Lica. Só lembro dessa, mas foi suficiente para ser inesquecível. Porém, também queria uma taça de vinho brincando com os netos no tapete da sala de estar.
    Beijos, tio querido!

    ResponderExcluir
  19. "In vino, veritas" (No vinho, a verdade), diziam os mais antigos. Uma das sensações mais agradáveis ao ser humano é quando aprende a perdoar. Vem de Deus essas coisas, "Feijãozinho".

    ResponderExcluir
  20. Penso que temos mais coisas em comum do que "nossa vã filosifia", amigo.

    Tbm fui educado assim, com carinhos elevados na menos um.

    Principalmente por minha mãe, D. Edy. Nunca me fizeram mal as surras quase diárias que dela levei.

    Já com meu pai era diferente. Minha mãe pedia a ele pra "bater só da cintura pra baixo". Ele ouvia "da cabeça..." e eu me lascava (O velho era forte cumazorra !).

    Não me lembro do mérito, se merecia ou não os corretivos maternos diários, alguns com "replay" na mesma tarde. Penso que boa coisa eu não era. Mas nada comparável ao que hoje vemos por aí.

    De toda sorte valeu. Nunca "dei pra ruim". Aliás NEM PRA BOM ! kkkk

    Certamente hoje somos a somatória de tudo o que vivemos, das surras que apanhamos às graças que nos foram consentidas alcançar.

    E viva D. Edy, minha mãe, que se foi há doze anos. Saudade enorme...

    Se nossas mães se conhecessem das duas uma: ou não apanhariamos tanto OU IRIA FALTAR COURO em nossos lombos !!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Talvez nem tanto, Nasser. Se nossas mães se conhecessem, "bater só da cintura pra baixo", como você narrou. O couro lombar estaria preservado. Mas as canelas, bem mais grossas...

      Excluir
  21. Perdoar não é esquecer nem justificar. Tenho a utopia de um mundo sem violência e acho que devemos sempre usar os sonhos como as estrelas, para guiar, não para alcançar. Sinto muito pelo que você passou. Que bom que você criou seus filhos com amor e verdade.

    ResponderExcluir
  22. Isso mesmo, Dedé. Hoje, quando vez por outra me vanglorio do "nem palmadas na bunda", em tom comparativo, meus filhos me olham, cobertos de razão, com aquela cara de "e podia ser diferente?".

    ResponderExcluir
  23. Quanta história, saudade, nostalgia...teu texto mostra bem tua alma meu querido amigo.

    ResponderExcluir
  24. Difícil é acreditar, que vc fosse tão traquino.

    ResponderExcluir
  25. Achei hilário e quase inacreditável!! Nunca pensei que você fosse "menino danado".

    ResponderExcluir
  26. Quem é que sabe os bichos que povoam nossa alma? São coisas que só a gente sabe. Tem uma coisa que você não escreveu, mas que, tenho certeza, povoam os pensamentos das crianças que apanham dos pais: "deixa ele/ela ficar velho...aí, sim, eu eque vou bater nele/nela. Ainda bem que esses bichos vão embora6e ficam os sonhos e saudades. Que texto e confissões lindos.

    ResponderExcluir
  27. Nossa! Que crônica! Você cada vez se superando! Texto realista! No final, você iria reconhecer o que já estava acontecendo com meu tio Agostinho e o perdoaria pelas surras. Grande caráter o teu que pode até mostrar uma certa mágoa mas que o perdão aconteceu! Parabéns, Deus te compensará pelas palavras aqui escritas de forma tão humana.

    ResponderExcluir
  28. Hayton, mais uma bela história, que me remete à minha infância. Também apanhei quando criança, creio que não tanto quanto você, mas apanhei! Felizmente, fomos capazes de romper com essa "tradição", educando nossos filhos de outra maneira. Mas, apesar das surras, o amor e a saudade são enormes! E no final das contas, não fica nenhum rancor, só saudade mesmo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Isso mesmo, Heloísa! Parafraseando Quintana, "...se me fosse dada outra oportunidade eu jogaria pelo caminho a casca inútil das horas" em que fiz os outros (pais e irmãos) sofrerem e chorei as consequências.

      Excluir
  29. Comovente! Creio que pais que batem sofrem mais no coração que os filhos na pele. A solução é simples: não bater, não sofrer, não fazer sofrer!

    ResponderExcluir
  30. Mais uma vez o final foi surpreendente. Apesar de já ter ouvido alguns fragmentos, lendo agora tudo se ilumina. Parabéns e obrigado.
    Quem sabe em outro plano tenhamos a oportunidade de perdoar e ser perdoado.

    ResponderExcluir
  31. Caro Amigo, a leveza da sua escrita, agrada muito. Já deixou meu início de Domingo bem melhor, já que optei por ficar em casa. Diz que, os corretivos recebidos, o levou a decidir não aplicá-los aos seus ótimos filhos - E você é um sucesso como Pai- Então, sinto que, de uma foma ou de outra,o tempero mais importante nessa saga de "Pai Educador", é o Amor. És a prova disso.
    Abração!!!
    continue com essa tarefa tão bela.

    ResponderExcluir
  32. Essa narrativa me é bastante familiar. Lembro que um dia tive que vestir umas três calças e umas cinco camisas pra aguentar tbm uma surra de cinto. Lá em casa apanhava porque comia sabão e apanhava pra saber que sabão não se come.

    ResponderExcluir
  33. Grande Hayton, Não conhecia este seu lado de menino arteiro (apronta arte e travessuras). Admirei sua coragem de compartilhar as travessuras conosco. Abraço.

    ResponderExcluir
  34. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  35. De minha parte, sempre fui rápido na corrida e, quando meu pai tirava o cinto da calça, eu já ia longe. Por isso, não lembro de ter levado nenhuma pisa (fazia tempo que não via essa palavrinha).

    ResponderExcluir
  36. Quer dizer que esse meu amigo já foi um "cabrinha safadinho"... 😂😂😂

    ResponderExcluir
  37. Quando escrevi que "meu pai nunca soube dos mais sérios, inconfessáveis e obscenos" motivos que teria para me "educar", noutras palavras quis dizer que ele poderia não saber porque me batia, mas eu desconfiava porque estava apanhando. Como escapei e "virei" gente... milagres acontecem! rsrsrs

    ResponderExcluir
  38. Que narrativa fantástica, Belo Texto, que reproduz amor, vida como ela é. Traz a mente uma grande viagem no tempo.

    ResponderExcluir
  39. O modelo pedagógico utilizado para educação de crianças e adolescentes em meados do século passado, inclusive nas escolas públicas e privadas, certamente representaria, nos dias atuais, grave atentado ao Estatuto da Criança e do Adolescente, inclusive passível de penalidade legal, consoante preconiza o Artigo 13 da Lei 8069/90, adiante descrito:
    'Art.13 - Os casos de suspeita ou confirmação de castigo físico, de tratamento cruel ou degradante e de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais (Redação dada pela Lei 13.010, de 2014).'
    O difícil é imaginar a existência, à época de ocorrência dos fatos relatados, de instrumento mais eficaz que uma boa surra - de cinturão, cia de máquina ou cipó de goiabeira - para ensinar aos filhos regras básicas de bom comportamento, disciplina e respeito aos mais velhos, em especial quando se trata de uma família domiciliada no interior da Paraíba.
    Considerando ainda que o protagonista da história - filho homem mais velho de uma família constituída de nove filhos - sempre exerceu forte liderança sobre as crianças do bairro, inclusive tendo sido eleito prefeito da rua aos sete anos de idade, é possível deduzir tratar-se de uma criança hiperativa, carismática e de caoacidade criativa muito acima da média.
    Exageros à parte, no que diz respeito à periodicidade dos corretivos, o fato é que os princípios educacionais aplicados ao presente caso funcionou e o velho Agostinho Torres da Rocha, onde quer que se encontre, certamente estará muito orgulhoso do homem em que se transformou aquela criança danada, sapeca, travessa, arteira, levada...
    Agostinho Torres da Rocha Filho

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo com você primo Agostinho Filho, tenho certeza de que seu pai, primo do meu pai Fernando Tôrres,de Colinas (Ma), certamente estará feliz em saber que homens fez ele em relação aos filhos e filhas, e isto é belo. Recentemente, lancei o livro sobre a Família Tôrres, se interessar, meu contato é (98)989203982.

      Um abraço, primo e demais familiares

      Excluir
  40. Tenho certeza que seu pai está olhando por você e seus irmãos e orgulhoso pelo como o filho cresceu e levou a vida e como tornou um pai, marido, avó maravilhoso. Sinto em saber que partiu tão cedo. As surras, merecidas ou não, talvez era o que ele achava certo no momento em fazer e tenha se arrependido tb. Eu levei umas chineladas de painho também mas não tenho coragem de fazer no Lucas. Hoje eu e minhas irmãs sorrimos lembrando das “surras”. A memória controversial terminou que ficou uma boa memória e não nos gerou traumas.

    ResponderExcluir
  41. Primo Hayton, parabéns pelas excelentes crônicas tão reais e cheias de vigor que você as escreve muito bem. Desde que tia Cristina me repassou seu blog, já fui me tornando sua leitora assídua. Um abraço

    ResponderExcluir
  42. Primo Hayton, o bom de ler suas crônicas, é que nos remete à nossa infância, e às surras, pelos motivos semelhantes em alguns momentos. Mas disso tudo nos resta dizer aos nossos pais: "Valeu, papai e mamãe".

    ResponderExcluir
  43. Boa, Nena!Melhor comentário até agora!!!

    ResponderExcluir
  44. Esse texto me fez lembrar das minhas surras na infância, praticamente uma a cada 3 dias, certo que eu era bem atacado. Fui criado por minha tia, irmã da minha mãe era uma mulher amorosa, mas quando tinha que corrigir não pensava 2 vezes. Apanhei de cinta, de vara, de chinelo pelado no banho, ate com aqueles elásticos de amarrar as coisas na bicicleta,isso eu com uns 10 anos estava desprevinido so de cueca, doeu um absurdo mais do que todas a pele fica marcada por um tempão uma dor absurda.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, como eu te entendo! Eu também era terrível, difícil a semana que eu não apanhava. Minha mãe também gostava muito do chinelo e da cinta, e eu sempre apanhava pelado! Dormia com a bunda quente toda semana. Mas eu sei que merecia. Hoje eu cuido de alguns primos, e às vezes dou umas chineladas também, quando necessário. Se você quiser conversar um pouco sobre isso, e relatar as histórias, mande mensagem no meu e-mail miguel.angel1212@mail.ru
      Quem quiser dicas, ou falar sobre o assunto fique a vontade.

      Excluir
    2. Apanhar pelado é pior surra queimar muito

      Excluir