julho 30, 2025

As escolhas que nos escolhem

Domingo passado, mandei uma mensagem para uma amiga, parabenizando pelo aniversário. Desejei a ela, com toda a sinceridade, que nesta nova temporada da série Vida continue desfrutando dos verdadeiros luxos neste plano: boas companhias, mente serena, saúde sob controle e, principalmente, a impagável liberdade de escolher o que fazer — ou não fazer — com o próprio tempo.


Ela agradeceu, claro, com a delicadeza de sempre. Mas retribuiu o afago com uma daquelas alfinetadas envoltas em veludo que só as bisavós sabem espetar. Disse que essa tal liberdade de escolha era mais uma das minhas ironias poéticas disfarçadas. Segundo ela, quem tem ditado os rumos de seus dias, ultimamente, é um de seus bisnetos. Contou inclusive que, no dia anterior, sábado, viu-se “obrigada” a fechar as páginas de As Intermitências da Morte, de Saramago, para aceitar o gentil (mas imperativo) convite da criança para um passeio ao shopping.




Entre a leitura da obra de um Nobel de Literatura e um picolé de açaí na praça de alimentação barulhenta, adivinha quem levou a melhor? Falou mais alto o afeto entre eles.


Fiquei aqui, a 600 quilômetros de distância, ruminando esse dilema intergeracional. Há algo de profundamente bonito e inquietante nesse jogo de forças entre o tempo vivido e o tempo que começa a viver. De um lado, a mulher que lê sobre a Morte em férias, apaixonada por um violoncelista. Do outro, o menino que ainda ignora o peso das ausências e a leveza das partidas.


Saramago, com sua prosa tortuosa e sua ironia de padre herege, nos lembra que é a morte que dá sentido à vida — e que o amor, muitas vezes, consegue interromper até o expediente corriqueiro dela. 


Minha amiga, ao ceder à vontade do bisneto, talvez tenha feito o mesmo: suspendeu momentaneamente a contemplação do crepúsculo para mergulhar, com açúcar e com afeto, no amanhecer da vida.


Mas aquele episódio também me acendeu um alerta que pisca por dentro da gente, cobrando dois dedos de reflexão até a madrugada de segunda-feira: será que ainda enxergamos as pessoas pelo que são — ou só pelo que nos entregam?


Tempos estranhos, os nossos. Em vez de vínculos, colecionamos utilidades. Tornamos o afeto moeda de troca, e os encontros, pequenas reuniões de interesse. Sorrisos viraram cartões de visita; abraços, protocolos de ocasião. E assim, quase sem notar, vamos transformando relações em transações: quem serve, permanece; quem apenas é, caminha para o descarte.


No trabalho, o crachá virou passaporte para a relevância. Com ele, vêm os convites, os salamaleques, os cafés com promessas. Sem ele, boa parte da audiência desaparece sem deixar bilhete de despedida. E nas famílias, muda o cenário, mas a lógica se repete: muitos pais, avós — e agora bisavós — só recebem uma ligação quando alguém precisa de carona, conselho ou cobertura para as faltas que a vida impõe.


É aí que o perigo se instala de mala, escova e sandálias: quando deixamos de ser pessoas e viramos prestadores de serviço emocional. Quando confundimos amor com funcionalidade. Quando a presença só vale se trouxer alguma utilidade.


Se isso faz sentido, resta a pergunta: estamos, de fato, escolhendo com quem queremos estar — ou apenas aceitando quem nos escolhe quando precisa?


Minha amiga, com sua sabedoria, não se queixou. Mas havia, em sua resposta, um receio sutil: o de perder o controle da própria história. Porque, quando já não se escolhe o que comer, com quem sair, o que ler, onde morar ou a que horas dormir... aos poucos, vamos sendo deslocados do volante da vida para o banco de carona da vontade alheia.


Passar dos sessenta ou dos setenta, portanto, não dói pelas velinhas no bolo, mas pelo vazio que cresce quando os convites minguam. E não falo de eventos sociais, mas dos convites da alma: ser escutado, ser necessário, ser lembrado — não por conveniência, mas por consideração genuína.


Talvez a maior ousadia da velhice seja continuar escolhendo. Dizer não ao shopping, às vezes. Voltar à companhia de Saramago. Porque liberdade não é fazer tudo o que se quer, mas poder escolher o que importa.


E que privilégio conhecer alguém que nos ensina, com coragem e doçura, que mesmo quando a Morte tira férias — ou se apaixona por um violoncelista, como na obra de Saramago —, a Vida continua exigindo escolhas. Que amar também é permitir ao outro o direito de escolher. Ainda que, numa tarde qualquer de sábado, a escolha seja um picolé de açaí, e não um livro.

48 comentários:

  1. ADEMAR RAFAEL FERREIRA30 de julho de 2025 às 05:53

    Se depois dos setenta buscar equilíbrio no trapézio que de um lado surge uma boa leitura e do outro aparece um passeio com um bisneto é o dilema façamos a escolha da segunda opção quase sempre. O bisneto nos ver como uma fuga vamos dar-lhe a liberdade. A única opção indesejável é não subir no trapézio.

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  2. Bem assim,mas a escolha é sua e só vc pode decidir

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  3. Quem é um bom avô(a) e bisavô(a) sabe a resposta, sem pestanejar. O tempo perdido, com um neto amado, eu imagino, não volta atrás e o livro terá seu espaço reservado a qq momento.

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  4. Quem já provou desse fel, pode até contar algumas histórias que falam de almas pobres ou inexperientes, mas as reflexões provocadas também permitem enxergar a beleza e a liberdade dos amigos irmãos que não usam crachá e nem se rendem ao tempo. Parabéns.

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  5. Ainda que as situações venham a se tornar mais escassas, acredito que devemos continuar fazendo nossas escolhas, como sempre o fizemos ao longo de nossas vidas.

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  6. Entre duas opções, a mais sensata é a escolha da que tiver maior grau de dificuldade da oportunidade surgir novamente.

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  7. Caro Hayton, parabéns por mais uma que espelha o cotidiano da vida de muito de nós. Não tive alguns privilégios, foi do jeito que deu, mas meu Pai fez muito pelos nossos filhos, do melhor jeito que pode, também trocando a fazeres, para ficar com eles, estimulando a leitura ou contantando suas engraças histórias, repetidas com insistência, a pedidos, em quase todos os encontros, enquanto nós precisávamos nos ausentar. Hoje nos vemos repetindo a agenda, colaborando em ajudar os dois que temos em suas atividades, de forma mais organizada, datas, horários e as OS, emergenciais. Quando nos perguntam sobre isso, soa uníssono, melhor porque não precisamos nem pagar por essa satisfação... Fora dos plantões, mais tarde ou nas madrugadas continuamos a leitura ou os outros projetos da vida. Vale muito! Francisco Miranda

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  8. Quem não já passou por esse dilema que atire a primeira mentira. O tão antigo e divulgado "livre-arbítrio" torna-se muito mais difícil com o passar dos anos, quando a tão sonhada "liberdade" deveria aparecer com relevância, mas, ao contrário, gosta mesmo é de um "esconde-esconde".
    A crônica nos traz uma excelente e profunda reflexão.

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  9. Pintura de crônica. O encanto, além de texto primoroso, é a reflexão para a vida que quero dar e ter. As vezes só vista a nossa frente, após uma bela leitura.

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  10. ROBERTO SANTOS FERNANDES30 de julho de 2025 às 07:32

    Genial! Uma lição de vida!
    Parabéns.

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  11. ROBERTO SANTOS FERNANDES30 de julho de 2025 às 07:34

    Genial, uma lição de vida!
    Parabéns

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  12. Mais uma reflexão necessária, escrita com inusitada poesia.
    Talvez não seja um mal em si as pessoas nos procurarem quando têm alguma necessidade. O afeto pode vir junto. Em alguns casos, só o fato de escolherem a gente já é uma deferência. O problema é quando tudo se resume a utilitarismo.
    E, como sempre procuro fazer, vale a gente também se questionar até que ponto fazemos o mesmo. Porque esse caminho quase sempre é de mão dupla!

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  13. Crônica para ler, reler e repensar sobre os relacionamentos, os convívios e a empatia.
    Vejo muitas pessoas, após anos de labuta, deixarem de viver a própria vida para viver a vida do outro, esquecendo que lá fora tem um mundo a ser desbravado. Precisamos praticar o *não* de forma pedagógica, escolhendo aquilo que nos faz bem e gere felicidades, ora com netos, ora em viagens, no cinema, nas corridas, nos livros, enfim: viver, alegrar-se e jamais deixar que a emoção tome conta da nossa razão.
    Saramago dizia:
    "Cada dia traz sua alegria e sua pena, e também sua lição proveitosa." e
    "Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo."
    Então, simbora viver e aproveitar a vida, enquanto a saúde permite.

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    1. Uau!!!! Que lindo!!!
      Mas esse tipo de escolha é, como diz a canção, “um sonho que se sonha junto” sendo transformado em realidade. Ou vc não concorda com que as vontades das bisas seja de sair por aí paparicando os bisnetos? Tá bom , você pode até responder que o sonho do bisneto era o picolé, independente da companhia. Aceito. Mas, para a bisa, que diferença faz, se foi ela a escolhida? Se o sonho dela se transformou na mais gostosa realidade? Aposto que ela agradece a Deus cada dia por poder dar esses mimos ao bisneto e ter essa convivência feliz. E Saramago? Ele que espere sentadinho lá no sofá onde ela o deixou. Nelza Martins

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  14. Sabe amigo, essa é uma das violências contra os longelescentes. A pessoa acaba perdendo o norte de sua própria vida e sendo usada como um monte de funções, úteis pra quem demanda. E, no dia que não mais aceita esse papel, torna-se vítima de chantagens emocionais. O problema não é apoiar a família. O problema é não ter mais sua própria agenda.E virar um motorista, uma babá, um faz Tenho escutado relatos desse naipe, com filho voltando a morar na casa dos pais, invadindo espaços, e criando um tipo de expectativa de fazer comida, lavar roupa, limpar casa e ainda pagar as contas.Teu poético texto, inspira a que nós, os longelescentes, fiquemos atentos pra não reduzir nossa vida aos comandos externos. A não entregar o controle remoto de nossa vida a ninguém. E, se assim o fizermos, que seja consciente e breve

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    1. Ricardo, só fazem conosco o que a gente permite. Ainda ontem eu fui almoçar com uma amiga e minha filha estava providenciando algo para mim e perguntou se podia ser hoje 9:30h. Mandei que olhasse na minha agenda que deixei aberta. E ela viu: ontem. Almoço com amiga; hoje, cede a tarde com outra, quinta almoço na AABB. E aí, respondeu: é, tem que malhar mesmo porque essa agenda só tem encontros pra comer… kkkkk São minhas escolhas…Nelza

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  15. A liberdade de escolher vai se tornando mais rara à medida que envelhecemos e também passamos a dizer “não” com mais frequência, especialmente para certos convites. Mas quando se trata de netos e bisnetos, é difícil resistir — eles têm um poder de convencimento irresistível, ainda mais quando o convite é apenas para estar junto, pela simples alegria da companhia.
    Parabéns, Hayton! Você continua brilhante e provocador em suas crônicas

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  16. Amigo HAYTON , nunca lí SARAMAGO !! Pretendo fazê-lo logo .Quais as obras vc recomendaria ??❤️

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    1. FRANCISCO OITAVO PINHEIRO FERNANDES30 de julho de 2025 às 18:03

      Perdão pela intromissão. Li dois livros dele: Ensaio sobre a cegueira e Ensaio sobre a lucidez, nessa ordem. Talvez se tivesse lido na ordem inversa, minha compreensão tivesse sido melhor. Mas, confesso, talvez a minha cegueira intelectual tenha sido tamanha que não o compreendi. E a minha lucidez turvou.
      .
      Outra razão para a minha incompreensão foi que o português de Portugal não é tão simples assim de se entender.
      .
      Mas isso não é motivo para que você não o leia. Essas duas obras, por exemplo, são clássicas.
      .
      Não deve ter sido à toa que ganhou o Nobel de Literatura.
      .
      Oitavo.

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    2. Esse danado chamado livre arbítrio!
      O acaso pode sempre interferir, mas a escolha, as escolhas, são sempre nossas! Obrigado amigo !
      Beto Barretto

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  17. Quem serve permanece. É o mesmo que quem não é visto não é lembrado no mundo corporativo. Mas servir também é presença, ainda que pela utilidade. Daí podem surgir grandes surpresas e aprendizados. Adorei a crônica

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  18. Realmente, devemos ter a liberdade de escolher o que fazer, ou não fazer, com o próprio tempo. Inclusive usá-lo para não fazer absolutamente nada, com planejamento, claro, porque até o ócio, quando é nosso, vira luxo.

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  19. Este comentário foi removido pelo autor.

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  20. Muito, mas muito bom mesmo! Velhice, utilidade/inutilidade, escolhas... Há um poema de Pe. Fabio de Melo, " A liturgia do tempo" que trata desse tema. Você vai saber quem realmente gosta de você quando não tiver mais crachá, nem poder, nem utilidade. Quando chegar o tempo de " Bota o velhinho no sol, tira o velhinho do sol (ou da chuva)... aí chegou a hora da verdade. Comecei a ler o livro de Saramago. Não terminei... Interessante que recentemente re-assisti o filme "Encontro marcado" com o excelente ator Anthony Hopkins. Vale a pena. Pensei que era baseado no livro de Saramago, mas não. Trata-se de um 'remake' de um filme de 1934. Há também o excelente "Incidente em Antares" de Erico Verissimo, que tem alguma semelhança com o livro de Saramago. Bem, já tenho bastante opções de livros pra ler quando, no futuro, os netos me chamarem pra um programa de índio. Mas tenho coração mole, certamente escolherei os netos...

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  21. Mais uma vez Hayton nos colocando numa saia justa. Difícil às vezes dizer não para não ser visto como mau, mas é necessário nem sempre ceder. Fazer por obrigação é terrível. As prioridades da vida nem passam por favores que prestamos. A pergunta que não quer calar: Será que as pessoas estão dispostos a nos atender nos seus momentos de prazer ou diversão?

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  22. Boa, grande Hayton! O caso, se não for 100% verídico, é 100% crível. Mas essa escolha aí foi fácil, uai! Ela vai com o neto, depois volta e retoma a leitura.
    De toda sorte, o caso relatado me faz lembrar de quantas vezes os leitores (bisnetos ou bisavós, crianças ou idosos) são interrompidos na leitura. Eu mesmo, todos os dias, sem exceção, sou interrompido nas minhas leituras (pelo telefone, pelo interfone, pelos filhos, pelo mundo). Será que é o mundo que conspira contra a leitura? 😆. Certa feita, no BB, eu dediquei 5 minutos de leitura de um livro em pleno horário de trabalho. E começaram as reclamações do tipo: “Você não faz nada, fica aí só lendo” (veja só!). E antes que me levassem à guilhotina, falei que era uma pegadinha. “Se os colegas fumantes têm um pequeno intervalo (5, 10, 15 minutos) para pitar seu cigarrinho ali fora, por que eu não posso ter 5 minutos para ler trecho de um romance?”. Eu ficava pensando no seguinte paradoxo: o funcionário viciado em leitura não podia parar 10 minutos para ler um romance no horário de trabalho; mas, se fosse viciado em cigarro, teria permissão de 5 a 15 minutos para fumar lá fora. É mole?

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  23. Quem é avó sabe a resposta sem nem pestanejar! Pode até ser cansativo, mas um tempo com netos é reviver fase que passamos e vale muito mais que qualquer livro ou filme que tem acesso a qualquer momento! Só tem que saber se estamos sendo usados como suporte obrigatório pelos pais do neto, mas por eles só existe amor e no mínimo uma boa opção pagante do picolé. 😂

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  24. A difícil "arte" de dizer "não" a quem invade nossa liberdade de escolha, quando, no balançar da decisão, vem à mente a possibilidade do arrependimento ou, talvez, do remorso... Por que o pedido? Interesse ou por encontrar a "porta" aberta? O período imediato aos afastamento natural das "amizades do crachá", são mescladas com sentimento de abandono e de indecisão. Nessa fase, todo o cuidado é pouco para não se tornar um cumpridor de tarefas indesejadas...

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  25. Nos últimos dez anos, pelo menos uma vez por semana, tive a oportunidade de levar meu neto à creche — quando ele tinha apenas seis meses de idade — ou de levá-lo ao colégio, como aconteceu ontem.
    Durante todos esses anos, nunca senti que estivesse cumprindo uma obrigação ou uma tarefa. Ao contrário: fiz a escolha de estar com meu neto sempre que posso, para que, durante essas breves viagens semanais, possamos ouvir músicas ou conversar sobre os mais variados temas — como palíndromos, por exemplo...
    A necessidade de apoio solicitada por minha filha me proporcionou — e continua proporcionando — a felicidade de acompanhar o crescimento e o desenvolvimento do meu neto.
    Como escreveram alguns de seus leitores, é fácil saber que eu responderia — e responderei — sem pestanejar: eu escolheria estar com meu neto e deixar Saramago — ou o Athletico — em segundo plano.

    Luiz Andreola

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  26. O amor, em sua maioria, vencerá às nossas escolhas, principalmente entre um picolé na praça com o bisneto e uma a leitura de um bom livro!🤗🤗🤗😂😂

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  27. Dilema importante: fazer o que se quer fazer ou aderir à conveniência, às convenções.
    Acho difícil ter liberdade total, há sempre a necessidade de se ponderar nas escolhas, nos convites, nas conveniências.
    O que fazer se a vida é assim?

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  28. A leitura sempre foi, é, e será, uma fonte de inspiração e aprendizado. Mas, se amor de vó, é dobrado, o de bivó, é triplicado. Dentre as duas escolhas, a leitura ficará em 2º plano, com certeza.
    Valeu Hayton, por mais um SHOW de crônica.

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  29. Excelente reflexão!!! Parabéns!!!

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  30. Excelente! Como fazer a escolha certa? Acho que, talvez por princípio, a família primeiro. Afinal costuma-se dizer "Mateus, primeiro os teus". Que venham filhos, netos, bisnetos e demais parentes, a leitura pode esperar.

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  31. Tenho duas netas lindas e se me chamarem com certeza largarei qualquer outra coisa para ficar com elas. Nada melhor do que o papel de avô. Parabéns pelo belo texto!

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  32. Escolheria o neto. Livros são afáveis e ficam sempre à nossa espera

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  33. Certo que escrever bem, muitos o fazem, mas você extrapola, tá num patamar cujo número é bem pequeno.
    Só que, além da qualidade da escrita, você pega qualquer assunto, por mais leve e suave que seja, como esse aí da degustação de um sorvete entre a bisavó e seu bisneto, e nos leva a uma profunda reflexão sobre a vida e seus verdadeiros valores.
    Os comentários postados aí acima mostram o quanto sua crônica "sacudiu" fortemente cada um de nós.
    Como está no dito popular, "eu, hein?????"

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  34. Parabéns pela referência ao Saramago, Hayton. Excelente, mais ainda pela condução do condução do texto. Obrigado!

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  35. Altamirando Ferreira da Silva30 de julho de 2025 às 20:00

    Os meus Netos já podem me dar Bisnetos. Por isto, sinto saudades de quando eram pequenos e me chamavam para ir ao Shoping. Agora “estão em outra”!!!

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  36. Até determinada idade, esse tema é algo distante e até semelhante a um tempo que nunca chegará para nós.

    De repente, começam os sinais - o meu foi um rapaz de seus trinta anos que, levantando-se da cadeira, chamou-me de tia e me convidou a sentar. Nem consegui enxergar a gentileza. Só pensei: “como assim, esse abestado acha que sou uma velha?”. Depois entendi que eu já era uma senhora de meia-idade.

    A partir daí, comecei a dedicar mais do meu tempo à família e aos amigos. E quanto a estes últimos, quando registro amigos, os de verdade; não aqueles muitos que, por convenções sociais ou por fraqueza de nossa parte, toleramos.

    Assim, como bem define a excelente médica paliativista, Dra. Ana Claudia Arantes, tratei de cuidar bem de minhas “conexões profundas”.

    São elas que serão meu 190 nos dias mais frágeis da existência, mas, sobretudo, aquelas com quem, mutuamente, partilhamos alegrias, segredos, medos e afeto em todas as suas formas.

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  37. Emílio Hiroshi Moriya31 de julho de 2025 às 16:34

    Bela reflexão. E ótimos comentários!
    Assim vou conhecendo os grandes escritores através do Hayton...

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  38. Mais uma excelente reflexão. Dizer não é uma arte , apesar de que fica mais difícil com o passar do tempo e o amor dos nossos netos/bisnetos. São prazeres diversos: ler um bom livro e conviver com os nossos netinhos.

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  39. No dilema, fico sempre com meus netos. Sei que preferem o meu amor e presença. Cada vez que chamam, levanto e saio correndo. O amor deles me deixa vivo. As outras coisas, servem de ajuda.

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  40. Muito boa reflexão. Esse paradoxo que se impõe a cada um, nos levando a termos de escolher entre algo que desejamos e algo que outrem deseja de nós. Difícil, porém fácil (e aí está o paradoxo) decidir que o melhor é nos priorizarmos. Fazermos aquilo que desejamos. Mas essa linha é tênue. uma fronteira perigosa, pois não sabemos onde termina o desejo de alguém nos querer por perto tão somente pelo que somos, ou nos desejar pelo que podemos proporcionar. Também entram outros ingredientes, tais como: eu tenho medo da solidão? e seu fizer como desejam, não me sentirei da mesma forma solitário? e também usado? é uma equação bem difícil de resolver. Talvez somente voltando no tempo e fazermos as coisas de forma diferente...
    Adorei a abordagem. Esse assunto é palpitante e desafiador.
    Abração!!!
    Mario Nelson.

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  41. "...portanto, não dói pelas velinhas no bolo, mas pelo vazio que cresce quando os convites minguam. E não falo de eventos sociais, mas dos convites da alma: ser escutado, ser necessário, ser lembrado — não por conveniência, mas por consideração genuína." Acho isso apenas realidade e, ao longo da vida, temos muitas oportunidades p aprender sobre isso, saber do jogo de interesses nos movimentos de quem nos cerca mas, sobretudo, saber de quem queremos ser amigos e identificar os amigos genuínos e nossas prioridades. Minha neta outro dia dormiu aqui e Mara estava fazendo o café. Me disse p tirar a Fefe da cama pq já havia chamado 3 vezes. É sempre um processo mas aí eu respondi:" nada que possa soar desagradável p minha neta sairá da minha boca, tarefa sua." Kkkkkkk preciso dizer mais? Agora sério, as vezes encho de beijos p tirar da cama.

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