quarta-feira, 31 de agosto de 2022

O tempo só anda de ida

Eu sabia fazer botão de futebol de mesa de um jeito perigoso. Numa “panelinha” medidora de leite em pó, untada com sabão, misturava pedaços de material plástico rígido (tampas de frascos de remédios, restos de canos, de lanternas quebradas de automóveis etc.) que encontrava no lixo. Depois, derretia numa chama de lamparina ou vela, inalando alguma fumaça. Quando a temperatura diminuía, abaulava no chão de cimento as bordas, polia com folha de cajueiro bravo e, com uma flanela, esfregava pó de sobras de azulejo até brilhar. 

 

Antes dessa "técnica", usava quengo (casca) de coco como matéria-prima. Mais tarde, aprendi a fazer botão de “vidro inquebrável” – era assim que chamávamos acrílico há pouco mais de meio século. 


Desaprendi tudo. Duvido que hoje tivesse coragem de quebrar a janela de acrílico, rachada, do ônibus que fazia a linha entre os bairros de Ponta da Terra e Ponta Grossa, em Maceió, para, na Praça das Graças, escapar pela porta de entrada sem pagar a passagem, mesmo tendo no bolso o passe estudantil. 

 

Duvido que fosse capaz de usar uma serra para tubos de PVC e cortar quadrinhos de acrílico de mais ou menos 4cm x 4cm, arredondando-lhes as quinas no batente do quintal da casa em que morávamos na rua da Vitória, próximo ao mercado, no bairro da Levada. Depois, colar entre dois discos quase perfeitos a imagem de um jogador de futebol, recortada da revista Placar. Ao lado dela, fixar nome ou apelido e o número da camisa que defendia. O rito de acabamento era o mesmo dos botões feitos na “panelinha” medidora de leite em pó.

 

Você que é mais novo – chega uma época em que quase todo mundo é mais novo do que a gente – pode não acreditar, mas houve um tempo em que não se tinha dúvidas sobre quem eram os donos das camisas nº 10 de Santos (Pelé), Palmeiras (Ademir da Guia), Corinthians (Rivellino), São Paulo (Pedro Rocha), Cruzeiro (Dirceu Lopes), Botafogo (Jairzinho), Fluminense (Samarone), Vasco (Silva) etc. Ídolos como Roberto Dinamite e Zico explodiriam um pouco mais tarde, em 1973.

 

E caprichávamos para que o nº 10 fosse o botão mais temido, quando, de palheta ou pente na mão, olhar fixo e respiração contida, dávamos o ultimato ao adversário: “coloque-se!”. 


Restava ao oponente implorar aos deuses do futebol de botão para que o goleiro – caixa de fósforos revestida com as cores e o escudo de seu time, cheia de grãos de chumbo para não fraquejar ao menor esbarrão – defendesse o tiro, evitando que a bola acabasse no fundo da meta. Tanto mais se a partida estivesse empatada e o árbitro, de olho nos ponteiros do relógio, emitido o alerta: “10 segundos pra acabar... Último chute!” 

 

Deuses, aliás, que devem guardar consigo uma boa desculpa para o fato de o meu nº 10 nunca ter sido lá essas coisas. Vivia perdendo gols “feitos”. Talvez porque Silva, o “Batuta”, tivesse vida pregressa suspeita, ligada ao Flamengo. Na vida supostamente real, ele só chegou ao Vasco aos 30 anos de idade, em fim de carreira, para participar da campanha vitoriosa do Campeonato Carioca de 1970.

 

Meu botão de “vidro inquebrável” quase perfeito, cruel, implacável com meus “inimigos” de rua ou de casa, era o nº 8: Buglê. Disparado o melhor deles, era capaz de façanhas memoráveis, como acertar 99% das finalizações em embates contra o São Paulo ou o Fluminense de meus irmãos Agostinho (Nena) e Hélio (Lica). 

 

O “outro” Buglê (José Alberto Bougleaux), o das narrações inesquecíveis de Waldir Amaral, da Rádio Globo, é autor do primeiro gol da história do Mineirão, num jogo entre a Seleção Mineira e o River Plate, da Argentina, realizado em 5 de setembro de 1965. Começou sua carreira no Atlético-MG, depois defendeu o Santos, onde atuou ao lado de Pelé, Carlos Alberto, Clodoaldo etc., antes de, aos 24 anos, virar ídolo vascaíno, entre 1968 e 1974. Jogou até os 32 anos, aposentando-se em 1976, no América-MG.

 

E tocou sua vida na ladeira sem volta da meia-idade. “O tempo só anda de ida”, dizia o poeta Manoel de Barros, que via na infância um território de liberdade e defendia o "criançamento" das palavras. “Meu quintal é maior do que o mundo", dizia.

 

Fiquei sabendo bem depois que Buglê fixara residência em Brasília. Conheci-o no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, na abertura oficial da exposição “Brasil... um país, um mundo”, em dezembro de 2013. Quem me apresentou foi Clodoaldo, volante tricampeão mundial no México, em 1970, que também conheci naquela ocasião. 

– E aí, Buglê, o que tem feito da vida? – puxei conversa.

– Nada muito sério. Depois que larguei o futebol, moro aqui numa chácara, cuido de umas cabeças de gado, pesco, tomo minha cervejinha, essas coisas... 

– Você não vai acreditar... – e lhe contei esta história.

 

Descobri agora que ele convive com o Mal de Alzheimer desde 2014, ano seguinte àquele em que nos conhecemos. Havia um quê de lamento em suas palavras, talvez por não ter feito tanto quanto poderia depois que deixou de jogar futebol. 

Sim, "o tempo só anda de ida". Eu mesmo sabia fazer botões de futebol de mesa e, hoje, nem tento. Se tanto, conto histórias.

 

 

46 comentários:

  1. Amigo, um italiano, cujo nome não lembro agora, disse: “ O passado não existe, pq a memória se modifica. Tampouco existe o futuro, ela é apenas um depositário de esperanças. Só existe o presente, que tem a estranha mania de viver sumindo.”
    Obrigado por reavivar minha memória, com essa linda história de botões e buglês!

    ResponderExcluir
  2. Belo resgate do passado. Fez-me voltar muitas décadas na memória, quando também me era caro esse passatempo do futebol de botão. Ainda tenho guardado muitas dessas relíquias que, tal qual os jogadores reais, estão aposentadas faz um bom tempo, mas continuam tendo um valor sentimental sem preço.

    ResponderExcluir
  3. Na Sampaola desvairada usávamos o acetato dos relógios que coletávamos nos relojoeiros, o que deixava os times com jogadores de diâmetros diferentes. Antes de definir qual deles seri o camisa 10, todos eram anonimamente testados.

    ResponderExcluir
  4. O tempo só anda de ida, mas eu bem voltei uns 40 anos no tempo agora. Herdei do meu pai a paixão pelo futebol de botão quando criança. Não cheguei a fabricar as próprias esquadras como vc e ele - que não disperdiçava uma tampa de relógio velho -, mas recortei muita placar e fiz muito goleiro de caixa de fósforo. O climax do dia era quando meu velho chegava em casa do trabalho, à noite e cansado, e ainda assim disputava umas partidas comigo num "estrelão" mal colocado no chão, pra fazer andar o "campeonato brasileiro" anotado num caderno surrado. Bons momentos que o Atari enterrou anos mais tarde... é, pensando bem, o tempo só anda de ida mesmo, mas deixa boas lembranças pelo caminho.

    ResponderExcluir
  5. Sim, só de ida anda o tempo. Muito linda e emocionante crônica Hayton. Veio-me, ao lê-la, esse poeminha que escrevi em agosto, mês de ventos vindos e tempos idos...

    chronos
    :a morte
    dos dias

    passantes

    kairós
    :a vida
    não adia

    o instante

    -‘-

    os tempos
    joão gimenez
    joaogimenez.com.br

    ResponderExcluir
  6. Em lugar de Alcir, Zanata e Buglê poderia ter sido Clodoaldo, Hayton e Buglê. Criança rima com criatividade. Belo relato.

    ResponderExcluir
  7. E que histórias! Isso mesmo, só de ida. Mas como é bom viajar no tempo, especialmente com um motorista habilidoso como o Hayton!

    ResponderExcluir
  8. “O tempo só anda de ida” e o nosso querido Cazuza também disse “ o tempo não para” é verdade, e felizes aqueles que podem lembrar o passado de criança com tanta clareza e um toque de felicidade em cada momento vivido, tempos de criança , de estudante, talvez os melhores da nossa vida.👏🏻👏🏻👏🏻

    ResponderExcluir
  9. Hayton, amigo, você desaprendeu a arte de fazer botões de futebol de mesa … porém tornou-se mestre na arte literária das crônicas , que alegram o espírito e confortam os amigos !

    ResponderExcluir
  10. De novo, me pego lembrando do meu único botão puxador, claudiomiro, 9 do Inter. O resto eram botões de roupa da minha mão costureira. Fiz o nome dele e de tanto gol que eu fazia troquei por dez times de puxadores, o melhor negócio da minha vida, com 9 anos de idade. Kkk

    ResponderExcluir
  11. Lírico esse texto versando sobre o viver, centrando, como persona, o amor pelo futebol.

    ResponderExcluir
  12. Buglê era goleador no Vasco do meu irmão, Max. Jogamos infinitas partidas com meu Flamengo de Geraldo e Zico. Minha mãe era costureira e o Futebol de Botão era mesmo com botões.
    Com exceção do 5 vira 10 acaba todo tempo é uma ilusão.
    Dedé Dwight

    ResponderExcluir
  13. Minha habilidade com futebol de botão era equivalente à que eu tinha para o futebol convencional: zero!
    Mas o Buglê, apesar de sempre ter jogado no time errado, continua sendo uma de minhas boas lembranças de jogador de classe.
    Pena…

    ResponderExcluir
  14. Grande verdade: "o tempo passa só de ida". Mas ficam as boas recordações. Como estas narradas. Que rivalizam infância e a fase mais madura. Cada uma com seus encantos que, se bem contados, dá pra falar com prazer e encantamento. É isto que percebemos nas palavras bem combinadas do escritor. Uma grande paixão. Seja por aquele ou este tempo bem vivido.
    Roberto Rodrigues

    ResponderExcluir
  15. Beleza de texto Hayton. O passado é generoso. Abs. Gradim.

    ResponderExcluir
  16. Voltei no tempo! Lembrei até dos meus jogadores/botões de chifre feitos pelos presidiários da Tamarineira, lá em Recife. Belo resgate. Recordar é viver. Valeu Hayton!

    ResponderExcluir
  17. Pelo que vi foste da"pá virada"heim amigo. Muito boa sua narrativa.Dayse Lanzac

    ResponderExcluir
  18. Estou em uma sala de espera de uma clínica médica, aguardando minha vez para exames de rotina, quando vi o comentário " chegará o tempo em que você será o mais velho do local".... Olhei em volta... triste constatação!! Kkkk Importante é estar vivo! Com muuuuita estória pra contar!!

    ResponderExcluir
  19. Caro Hayton, lembro também do tempo em que negociávamos com os porteiros e zeladores para “guardar” as lâmpadas quebradas para fazer cerol, e disputar o espaço aéreo entre as quadras 214 e 215 sul!! A pipa que ficasse mais tempo no ar era a vencedora! Não vejo mais isso! Para bens pelo belo texto! Meus botões também não foram comprados, foram fabricados!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Grande Sérgio Nazaré, apesar do anonimato, sua “caligrafia” continua inconfundível. Deu até para imaginar como teria sido a infância da molecada nos primórdios de Brasília, traço do arquiteto sob o céu de um azul celeste celestial, como diriam juntos Caetano e Djavan.

      Excluir
  20. Administrar o percurso, com seus trechos planos, aclives e declives, cavando trilhas, auscultando o desconhecido, em meio ao imponderável e tentando, junto a tudo isso, não sucumbir frente às vicissitudes e anátemas da vida é algo quase ilógico.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Grande Leo! Você me fez recordar um conselho atribuído à psiquiatra alagoana mais famosa da história, Dra. Nise da Silveira, que propôs o seguinte: "Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas".

      Excluir
  21. No primeiro parágrafo, você dá uma aula de reciclagem, de reaproveitamento de resíduos, sólidos ou não, quando pouca gente se preocupava com isso.
    Mas essa sua aula de artesanato me levou de volta ao futebol de botões, que eu também jogava, mas nunca me atrevi a fabricá-los. Não sei se ela falta de paciência ou de competência. Ou ambas.
    Bela viagem ao passado, mesmo no tempo que só anda de ida...
    Luiz Andreola

    ResponderExcluir
  22. Bateu saudade da minha infância, quando fazíamos nossas bonecas, criávamos personagens com casca de melancia etc. você nos leva a lembranças esquecidas ao longo do tempo. Que maravilha!
    Perpetua

    ResponderExcluir
  23. A crônica me pegou em cheio.
    Já sou o mais idoso em muitos grupos que participo. Com pai e mãe falecidos, sou o decano da família!
    Mas ainda guardo os botões no coração. Minha estrela do time do Cruzeiro era o Darcy Menezes. Foi um jogador que “construí” na aula de Artes Industriais a partir de um botão do vestido da minha vó. Pra lixar, apertei demais na prensa e ele ficou rachado, do meio pra borda. Mas fazia gols incríveis. Virou inesquecível!
    Obrigado por reavivar a memória, Hayton. Neste sentido, o tempo voltou pra trás, sim! Rsrs

    ResponderExcluir
  24. Pois é, "o tempo só anda de ida"... Pura verdade! Quantas coisas deixamos de fazer, não porque desaprendemos, mas, provavelmente, porque nos foi possível ver que outros caminhos ou outras habilidades existem para fazermos melhor.
    Mas, de jeito como o tempo, a vida também só anda de ida...

    ResponderExcluir
  25. Que o tempo só anda de ida, é fato. Assim sendo, é pertinente dizer que o pêndulo do relógio não vai e vem. Só vai.
    .
    Parabéns!

    ResponderExcluir
  26. Vida que segue, vamos viver e não ter a vergonha de ser felizzzzzz

    ResponderExcluir
  27. Cleber Pinheiro Fonseca31 de agosto de 2022 14:20

    Caro Hayton, pode até o tempo só andar de ida, mas, felizmente, a memória pode dar marcha ré, que nem um veículo; se novo, fica muito fácil engatá-la, mas, como muitos de nós, já saídos de linha de produção, embora ainda rodando e por vezes muito bem conservados, quando falha a bateria ou o motor, encontramos sempre um empurrãozinho solidário para que nos ajude a “pegar no tranco”. Essa sua bela narrativa tem, dentre outros componentes, essa saudável propriedade. Desconfio até que em sua formulação você adicione pitadas daqueles milagrosos compostos minerais e nutrientes, pois estimulam a função cognitiva e a memória, além de melhorar o nosso humor.
    Sempre grato por nos rejuvenescer, em doses semanais, com o seu “elixir literário”.

    ResponderExcluir
  28. Agostinho Torres da Rocha Filho31 de agosto de 2022 15:19

    Se recordar é viver, felicidade é poder mergulhar no passado e de lá extrair boas recordações. Afinal, o tempo não para e só anda de ida. O texto retrata com muita habilidade incríveis momentos da infância e adolescência do autor, onde ficção e realidade denunciam sua paixão pelo futebol. Não importa se os botões eram feitos de casca de coco, plástico derretido ou vidro inquebrável; eles representavam ídolos reais e disputavam memoráveis partidas de futebol, que mais tarde seriam transformadas em matérias jornalísticas, ainda que para um único leitor. Resta lembrar que foi na maternidade do futebol de mesa que nasceu o admirável cronista da atualidade. Se ele não mais possui a mesma habilidade para fabricar botões, aprimorou sua habilidade de construir ótimos textos. Parabéns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Leitor cuja generosidade é altamente suspeita porque constitui nada menos que o maior adversário que enfrentei nos campeonatos de futebol de botão e o mais presente companheiro de sonhos, quintais e calçadas, desde que nasceu, apenas um ano depois de mim.

      Excluir
  29. Parabéns! Deliciosa crônica, Hayton.

    ResponderExcluir
  30. Gostei do trecho do comentário de Cléber Pinheiro Fonseca, que ficearia ótimo numa hashtag:
    #rejuvenesceremdosessemanais

    Tenho poucas lembranças do jogo de botão em minha infância. Quando muito, um botão de coco com o nome de Terto, ex-ponta do Santa Cruz, que veio depois pro São Paulo. O time nem era meu, mas de um adolescente do Recife que se mudou pra Ibotirama-BA.

    E meio-campo do América-MG mais distante que lembro foi: Pedro Omar, Juca Show e Spencer. Confere, enciclopédia Hayton?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lembro, Silas, inclusive do quarto personagem daquele timaço do América-MG: Cândido, o serelepe. Centroavante forte e veloz, era uma mistura de Fio Maravilha com Usain Bolt, aproveitando os lançamentos de Jair Bala (o legítimo).

      Excluir
  31. Que bela lembrança da minha infância onde também "fabriquei" muitos jogadores. E os melhores eram selecionados para compor o meu Cruzeiro.Essa sem dúvida é uma das crônicas que mais me emocionou nesta viagem só de ida.

    ResponderExcluir
  32. Confesso que não levava jeito para fabricar os botões de casca de coco. Sempre saíam tortos. tinha inveja do Zezé, o Testa, que
    sempre os faziam perfeitos, reluzentes. Não é sem motivo que viria a tornar-se um excelente marceneiro. Naquela época, sabíamos de cor a escalação dos times do Rio de Janeiro, até do Olaria, Bonsucesso, São Cristóvão, Madureira e Canto do Rio. Todos os amigos de infância, torcíamos por algum time caríoca; a exceção era o Zé Gama, que torcia pelo São Paulo, o que eu achava esquisito. O meu botão inesquecível foi o Pinga, do Vasco: ágil, certeiro, goleador.
    Adorei seu texto, Hayton.

    ResponderExcluir
  33. Oi Hayton, bom dia!
    Como já havia comentado com você, sou preguiçoso para ler, e hoje me dou ao luxo de só ler o que quero e quando quero, diferentemente dos tempos de BB.
    Já tinha dito antes, repito, como estamos na mesma faixa etária, muita coisa que você escreve e passou, também vivenciei.
    O futebol de mesa esteve muito presente na minha meninice, não tinha habilidade e conhecimento para fabricá-los, mas está muito presente nas minhas recordações da minha infância e adolescência.
    Disputávamos torneios e campeonatos contra o Internacional de Caé, o Santos de Manteiguinha, o Galícia de Bó, o Corinthians de Ismael, o Flamengo de Bebão, o Palmeiras de Foguete, e o meu time era o Ideal de Santo Amaro da Purificação, time que chegou a disputar o Campeonato Baiano de Futebol Profissional, pois sendo o meu time rubro-negro e como era um dos mais novos, a preferência pela escolha dos times era sempre dos mais velhos, então, não pude escolher o Vitória ou o Flamengo, já tinham “donos”.
    Mas essa crônica me fez viajar no tempo, e ao contrário do que você afirma, “o tempo só anda de ida”, nesse caso o tempo voltou.

    ResponderExcluir
  34. Fazia tempo que eu não vinha aqui nessa sala de conversa tão gostosa...
    O tempo anda só de ida.
    Também tive essa ventura de fabricar os "jogadores dos times de botão" usando essas maravilhosas e eficientíssimas técnicas.
    Mas, falando do dito de Manoel de Barros, o tempo anda só de ida, nos deixando, porém, um "carretel" de realizações, conquistas, perdas, amores, etc. que, vez por outra, nos flagramos vivendo e sentindo tudo de novo.
    Até mesmo no vocabulário de cada um de nós, muitas vezes, o tempo ainda não foi. Está pertinho de nós.
    Lembro que os jardins, as praças, as ruas, quando criança, eram imensos para mim. O mundo era maior do que agora.
    Dimensão difícil de explicar, o tempo.
    Grande abraço do amigo e admirador Mário Nelson.
    PS: Preciso me entender melhor com o cadastro de postagem dos comentários. Dificuldade própria para quem o tempo ainda não foi.kkkk

    ResponderExcluir
  35. Ótima crônica Hayton. Recordações pessoais vividas e externadas
    por outras pessoas sempre induzem nós mesmos a refletir sobre causos de nossa vida.
    Parabéns.

    ResponderExcluir
  36. Nada sei sobre futebol de botões mas sei apreciar um bom texto. Daqueles que poderiam ser escritos por todos os seus leitores, certamente tão bons escritores quanto jogadores, e quase tão bons quanto você!

    ResponderExcluir
  37. Você me fez voltar ao passado, quando eu mesmo tinha de construir meus brinquedos. Um pedaço de ripa tornava-se um carro cujas rodas eram dois carretéis de linha... futebol de botão veio um pouco mais tarde... mas fui ensinar meu neto a fazer um brinquedo e duas coisas ocorreram: primeiro eu já não me lembrava como era exatamente, segundo, meu neto me questionou se não era mais fácil comprar pronto... tempo só anda pra frente mesmo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esses netos são uns subversivos mesmo! Vivem nos lembrando que o tempo só anda de ida. Ainda bem!

      Excluir
  38. Pô, amigo, humilha, mas não tripudia. "Se tanto, conto histórias" é bem mais que modéstia do orador, é sacanear mesmo os desprovidos da capacidade intelectual "hospedada" em você.
    Nada obstante - pra lembrar a linguagem utilizada nos tempos do BB - não tem como não elogiar um crônica como esta sob comentário. Não bastasse o primor do texto, você ainda nos remete a lembranças de tempos maravilhosos - a adolescência - em que o jogo de botões era uma das diversões prediletas.
    Também eu pratiquei muito o esporte, conquanto meus times fossem compostos por "atletas" sempre adquiridos, um vez que minha "habilidade" manual é por demais conhecida e até comentada - há até uma querida amiga, ligada ao espiritualismo, que diz que há um "ausente presente" em minha vida, tão desastrado que sou com as mãos, estou sempre derrubando coisas que carrego.

    ResponderExcluir
  39. Eu pegava galalite (hoje chamado baquelite) no lixão que ficava no final da rua da Floresta, já perto do mercado.
    Fazia botões de futebol de botão, na mesma técnica que você citou! Há 60 anos atrás! Realmente o tempo só anda pra frente!

    ResponderExcluir