quarta-feira, 19 de junho de 2024

O dever de tentar

Aos 85 anos, uma querida amiga minha decidiu renovar a CNH para adquirir um novo carro. Ela pretende retomar as rédeas de sua vida: ir à praia, à igreja, ao supermercado, à farmácia, ao salão de beleza e aos bailinhos da penúltima idade, sem depender de ninguém.


Viúva, ela já não divide sua intimidade nem com as filhas descasadas. Mora sozinha, cuida da própria alimentação, assiste TV, reza e navega nas redes sociais. Temendo quedas, largou as caminhadas ao entardecer, aderindo à prática do pilates.  

 


Ela acredita que poderá contribuir bem mais para a economia de consumo, pois entrará no círculo virtuoso em que um bem durável não só gera lucro a quem o produz, mas também redistribui renda, desde grandes industriais até os guardadores de rua.


Alega também que apoiará vários segmentos produtivos, desde a indústria automobilística até petroquímicas, refinarias, destilarias de álcool, postos de combustíveis, fábricas de centrais multimídias, painéis digitais, couros, plásticos, pneus, rastreadores, tintas, lojas de autopeças e oficinas mecânicas.

 

Sua contribuição ainda alcançará fornecedores de bens e serviços a supermercados, passando pelos fabricantes de artigos cosméticos usados por sua cabeleireira, até o pessoal envolvido nos bailinhos das matinês de domingo (maître, barman, cozinheiro, garçons, músicos e dançarinos, entre outros).

 

Não esquece nem dos agentes de trânsito. No mínimo, aumentarão a arrecadação pública com multas por estacionamento de maneira inadequada, direção sem documentos de porte obrigatório e avanço de semáforos vermelhos. Se forem desonestos, optarão pelo “confisco privado”, certamente menos voraz, cujo resultado, de qualquer modo, retornará aos supermercados.

 

Por pouco a criatura não me convence! De tanto ver telejornal, parece jornalista cavando uma boquinha num ministério da área econômica. Me fez recordar do tempo em que, com quatro omeletes de carne moída e as sobras recicladas de arroz, feijão e farofa, superava o desafio de alimentar sua numerosa família na véspera do pagamento do salário do provedor geral, quando a geladeira exibia sintomas de falência de múltiplas gavetas.

 

Mas ela sabe que tudo depende da renovação da CNH. E que não há restrição legal ou regulamentar por idade, apenas por condições físicas e psicológicas, para garantir a segurança de quem está dirigindo ou, sobretudo, de terceiros desavisados que cruzarem seu caminho.

 

O entusiasmo é tão grande que eu não quero quebrar o encanto da exposição macroeconômica de motivos. Embora, confesso, me ocorra procurar o Detran munido de um relatório médico recomendando a suspensão do seu direito de dirigir. Pressentimento é coisa séria.

 

Seria traumático, entretanto. Então, resolvi conversar:

– Vale a pena a senhora enfrentar de novo o inferno do trânsito?

– Claro! Só saio de casa nos horários menos movimentados...

– Já pensou se levar outra fechada de ônibus daquela que teve que subir a calçada? E se atropela alguém? O que vai ser dos filhos desse infeliz?

– Vire esta boca pra lá! Você já viu um raio cair duas vezes no mesmo canto?

– E se derruba um motoqueiro no asfalto, sem capacete, de bermudas e descalço? É encrenca pro resto da vida, tá sabendo?!

– Meu filho, relaxe! Quem tem medo de fazer cocô, não come nem bolacha Maria!

 

Torço para que o perito do Detran perceba certa desatenção (ou que os reflexos já não são os mesmos) durante o exame de renovação da CNH, porém os próprios filhos concordam que o desfecho mexerá com sentimentos como felicidade, frustração ou tristeza. Para ela, dirigir sempre foi sinônimo de independência, e perder isso não é fácil, especialmente para alguém ainda ativa e lúcida, inclusive dançando arrasta-pé, baião, forró e xaxado nesta época do ano. 

 

Não me perguntem como, mas ela conseguiu a renovação da CNH. Nada mais me surpreende quanto à capacidade de persuasão dessa matriarca determinada, firme como uma baraúna. 


Mesmo assim, os filhos se reuniram para discutir como fazê-la desistir da compra. Então um deles se encarregou de comunicar a opinião unânime da família, inclusive de alguns bisnetos adolescentes:

– Quando a senhora precisar sair, combine com um dos 8 filhos ou 20 e tantos netos. Não é possível que não tenha ninguém disponível.

– E se for emergência?

– Chame um “Uber”. É menos arriscado.

– Você tá me achando com cara de rapariga pra ficar na calçada esperando um carro com o celular na mão?

 

E deu aquela rabissaca, gesto de desprezo bem nordestino, com direito a virada brusca do corpo, lábios cerrados e sacudidas da cabeça. 

 

Tentar ela tentou, mas acabou desistindo da compra porque, em geral, o mercado considera o limite de 70 anos para financiamento de veículos. Ficou triste, é verdade, mas só até ouvir um sanfoneiro cantar assim (referia-se ao carro, certamente!): "Eu não preciso de você/O mundo é grande e o destino me espera/Não é você quem vai me dar na primavera/As flores lindas que sonhei no meu verão...". 


Ainda bem. Pena que a economia brasileira jamais saberá o quanto deixou de faturar sem minha querida amiga circulando ao volante pelas ruas. 

54 comentários:

  1. Que maravilha de mãe querida, abençoada por Deus, nessa idade com tanta determinação e saúde ( física e financeira) tão necessárias para uma vida independente, parabéns D. Baraúna, todos nós queremos chegar aos 85 anos, cantando “ "Eu não preciso de você/O mundo é grande e o destino me espera/Não é você quem vai me dar na primavera/As flores lindas que sonhei no meu verão...".

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  2. Sensacional! Que bênção, meu amigo, uma mãezona dessa.

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  3. Não estou muito longe nem muito perto dos 85, mas comecei a pensar qual seria meu limite pra ter e usar a CNH.
    Lembrei do meu pai quando dirigia aos 70 já com deficiência nos reflexos.

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  4. Um exemplo inspirador. Na família também tenho uma referência: meu sogro. Renovou a CNH dele aos noventa anos. Certo
    Que teve pouco proveito, pois faleceu aos noventa e dois. Mas nunca deixou de dirigir, nunca perdeu as rédeas da vida dele . E não era ruim motorista, porque foi caminhoneiro a vida toda.

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  5. Delícia de crônica! Quem não quer ter alguém assim na família?
    Lembro de um parente próximo, que reportou como uma das maiores dores da sua vida a decisão dos filhos de vender o carro dele.
    Afinal, aos 88 anos, ele só dava uma esbarradinha aqui e outra acolá, nos estacionamentos e meio-fios.
    Quando atingia carros de terceiros, sempre deixava um bilhete no pára-brisa pedindo desculpas pelo transtorno, informava seu telefone e garantia que pagaria o conserto.
    Até o fim da vida não entendeu porque lhe tiraram o “brinquedo” que ele traduzia como “autonomia”!

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    1. Lembra-se de Luiz Viegas da Mota Lima? Colega nosso lá da AAFBB Rio? Pois já nos quase 90 ia dirigindo seu carro pelas ruas do Rio até à sede da AAFBB lá no Centro

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  6. A história é fantástica. Pena que o final foi triste. Independência e autonomia nesta idade, é muito importante,apesar de ser preocupante para a família. Lembra de tia Odete?
    Aos 99 morava só ...a cara da independência. Kkk

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    1. Claro que me lembro dela, Silvia, uma figura rara que soube como ninguém envelhecer com dignidade, bom humor e autonomia. Tia Odete me encantava até na forma como curtia uma tulipa de chope!

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  7. Dirigir um carro é meio que dirigir a própria vida. Convivo com uma mãe de 87 e uma sogra de 96 anos e nenhuma delas dirigiu qualquer veículo na vida. Eu ando de carro desde os 18 anos e fico aflita só de pensar em parar. Me faz sofrer por antecipação com as limitações vindouras e a dependência que isso trará. Marina.

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  8. Que alegria a vitalidade e independência de sua linda mãe e que delícia essa crônica. Parabéns pra toda a família o merecimento da presença forte e marcante dessa fantástica matriarca.

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  9. Eu sempre tive muito orgulho em ver minha mãe dirigindo, pois não eram muitas as mulheres que dirigiam quando eu era pequeno. Pra mim representavam autonomia e poder. Hoje, graças a Deus com saúde, em seus 85 anos ela não se anima em dirigir, mas eu iria adorar a ideia. Dedé Dwight

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  10. Ademar Rafael Ferreira19 de junho de 2024 às 06:47

    Reconhecer limites é sabedoria, ser escravo deles é covardia e ampliá-los é ousadia. Uma história bem contada, serve de exemplo para os acomodados.

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  11. Parabéns por mais uma bela história dessa senhora guerreira!
    "Quem é você pra derramar o munguzá dela" kkkk

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  12. Quão bom é buscar a liberdade e independência. Decerto, ela não gosta de incomodar as pessoas. Já que a vida é passageira, uma grande MULHER, conduzindo o próprio destino. Fico imaginando qual seria o melhor argumento para que ela adquirisse um seguro para o seu automóvel.

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  13. Excepcional pegar carona logo cedo com mais uma crônica leve e bem humorada. Essa matriarca merece de filhos e netos uma vaquinha para ganhar o carro.

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  14. A leitura me fez lembrar da minha mãe, que até o final da sua vida fez questão de manter sua independência, duramente conquistada ao longo da vida. Parabéns pelo lindo texto.

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  15. Acho fantástico estas pessoas na boa idade e cheias de gás, vitalidade e independência. Fiquei torcendo para que realizasse o sonho e fizesse a aquisição do seu possante e de preferência nas cores rosa choque e com um belo adesivo com a expressão Penelope Charmosa fazendo a economia girar.
    Um detalhe é que a viúva está tão bem que continuará suas aventuras livres do vilão Tião Gavião, mas sempre com a turma da Quadrilha da Morte disponivel para qualquer contratempo.
    Simbora rumo à próxima crônica. Valeu Hayton.

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  16. Achei fantástica sua crônica. Eu me lembrei de minha avó, Evelina, que lá em Três Corações, aos 90 anos, resolveu que iria tirar carteira de motorista. A família ficou em polvorosa. Pois vovó lá foi, fez as aulas e *passou no teste*. De carteira nas mãos, falou dando de ombros… não vou dirigir… só queria mostrar a vocês que sou capaz…

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  17. ROBERTO RODRIGUES LEITE BEZERRA19 de junho de 2024 às 07:49

    Já se disse que "liberdade é uma calça velha, azul e desbotada". Pode até ser, para uns. Para a grande maioria, de fato, poder mover-se à vontade, isso sim que é a verdadeira liberdade. Sua vetusta amiga, Hayton, sem nenhum demérito ou etarismo, comunga da opinião de muitos. O que seria de nós sem um carro. Quantas possibilidades. Quanta autonomia. O próprio dirigir é ato eminentemente volitivo. Você tem nas mãos: direção, caminho, velocidade, faixa de rolamento etc. Por tudo isso, foi uma pena a motorista ser privada de tamanho deleite.

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  18. Imagino bem de quem se trata…. É a força da vida falando mais alto do que a razão… Grande exemplo

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  19. Que possamos chegar até a penúltima idade, cheios de graça e de atitude… Ótimo texto… engraçado e cheio de dicas… parabéns.

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  20. Sem dúvida, é uma benção ter uma pessoa, com essa disposição, por perto... A ciência já revelou que na "terceira idade" os humanos ficam mais sábios... Estão, que a sapiência se manifeste de forma de motivação e produção de ideias que possam "contaminar" os mais jovens...

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  21. Haydeejuremadarocha@gmail.com19 de junho de 2024 às 08:34

    Se engana quem pensa que ela desistiu da ideia..kkkkkk

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    1. Deve ter dado outra rabissaca!

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    2. Imagino, esses gestos bem nordestinos, rabissaca, mandar a cabeça, determinação nessa idade, pois tenho uma igualzinha na autonomia. Obrigada Hayton mais este prato literário que você nos proporciona a uma degustação bem humorada e prazerosa. Um abraço também na sua amiga

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  22. Queria eu chegar a esta idade com esta disposição! Estou com quase 60 anos e um pouco cansado kkkkk. Parabéns por esta bela crônica amigo. abs

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  23. Essa é das minhas! Sempre brinco com minhas filhas e digo qud quero ir aos 125, com saúde, lúcida e…DIRIGINDI!! Nelza Martins

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  24. Queria andar pelas ruas
    Dirigindo a própria vida
    Com 85 de idade
    A ninguém pedia guarida
    Ajudar a economia
    Comprar um carro um dia
    Mas não encontrou saída.

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    1. Estou vom 80 e dirijo o meu carro sem problemas !

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  25. Realmente a sensação de dirigir tem esse efeito de liberdade, bem transcrita na crônica e nos comentários posteriores. Ela aceitou a não realização desse sonho, mas determinada como é, certamente deve deixá-lo adormecido, pronto para ser despertado qualquer dia desses (rsrsrs).

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  26. Me fez lembrar do senhor Joaquim Camilo, meu pai, o único carro que ele dirigiu na vida, numa estradinha de terra na zona rural de Araçatuba, foi um Fusca 66, ainda na início dos anos 70. Quase morreu de tristeza quando vendi o carro. Mas eu espero mesmo é repetir a história dele, que venceu as dificuldades com a mobilidade, pedalando até os 84 anos de idade. Será que eu consigo?

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  27. Vamos curtir nossa independência enquanto podemos. Minha mãe aos 97 anos já não pode quase tudo, mas não perde a vontade de viver. Até um ano atrás costurava roupa para doação.

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  28. Que belíssimo exemplo (dela, não dos filhos 🤣)!
    Eu estava desanimado com a renovação de minha CNH no próximo ano, mas já mudei de humor.
    Essa chama “talvez” apague um dia, mas é nosso dever não contribuir em nada para que isso aconteça.
    Parabéns a essa sua amiga tão especial! Que o combustível não lhe falte, nunca!

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  29. Meu pai renovou aos 84 anos e dirigia, só que numa cidade do interior bem pequena e com pouco movimento, nós, filhas, fizemos de tudo para ele parar mas não conseguimos e dirigiu até poucos dias antes de sua partida para o reino de Papai do Céu.

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  30. Que mãezona! Exemplo de superação.

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  31. Acabei de ler o seu texto do dia intitulado “O dever de tentar”. Curiosamente, veja a coincidência. A personagem do texto tem 85 anos e eu 82. Vindo do aeroporto, não observei um carro avançado tentando mudar de pista na Fernandes Lima. Um trânsito infernal. Horário: 10:30h. De repente, senti o barulho próprio do choque na lateral do carro. Estragou a pintura do meu. Pior: o o carro tem dois meses de adquirido. Causa do estrago? A perda de reflexo, próprio da idade.
    Este é o grande problema que gostaria de realçar para a personagem do seu texto do dia. É possível que ela não esteja lembrada dessa ocorrência na vida de um idoso. Se seguir o que se passa na cabeça, a gente se sente jovem e com essa determinação de enfrentar grandes desafios. Se ela conseguir equilibrar as coisas, tudo bem.
    É por aí. Vida que segue.
    Grande abraço.

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  32. Dirigir para mim é indispensável porque me tornei o “Uber” dos netos e, com isso, voltando a exercer a atividade outrora dedicada aos netos. Que venham os bisnetos!!

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  33. Corrigindo: outrora dedicada aos filhos.::

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  34. Eu já não aguento suas crônicas, é muita emoção pra um seminovo!!!!
    Essa aí, me fez desmoronar, veio muita emoção e, após ilações, muito riso.
    Afinal, também consegui perceber quem é a personagem - sou dela fã, mesmo sem conhecê-la pessoalmente.
    Alguém haverá, ou deverá, fazê-la compreender que a vida sempre nos cobra um preço por tudo.
    Ela concordará e até sorrirá feliz ao ser lembrada de que colocou um filho no mundo que mais de noventa e nove por cento das pessoas existentes, não conseguem algo igual, então, CNH já não vale nada - mesmo tendo-a conquistado.
    Ela é mais que privilegiada pela Natureza - Deus, ou o que quer que seja, responda por tal.
    O impossível mesmo é saber onde estacionará a mente do filho e a capacidade dele de produzir tantas pérolas, nem a mais evoluída IA conseguirá projetar.

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  35. Caro Hayton, a sua crônica de hoje me colocou dentro dela juntamente com a minha mãe, pois nossas mães têm bastante semelhanças na forma de viver e na situação especificamente narrada.

    O que podemos extrair como reflexão, é a responsabilidade e preocupação dos filhos em relação aos seus pais, cuidando deles e retribuindo de alguma forma igualmente como cuidaram de nós.

    Também fica claro a habilidade e o respeito que temos que ter, para que eles entendam que não estamos querendo interferir no modo de viver e nem tirar a liberdade e nem autonomia, mas justamente que estamos preocupados com a segurança deles e que não aconteçam incidentes com terceiros.

    Minha mãe está com 84 anos, dirigia para tudo que era lugar, mas ela mesma já tinha pensado em parar aos 85, porém, no final de março, levou uma queda dentro de casa e quebrou o fêmur.

    No período da recuperação (atualmente já está completamente), meu irmão e eu conversamos com ela se não seria interessante antecipar a decisão e vender o carro, utilizando argumentos semelhantes aos descritos por você, o que foi prontamente aceito por ela.

    Da minha parte, havia um resquício de dúvida se tínhamos feito corretamente na orientação em antecipar o momento dela parar de dirigir, mas a crônica de hoje me trouxe uma grande satisfação, pois você contribuiu para eliminar completamente a incerteza.
    Obrigado❗️

    Nelson Lins

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  36. Muito bom!! Faltou dizer que essa itabaianense de caráter forte é jurema,e,que Jurema, como se diz por aqui é madeira de dar em doido/numa alusão a ser forte/. Abraço

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  37. Excelente! História da vida que é apresentada ainda mais, envolvente, pela qualidade da crônica.
    Me fez lembrar de um Tio, entregou a chave do carro para a Família, após um pequeno acidente. Na entrega sacramentou, "Acrescente uma obrigação, tarefa, na agenda de Vocês: Leva e trazer ....."

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  38. Que coisa maravilhosa. Enquanto pessoas como seja fazem tudo pra viver, os jovens estão mutilando o corpo e correndo atrás de nada. Que fique o espetacular exemplo.

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  39. Não tem como! Sua crônica me fez recordar o tempo em que, com "arroz de carreteiro", "ensopadinho de batata", alguns enlatados (fornecidos pela "Aliança para o Progresso") e as sobras recicladas, principalmente de feijão (carne, raras vezes), a minha "velha amiga", que já partiu, superava o desafio de alimentar cinco filhos, na véspera do pagamento do salário do provedor geral, ferroviário, quando a "frigider" (geladeira marca "Frigidaire, anos 40", cujo espaço do motor/compressor ocupava 1/3 do seu tamanho total) apresentava sintomas de falência de suas múltiplas prateleiras e sua única gaveta. Voltei para aquela velha casa de madeira, coberta de zinco, muito fria no inverno e muito quente no verão, onde (eu acho que) eu era feliz. Só que eu não sabia. Não tinha noção das dificuldades. Vou ficar, um pouco, por aqui. Depois, eu volto!...
    João

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  40. E olha, pelo que sei, não faz musculação nem esteira! Apenas um bailhinho! É genética e resiliência!

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  41. É muita disposição dessa amiga , nos seus 85 ainda com coragem para enfrentar o trânsito insano de Maceió. Meu falecido pai deu trabalho para deixar de dirigir,; pouco antes de partir , aos 95, ainda pedia para renovar a carteira. Infelizmente, sempre foi um motorista perigoso e fomos driblando os seus pedidos.Soube pelo noticiário que uma senhora renovou sua habilitação aos 99 anos.

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  42. Como vários leitores-comentaristas, a bela crônica de hoje também me fez lembrar de uma “senhora Baraúna, que, com mais de 80, recusava-se a abandonar seu potente Monza. Bab, minha sogra, mulher independente desde jovem, quis continuar independente mesmo com o passar dos anos. Os filhos sabiam bem disso e ai deles se tentassem impedir. Mesmo com os prejuízos das multas recebidas, a maior parte por excesso de velocidade. O Monza só foi vendido quando Bab viajou. Nessa última viagem, foi de chofer.

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  43. Quando não temos mais os sonhos, a vida perde muito a sua graça! “Vamos nos permitir”…

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  44. Estimado Hayton excelente crônica.

    Edificante e impactante a história dessa senhora de oito décadas e meia “matriarca independente “ onde observamos uma maravilhosa performance no seu tríplice relacionamento, se não vejamos:

    1.Sensata: consigo mesma fazia pilates, cuidava de sua saúde,

    2.Justa - com o próximo, queria dirigir mas com a CNH e não irregular, infringindo a lei e

    3.Piedosamente - com Deus.
    Ela rezava todos os dias e menciona nas suas atividades de ir à igreja.

    Vem à memória quando o apóstolo Paulo escreve sua carta a Tito, se não vejamos:

    “educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século,
    sensata,
    justa e
    piedosamente,”
    ‭‭Tito‬ ‭2‬:‭12‬ ‭ARA‬‬
    https://bible.com/bible/1608/tit.2.12.ARA
    Abraço
    Que Deus nos abençoe

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  45. Estimado Hayton excelente crônica.

    Edificante e impactante a história dessa senhora de oito décadas e meia “matriarca independente “ onde observamos uma maravilhosa performance no seu tríplice relacionamento, se não vejamos:

    1.Sensata: consigo mesma fazia pilates, cuidava de sua saúde,

    2.Justa - com o próximo, queria dirigir mas com a CNH e não irregular, infringindo a lei e

    3.Piedosamente - com Deus.
    Ela rezava todos os dias e menciona nas suas atividades de ir à igreja.

    Vem à memória quando o apóstolo Paulo escreve sua carta a Tito, se não vejamos:

    “educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século,
    sensata,
    justa e
    piedosamente,”
    ‭‭Tito‬ ‭2‬:‭12‬ ‭ARA‬‬
    https://bible.com/bible/
    1608/tit.2.12.ARA

    Pela graça de Deus, enquanto peregrinos aqui na terra, possamos viver de maneira: sensata, justa e piedosamente
    Abraço
    Que Deus nos abençoar

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  46. Hayton, meu irmão mais velho, coronel Tôrres da PMMA daqui de São Luís, comprou certa vez de uma família, um bugre em perfeito estado de conservação; o motivo pelo qual meu irmão quis colaborar com a família amiga,foi o fato de que o patriarca já com mais de 80 anos, pegava seu bugre e desaparecia pela cidade, sem dizer que destino estaria indo. Deixava a família em polvorosa o dia todo, até que enfim chegava o aventureiro. Enfim, a esposa, filhos e netos descansavam do infortúnio diário. Até que num consenso gral familiar, resolveram encontrar alguém que gostasse de carros diferentes e que tivessem a certeza de aquele bugre continuaria em boas mãos. E assim acontecem essas pessoas determinadas a continuarem vida afora, a serem independentes.

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