quarta-feira, 7 de abril de 2021

Jogo de interesses

“Velho é o mar, ainda assim continua cheio de onda”, dizia um pescador sessentão que conheci no final dos anos 70, na Balança de Peixe do bairro de Jaraguá, em Maceió, quando me contava de seu interesse em adquirir um motor de popa e seguir adiante no ofício. De tardezinha, voltava sempre com o barco carregado de bijupirás, ciobas, curimãs, guaiubas e sirigados. Nunca atrasou uma prestação sequer.


Hoje, com a mesma idade dele à época, também não encaro a velhice como uma doença incapacitante, como algumas pessoas que conheço. Se muito, um tipo de reação alérgica, isto é, a forma pela qual cada um reage à perda de identidade social depois que deixa de trabalhar ao lado de outras pessoas ou à sensação de proximidade do fim do baile da tarde.


Reação também à pré-falência de múltiplos órgãos, não por causa de uma moléstia qualquer, mas pelo mal do Dodginho Polara (a "meninada" dos anos 70 sabe do que estou falando): um problema atrás de outro, fruto da infeliz combinação de motor, caixa de marchas e freios ordinários com manutenção cara. 

 

Ou ainda à constatação de que se necessita cada vez mais da ajuda de terceiros, às vezes até para lembrar o horário dos remédios, trocar um pneu etc. Ou, por fim, ao risco de ser exilado num “residencial sênior”, eufemismo infame para os asilos de sempre.

 

Mais do que a idade cronológica, são as reações a esses "estímulos" que definem o que vem a ser a velhice para cada pessoa. Mesmo sabendo que, mais dia menos dia, eles baterão palmas no nosso portão com uma fome que nem me contem, com uma sede de anteontem.  

 

Noto que existem pessoas que se deixam abater pela melancolia, outras pelo desassossego da ansiedade, ou oscilam numa gangorra de sentimentos, a depender da luta ou do luto do dia. Pior que vão empilhando motivos imaginários para criarem uma paranoia de estimação, de coleira e tudo, no que lhes sobra de vida.

 

Primeiro, assumem que devem morrer antes de algumas pessoas conhecidas. É como se aquelas entre 25 e 50 anos as empurrassem para a porta de saída do baile. Depois, temem ser garfadas pelos herdeiros de seus pertences – os sonhos frustrados, os livros, as joias, o celular, a gaveta de bugigangas e por aí vai. 

 

A razão (ou ração, tanto faz!) que alimenta essa paranoia de coleira afeta até o interesse pela vida de entes queridos. Colocam na cabeça que a conversa com filhos, sobrinhos e netos, por exemplo, não passa de compaixão por parte daqueles. E quase tudo que escutam entra por um ouvido e sai pelo outro, como se nada fosse comparável ao fato de que o fim do baile da tarde está próximo.

  

Tem que ser assim mesmo? O que pode haver de agradável na experiência de envelhecer, na sensação de fim de jogo, no desencanto de um corpo que cai quando a mente mais conta com ele, na desconfiança de que a partida poderia ter sido disputada de outra forma, com outras manobras táticas? 



Um dia, caminhando no calçadão, cruzei com uma "menina" lépida e saltitante, suando baldes, ali na casa dos 75 anos. Em sua blusa havia uma sentença que mais parecia extraída da série “me engana que eu gosto”, mas que me fez pensar o resto da manhã: “A velhice é uma conquista”. 

 

Lembrei-me de tanta gente que não pôde conquistá-la (a "menina", não; a velhice), derrotada às vezes com um gol contra. Os antigos diziam que o segredo de qualquer conquista era coisa besta: saber o que fazer com ela. O ponto de partida seria querer. Declarei-me, então, interessado no assunto.

 

Interessado em envelhecer compartilhando memórias, inclusive as piores lembranças. Se um dia os neurônios vacilarem – engolidos pelas sombras do esquecimento –, que as pessoas que me ouviram guardem essas lembranças, distorcidas ou não pelos filtros de meu ego, na versão que lhes contei.

 

Interessado em não perder a capacidade de engolir seco, de travar a garganta com as coisas mais banais do noticiário – como uma mãe que ainda agradece a chance de poder catar restos de comida no lixão –, nem a capacidade de aceitar minhas contradições, meus erros e medos, seguro de que procuro dar o melhor nas escolhas que faço.

 

Interessado em seguir garimpando velhas e novas preciosidades, sendo menos ranzinza e mais bem-humorado, ácido quando inevitável e, na medida do possível, senhor de minhas vontades. Se não der, que consiga aceitar as limitações impostas pela fragilidade da condição humana.   


Tudo não passa, afinal, de um jogo de interesses desde que o dia nasce e, entre lutas e lutos, se começa a dançar. E envelhecer continua sendo a única maneira confiável que se tem de seguir no baile da tarde. Quem sabe dá tempo ouvir o bolero Tudo Outra Vez (ouça aqui) antes de anoitecer.

42 comentários:

  1. Como tudo faz parte do jogo de interesses eu, como amante do futebol não vou dizer (e mentir) que sou um craque, mesmo mais defendendo do que atacando. Eventualmente marcando um gol aqui e outro ali a paixão pelo futebol ainda permanece.Como estreante no terceiro tempo preciso ajustar a posição no jogo dos interesses. Como diz Guilherme Arantes "... Nem sempre ganhando, nem perdendo, mas aprendendo a jogar." Alberto Luiz em sua consagrada balada nr. 7, arremata: " ...Ergue os seus braços e corre outra vez no gramado
    Vai tabelando o seu sonho e lembrando o passado
    No campeonato da recordação faz distintivo do seu coração
    Que as jornadas da vida, são bolas de sonho
    Que o craque do tempo chutou..."
    O jogo continua...

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  2. Crônica muito sábia é rica em detalhes, Que maravilha “ a velhice é uma conquista”, e desde que nascemos, busquemos dia a dia essa conquista, viver mais e como você bem narrou, viver com qualidade , com razão de viver, aproveitar a sabedoria adquirida com o tempo, e aceitar as marcas desse tempo ( os cabelos brancos, as rugas, ...) com gratidão e alegria. Envelhecer é uma conquista👏👏👏

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  3. Vou colocar mais poesia nos comentários deste poético texto. Domingos da Fonseca, poeta do Piauí disse:
    "A velhice não comporta
    Galhofa nem piedade
    Ser velho não é doença
    Também não é novidade
    É mesmo que folha seca
    Rolando da mocidade."

    Odilon Nunes de Sá, poeta da Paraíba, criou:
    "Admiro a mocidade
    Não querer envelhecer
    Velho ninguém quer ficar
    Novo ninguém quer morrer
    Sem ser velho não se vive
    Bom é ser velho é viver."

    Viva a vida.

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  4. No último dia primeiro, aos 59 anos de idade, me tornei bisavô da abençoada Valentina e cheguei a precipitada conclusão: "estou velho". Após deliciar por está fábula de crônica, tenho certeza que o pescador sessentão é que estava absolutamente certo, "Velho é o mar, ainda assim continua cheio de onda".

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  5. Com o mar como pano de fundo, navegar é preciso, viver não é preciso; mas, assim como navegar, viver também requer acuidade. Bravo texto.

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  6. Li um dia em um muro em Campo Grande ms os seguintes dizeres"se ruga fosse sinal de velhice meu saco seria pré histórico"
    Sempre me lembro qdo me sinto velha. Velho é o mundo.
    Dayse Lanzac

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  7. Achei engraçado e próprio.
    Dayse Lanzac

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  8. Hayton,

    Tive o sentimento que esta crônica tem o mesmo perfil da crise de meia-idade. Parece que há em você um desencanto. Não sou de opinar sem ter intimidade com o interlocutor, mas vou, HORA DE BUSCAR AJUDA E ENCONTRAR NOVO SENTIDO PARA SUA VIDA.

    Abração, Marconi Urquiza

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    1. Grato pelo cuidado, Urquiza, mas não é nada disso.
      Velho é aquele que considera que já fez tudo o que deveria fazer, que acorda sem metas, que se deita pra dormir e não sonha mais. E eu já tô pensando na próxima crônica, apesar do desencanto de ver mais de 4.000 irmãos morrendo à míngua todo dia porque vacilaram na compra em tempo hábil, ano passado, de uma vacina.

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  9. ANTONIO CARLOS CAMPOS7 de abril de 2021 07:20

    Cada pessoa é um universo em si. Apenas nos mesmos podemos sentir tudo que se passa no filme da nossa vida. Nesse filme, misteriosamente somos Produtor, Diretor, Ator e Espectador. Na essência da nossa vida acho que o que temos mesmo é saudade de nós mesmos.

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  10. ANTONIO CARLOS CAMPOS7 de abril de 2021 07:30

    Muito boa reflexão. Consegui te ver no texto. Consegui ver a mim também. Acho que é só uma outra fase em nossa vida. Ela se torna mais profunda porque nos encontra com menos atividade e mais lucidez. Mas na essência somos os mesmos de sempre. Apenas mais inteligentes.

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  11. Profunda e necessária reflexão! Densa, sem perder a graça da leveza.
    Você está cada vez mais afiado, meu amigo!
    Parabéns!

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  12. A mensagem da mocinha é perfeita. Muitos não conseguiram conquistar a velhice e devemos honrar muito essa conquista e a de parceiros, como você, que dão sentido e energia ao co-partilhar. Abraço forte, meu bom. Dedé

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    1. Grande Dedé! O bolero do cearense no arremate da crônica tem a sua cara, não?

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  13. Ótima análise sobre esse crepúsculo de nossas vidas, embora sob o seu prisma, mas com muita similaridade com o de tantos outros. A Rede Globo terminou no último domingo a primeira edição do Programa "The Voice +", destinado a candidatos amantes da música e com mais de 60 anos, cujo slogan era "os sonhos não envelhecem". E acredito que esse é o espírito principal que ajuda a percorrer essa tão "temida" terceira idade,que é manter vivo algum(ns) sonho(s), continuar desenvolvendo alguma forma de arte, porque, como diria Ferreira Gullar, "A arte existe porque a vida não basta".

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  14. Velho é o mar, ainda assim, continua cheio de onda. Minha mãe com seus 94 anos,com todas as suas limitações, continua cheia de vida. Envelhecer com sabedoria é um privilégio para poucos.

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  15. Reflexão profunda, importante é instigante! Seguir feliz, entre pilates e “n” outras atividades físicas, cognitivas, turísticas, etc... praticadas menos do que sempre gostaria! Querer e poder envelhecer como sempre sonhado! É uma benção!
    Show de provocação Hayton!!! Sonhar e realizar, propósitos sempre!

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    1. É isso, Carlos. O importante no baile é ir acertando os passos. Ninguém nasce sabendo dançar.

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  16. La pelo início dos anos 70 os chicletes Ping Pong vinham “embrulhados” num papelzinho com frases de pensadores. Num deles - que nunca mais esqueci - tinha um pensamento de Millôr Fernandes: “Viva cada dia como se fosse o último; um dia você acerta!”
    A crônica do Hayton, de alguma forma, me leva de novo a essa reflexão. O que fazemos com os dias que ainda temos? Somos uma companhia agradável pra quem nos contata? Acrescentamos alguma coisa na vida de alguém? Ou somos aquele papo chato e lamuriento que é apenas aturado por pessoas que sentem obrigação de falar conosco?
    Que sonhos restaram? O que fazemos pra tentar realizá-los, já que viver não é preciso?
    Obrigado por mais esse presente (nos dois sentidos), Hayton!

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  17. Sua crônicas no bom sentido é claro! É o nosso Rivo...nessa fase complexa e amarga de nossas vidas, que crônica perfeita , na minha humilde avaliação.

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  18. Chegamos até aqui com vontade de continuar. Velho é o mar, somos envelhescentes!

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  19. Minha mãe já com seus 99 anos dizia” eu agradeço a Deus, todos os dias, por chegar nessa idade tão feliz, não tenho do que reclamar, assim vou comemorar meus 199 anos com uma festa” pena que faltando 9 meses para esse dia sua vida foi interrompida. Exemplo de aceitação para todas as fases da idade, sem reclamações e com muita alegria, melhor dizendo sempre com alto astral.

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  20. Lindo texto Hayton, as usual. Até quando seremos estudantes da vida que queremos? Em minhas travessias de barco a vela sempre tive o hábito de monitorar a distância percorrida até metade do caminho. Depois, passava a monitorar a distância para o destino. Parece que isso ajuda a ficar otimista e lida e bem com o ritmo que costuma variar entre 6 e 11 nós por hora numa velejada normal. Foi assim nas várias vezes que fui a Noronha, nas velejadas longa e pela costa brasileira e nas várias etapas da minha travessia da França até Recife. Depois que fiz 60 fui invadido pela questão da posta restante. Aí percebi que naturalmente inverti o que fazia nas velejadas, já passou da metade e comecei a escrever e a olhar pra beleza do que já passou e seguir firme no timão tendo as estrelas como guia...

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  21. "Velho é o mar..." A vida é um jogo, estou no primeiro tempo da prorrogação, sem perspectiva de término.

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  22. Amigo Hayton, mais um presente que nos entrega para saborearmos. É sempre uma grande reflexao, a Vida que "quero dar". Que tenhamos a capacidade de continuarmos como o mar, cheio de ondas e a influenciar positivamente aqueles que nos vêem, acreditam em nosso exemplo. Vamos que Vamos!!!

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  23. Melhor programa pra iniciar a quarta! A leitura do blog do Hayton! Tiberio

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  24. Se chegamos até aqui, sem algum problema grave, é uma conquista. E não devemos lamentar de qualquer coisa de antes. Temos outras, até mais interessantes. Eu, depois que aposentei, com meu espírito inquieto (graças a Deus), passei a escrever poesia (mas tem gente que se aposenta e faz coisa pior...rsrsrs). Tenho dezenas de versos que retratam a fase atual, mas se me permite, com a sua licença e costumeira sapiência no tocar da vida, transcrevo uma poesia que retrata bem, a nós, os "meninos"...rsrsrs
    VERTENTES DO IDIOMA
    Eu emprego o verbo e um predicado
    Participo no presente e no pretérito
    No futuro, eu juro, estarei aliterado!

    Procuro um sujeito oculto
    Despacho, não acho, o vulto
    Chamo a matemática, geometria
    Para entender essa filosofia

    ¿O particípio do passado
    É ancorado no cateto e gerúndio
    A soma e o quadrado do mundo
    Com ou sem verbo adulterado?

    Procuro em vão a hipotenusa
    Amo o seu jeito meio obtusa
    Ma sou sujeito dileto e indireto
    Sempre zeloso, não sou indiscreto

    Sou fã natural do pleonasmo
    Gosto de chegar ao eufemismo
    Inimigo mortal do marasmo
    Cuido permanente do cataclismo

    Sejamos, pois, meio intransitivos
    Sou ainda assim, a fim do infinitivo
    Quer no transitivo e no direto
    Chamo a vírgula, divido o concreto

    O imperfeito é um quase pretérito
    Sou mais do imperativo afirmativo
    Já que sempre participo do passado
    O futuro no presente é um bom predicado!
    Esta poesia recebeu "menção extraordinária" no Premio Nosside de Poesia - Itália - 2011 (nosside.org).

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  25. Bela reflexão amigo! A velhice é uma conquista. Quantos não tiveram esta oportunidade. Temos que tornar nossas vidas mais leves ao lado dos amigos do peito. Parabéns!!

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  26. Gostei da reflexão. Tem um ditado que diz que só envelhece quem não morre cedo. Se viveu até aqui, tá valendo. Hoje, pela manhã, ao pedalar por uma ciclovia em pleno cerrado brasiliense, ponderei: "Só é feliz aquele que descobriu sua missão na vida e já está preparado pra próxima". Sim, porque esta é um átmo e que, mesmo em sendo assim, precisamos da meta pra seguir, driblar as adversidades e fazer os gols que dão alegria. Alegria final? Não, nunca. Aproveite. Divertiti, diria un'italiano vero.

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  27. Boa noite, meu caro! Mais um presente para exercitarmos nosso dever de uma boa leitura. Nos 30 e poucos anos fiquei um tempo grilado com esse tema, mais o medo da morte do que de envelhecimento. Nessa fase não acreditamos que isso aconteça...hehehe. Estava no auge da formação da família, 3 pequenos de 0 a 5 anos e assumindo as primeiras funções de mais complexidades. Felizmente, um jovem médico do posto da nossa querida Cassi, no ed. Sede I, diagnosticou elevado stress, resolvido com uns 2 anos de acompanhamento de um homeopata, por ele indicado, muita leitura e o apoio da Goretti. Do envelhecimento , tenho necessitado de alguns freios de mão da família: não subir no telhado, não podar galhos mais altos, por "esquercer" que as juntas não são mais as mesmas...hehehe, puxado um pouco do meu pai que nos deixou, ano passado aos 94. Quando tinha 80, fez retirada total da próstata. No retorno ao médico, duas semanas após, indagou se ao chegar ao sítio poderia andar a cavalo. Também aos 70, ficou muito chateado por não conseguir por no ombro um mourão, de madeira, de mais ou menos 60 kg, ligou pra minha irmã dizendo que estava "liquidado", fazia isso com uma mão só. É a cabeça mais jovem que a máquina. Viva a vida e, melhor, com boa saúde. Abraços
    Miranda

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  28. Rapaz, vou me concentrar em não ser o polara. As coisas vão ficando mais complicadas mas não impossíveis de resolvê-las. Vou mais pro "me engana que eu gosto". Fazer, do que sobra, um jantar magnífico.

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  29. Essa abordagem - o passar do tempo - sempre mexeu de uma forma significativa, comigo. Ter lido Cem Anos de Solidão, avivou essa forte impressão, que é o passar do tempo. Esse "envelhecer". Sentimentos que tão vivamente soubestes colocar nessa agradável crônica. Somos aprendizes, errando o tempo todo, sonhando em morrer jovem, o mais velho possível.

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  30. Há um dito popular que diz - "O DIABO É O QUE É, NÃO POR SER SABIDO, MAS POR SER VELHO, AFINAL, ELE É ANTIGO".
    Pode parecer esdrúxula a comparação, mas sempre haverá quem a contemple, afinal a velhice produz ensinamentos.
    De minha parte, entrando celeremente no ocaso da vida e sem crença de que as coisas não acabam aqui, consolo-me pela família e amigos que tenho, além da constatação de que a alternativa pra não chegar à velhice é morrer cedo.
    Então, quando a hora chegar, espero poder encará-la com a serenidade com que tento entender a vida.
    De resto, além da preciosidade do texto, você contribui para que incursionemos por tema tão sensível.
    Que a vida lhe permita continuar contribuindo para a alegria de seus leitores pelos próximos SETENTA ANOS...

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  31. Agostinho Torres da Rocha Filho8 de abril de 2021 16:18

    O texto nos induz a uma reflexão sobre a idade avançada e a velhice. Os passos do idoso são lentos porque ele carrega uma criança, um jovem e um adulto em seu interior. Já o velho é o ser humano que se tornou obsoleto e sonha com o passado que não voltará jamais. Vivamos muito, portanto, mas não sejamos velhos. Velho é o mar... Belo texto!!!

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  32. Hayton, concordo com você quando diz que "velho é o mar, e ainda assim, continua cheio de onda". A velhice é uma conquista também. Sua crônica nos faz refletir sobre essa fase da vida. Achei interessante quando seu mano Agostinho disse que os "passos do idoso são lentos porque carrega uma criança, um jovem e um adulto em seu interior", e eu completaria dizendo que adicione-se a isso as memórias que cada fase deixou. Mais um presente seu para nós. E de brinde, "O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã." um abraço

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  33. Hayton, sua crônica nos faz refletir sobre a vida e saber envelhecer com sabedoria. Concordo com você, quando diz que "Velho é o mar, e ainda assim, continua cheio de onda".
    Quem pode mais, pode menos. Quem pode rir, dançar, amar a vida e dela só tirar alegrias, merece viver milhões de anos.
    Valeu Primo!
    Maria de Jesus Almeida Rocha.

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  34. Hayton, linda reflexão sobre viver, envelhecer e sobre as escolhas que podemos fazer na vida. E que bom você ter decidido não "engolir em seco" para nos proporcionar crônicas tão belas no "baile da tarde". Obrigada!

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  35. É realmente incrível a capacidade que o ser humano possui de se reinventar a cada dia, adaptar-se ao “novo”. Que o diga a “pandemia”.

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  36. Sabe amigo, quando paro na agitada vida de aposentado que ando levando, cacacacaca, e arrumo um leito de paz para nele deitar e te ler, eu abro um sorrisão. O texto de hoje é antológico. Deveria ser prescrito pela PREVI, para todo colega que se aposentou. Trata-se de uma obra prima, que cada parágrafo se revela um plenitude, nele mesmo, dispensando os demais, como se pudesse. Começando pelo opúsculo dos 3 Interessados. Que no seu conjunto são uma verdadeira terapia do bem viver. Já a paranoia da coleira, é algo pra ser lido umas três vezes pra deixar se fazer presente a dicotomia razão x ração. Amigo, eu estou muito certo em guardar teus textos para momentos especiais, como hoje. E, ganhei o dia. E que capítulo de um "Lunário Perpétuo" tu nos presentou!!! Show.

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