abril 22, 2026

A volta do Chupa-cabra

A VOLTA DO CHUPA-CABRA 

Hayton Rocha

 

Uma série de mortes de porcos tem intrigado moradores da zona rural de São Brás, no agreste alagoano, onde a noite costuma ser tão calma que até o vento tem preguiça de varrer os sítios.


O caso se deu no Povoado Lagoa Comprida. Segundo os criadores, alguns porcos foram encontrados mortos de maneira incomum: cortes circulares, furos redondos na barriga, na cabeça, no pescoço e, o que mais causa espanto, sem uma gota de sangue.


Morte com cortes e furos, sem poças de sangue, sempre parece esquisita em qualquer lugar. O mais assustador, dependendo da imaginação de quem relata, é que ninguém ouviu nada. Nenhum latido ou correria. Nenhum grunhido de porco indignado com a sorte. E, na manhã seguinte, o mistério estendido no chão.


Como todo mistério que se preze, logo surgiram teorias. Primeiro vieram as hipóteses razoáveis: cães selvagens, raposas, algum predador noturno que a ciência ainda não teve tempo de catalogar.


Mas a razão tem pouco fôlego quando encontra a madrugada do agreste. Logo alguém lembrou de um velho conhecido do folclore do interior: o chupa-cabra.

Depois de ler a notícia, meu pensamento não foi diretamente ao sobrenatural. Só me veio à cabeça a fauna política.


Ilustração: Uilson Morais (Umor)


Na tradição oral e em algumas ressacas coletivas, o chupa-cabra aparece nas sombras, suga o sangue de animais domésticos e desaparece sem deixar pegadas. Comportamento que, a gente sabe, também descreve boa parte dos operadores de licitação de obras públicas.


Dizem que a criatura parece um cachorro grande, metade demônio, metade lobo. Anda ereto, tem garras enormes e uma disposição  incomum para transformar galinheiros tranquilos em assunto para o programa matutino de rádio.


No caso de Lagoa Comprida, porém, nem pegadas foram encontradas. O que só adubou a fertilidade da imaginação popular. Então alguns moradores cogitaram chamar um biólogo. A ciência, afinal, costuma ser convocada quando o folclore começa a criar asas.


Ocorre que o chupa-cabra, com sua habilidade para sugar sangue e deixar carcaças vazias, sempre me pareceu um parente distante, ou próximo demais, de certas figuras íntimas do orçamento público.


Se ele suga o sangue dos animais, há também quem sugue a seiva vital do dinheiro público. O primeiro deixa cabras, galinhas e porcos pelo caminho. Os outros deixam ambulâncias sem combustível, funcionários com salários em atraso e hospitais sem remédio.


No caso do chupa-cabra, a vítima é bicho de terreiro. No caso dos sanguessugas do orçamento, a vítima é algo maior porém mais indefeso: a sociedade.


O modo de agir também tem diferenças. O chupa-cabra age de madrugada, sem testemunhas, instalando o horror. Já os outros preferem a luz branca dos corredores palacianos. Trabalham em cima de contratos, licitações, superfaturamento de notas fiscais e pareceres técnicos redigidos numa linguagem tão incompreensível que ninguém sabe exatamente quem chupou o quê. 


O resultado, no entanto, é parecido. O corpo social acorda mais pálido, tonto. Como alguém que perdeu sangue demais e ainda recebe a conta salgada do hospital na manhã seguinte.


A diferença é que o chupa-cabra ainda não teve sua existência comprovada. Já os sanguessugas ganharam até nome em operação policial. O monstro é mito. Os outros têm CPF, passaporte, RG e, às vezes, foro privilegiado.


Enquanto um pertence ao folclore rural, os outros frequentam gabinetes climatizados, fazem discursos sobre ética e aparecem na televisão falando em responsabilidade fiscal com a placidez de quem acaba de drenar uma lagoa.


No fundo, a comparação entre os dois é apenas uma tentativa de explicar safadezas usando imagens que até o galinheiro entende. Se o Estado funciona como um organismo, o dinheiro público é o sangue. E quando alguém vive de sugá-lo, não demora e o corpo começa a cambalear, zonzo, como galinha que anda em círculos no quintal antes de cair.


Quem sabe por isso histórias de monstros sobrevivam no interior. Elas ajudam a nomear aquilo que a lógica não explica, aquilo que a lei não alcança e aquilo que a vergonha não pega pelo rabo.


Tomara que a investigação descubra algo menos feio do que as sem-vergonhices de sempre. Já basta porco morto, sem sangue no chão e povo sem dormir. Seria uma pena estragar um mistério tão caprichado com mais uma safadeza.


No país onde o surreal trabalha inclusive em feriados e fins de semana, é possível que o verdadeiro mistério não esteja nos porcos de Lagoa Comprida. Mas no fato de que, enquanto procuram monstros no meio do mato, os verdadeiros vampiros já circulam livremente em mais uma pré-temporada eleitoral.


E, pior de tudo, pedindo voto.

42 comentários:

  1. ADEMAR RAFAEL FERREIRA22 de abril de 2026 às 04:55

    Um detalhe muito importante o chupa-cabra rural gosta de sangue de animais de médio porte e chupa-cabra urbano/palaciano gosta de dólar, euro, relógios e carros de luxo, joias, festas movidas a bebidas e comidas sofisticadas. O primeiro pertence ao folclore, o segundo ao mundo real.

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  2. Luís Eduardo Pessoa22 de abril de 2026 às 05:04

    Uma lembra de que assombrações do imaginário popular são menos nocivas do que aquelas que circulam com naturalidade pelos espaços de poder. Excelente crônica!

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  3. Moro no meio do mato e aqui não tem aparecido chupa-cabra, mas já sinto cheiro de vampiro! Cheiro forte que vem de frente, vem de trás, da direita, da esquerda! É preciso ficar atento ou a dentada vem certeira, bem na jugular!’

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  4. O chupa-cabra está solto
    Não adianta correr
    A máscara de jacaré
    Já não dá para esconder
    A cara desse ladrão
    Opera em licitação
    Sempre mata e faz sofrer.

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  5. Caro
    Hayton.

    A realidade é que o verdadeiro Chupa-Cabra brasileiro não está no mato, mas nos tribunais e gabinetes.

    Enquanto o povo se distrai com lendas, a cúpula do Judiciário e os donos do orçamento operam como os autênticos predadores.

    Eles se corrompem uns aos outros, se protejem, sugam o "sangue" do país (o nosso dinheiro e a nossa segurança jurídica) , roubando a esperança de uma nação.

    No fim, a diferença é cruel: o bicho da lenda é invisível, mas os "vampiros" de Brasília têm foro privilegiado, usam uma linguagem que o povo nao entende para se proteger, e ainda aparecem na TV pregando ética enquanto a sociedade acorda cada dia mais fraca e sem esperança . Corajosa a sua crônica caro amigo.

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    1. Note, meu caro Izaias, que não menciono nomes, mas há um motivo bastante razoável: faltaria espaço no blog.
      A fauna é enorme, diversificada e resiste bem em todos os nossos biomas.

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  6. Bom dia Caríssimo Parahyba!

    De fato, esses Chupa Cabras urbanos, entronizados em luxuosos gabinetes, agem com avassaladora severidade.
    Corre notícias por toda a sofrida Terra Brasílis que, há pouco, houve “confraternização” de membros de confraria “Chupacabreana”, alguns deles literalmente disfarçados de morcegos 🦇 , no exclusivíssimo George Club, em Londres, onde foi degustado o whisky The Macallan, cuja dose custa o “olho da cara”👀
    E à guisa de canapés, serviu-se selecionadas iguarias do mar do Norte.
    Vida que segue 👻

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  7. Mestre Hayton,

    Sua crônica me fez recordar meus tempos de caixa executivo e os esquemas de funcionários fantasmas que sangram o poder público desde a década de 80. Vi secretários municipais acumulando maços de contracheques "fantasmas" enquanto ostentavam mansões e champanhes. O chupa-cabra real não está no mato; ele usa terno e opera rachadinhas. É um crime mais aterrador do que os mistérios de Lagoa Comprida, e bem que a "mordida" desse monstro poderia ser no pescoço dos corruptos. Infelizmente, a justiça local parece paralisada, repetindo a impunidade dos grandes clãs. Simbora com fé e esperança de que um dia essa farra acabe e o banquete não termine, de novo, em pizza.

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  8. Bom dia, caro escritor Hayton!
    A crônica desta quarta-feira veio muito bem a calhar com o momento que vivenciamos no nosso país. Desnecessário dizer da oportunidade, folclore e instigação a refletir e até sonhar por dias melhores.
    Há, no mundo dos animais irracionais, uma gama deles que, como diz o ditado popular "se faz de doente pra ser visitado". Não é demais lembrar a nambu ou inhambu ( Crypturellus parvirostris) que se faz de morta para se livrar do predador.
    No mundo dos animais que pensam, falam, cantam e choram, não é difícil encontram nambus ou inhambus figurados, notadanente no mundo do crime trivial, a exemplo de estelionatários e, mais sibite e desavergonhados que estes, no mundo do crime granfino, os chamados políticos salvadores de pátria, "almas mais honestas" desde uma nação até um "pedaço" territorial sob liderança de alguém a quem seus iguais depositam confiança para lhes representar.
    Já tivemos de ouvir uma assertiva sobre político, que agride qualquer tímpano, para dizer da sua[dele] lisura "A profissão mais honesta é a do político. Porque todo ano ele tem que ir à rua pedir voto.", a ponto de ter sido confrontado o servidor público concursado, submetido a várias etapas de apuração de conhecimento, como menos importante que um político, até mesmo sendo jogado contra a opinião pública quando aqueles agem no seu ofício e sob a estrita autorização dos cânones nacionais e suas decisões desagradam as "almas honestas" ou, na maioria das vezes, estancam ou tentam estancar as indecentes sangrias às burras da azienda pública.
    A frase horaciana "Est modus in rebus, sunt certi denique fines” é atualíssima e sobejamente aplicada ao caso concreto nesta definição de político profissional, convenhamos.
    A cada dia, o crime que atinge os dinheiros do contribuinte do imposto ou das rendas apuradas por organismos estatais produtores, apresenta sofisticação inimaginada por um simples mortal, a exemplo das mais recentes, uma que desaguou na liquidação de um Banco e outra que surrupiou pequenos valores de indefesos velhinhos aposentados, especialmente daqueles sem qualquer alfabetização, mas que, ambas, mostraram cifras de desvios na casa de dezenas de bilhões de reais. U'a lástima, sim sinhô!
    No caso dos porcos de Lagoa Comprida, pelo visto, há esperança de sucesso em descobrir o agente causador - chupa-cabra - e, até mesmo criar um escudo protetor contra suas ações e/ou aplicar uma punição a este, não vai surgir, com certeza nenhum mandado proibitivo a que isso seja encetado e ao final consumado. Já no campo da "profissão mais honesta", não se pode ter esta tranquilidade, não é mesmo?, hão de surgir mandados estancadores de apurações investigativas e autorizadores a esses "seres honestos", extensivos a familiares e amantes, a não comparecimento à sede do aparelho investigativo ou, em comparecendo, façam ouvido mouco ao perguntamento dos agentes públicos encarregados de esclarecimento das mazelas causadas aos cofres públicos ou às receitas dos velhinhos indefesos e pessoas com deficiências graves, inclusive de cognição e locomoção.
    "Nem tanto ao mar, nem tanto à terra" não cabe, ao meu sentir, em apuratórios sérios para apontamento de agentes do mal, saqueadores dos dinheiros públicos ou privados. Há de ser levado a cabo a verdade comprovadamente encontrada nessas ações delituosas e aplicada a pena necessária e prevista no ordenamento jurídico, cabendo ao povo eleitor a maior e mais digna sentença aos maus políticos - porcos pensantes -, não elegê-los ou reelegê-los.
    É tempo de exercício de cidadania, sem medo de ser feliz.
    Justitia!

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  9. Maravilha de crônica! A diferença entre a lenda e a realidade brasileira é que os verdadeiros chupa-cabras continuam agindo no coração do Brasil político, Brasília, onde tem chupa-cabras para todos os gostos. (Emilton)

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  10. Triste e dura realidade.

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  11. Tem chupa-cabra de todo jeito. E abril é o mês dele. Só que resolveram chamá-lo de Leão, mas creio que a voracidade do Leão - o animal - nem seja tanta quanto a do Estado brasileiro. Nelza Martins

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  12. Um ET utilizando a IA para causar inveja ao drácula. Os políticos se acham imortais ao exercerem seus "podres poderes", desviando verbas públicas, verdadeiros sanguinários ao representar a população nas três esferas. Até certos religiosos estão sugando e explorando a população, com lavagem cerebral e usando o nome de DEUS em vão.

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  13. ROBERTO SANTOS FERNANDES22 de abril de 2026 às 07:37

    O caso dos porcos requer a investigação de uma especialista como a jornalista Linda Moulton Howe, muito famosa por suas pesquisas acerca do assunto, quanto aos políticos, é caso sem jeito, infelizmente.

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  14. Que interessante essa crônica, que compara dois bichos parecidos.

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  15. Quando se trata de "vampiros" do orçamento público, em qualquer época, as crônicam parecem atualizadíssimas.

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  16. Irretocável!
    A diferença é que os chupa-cabras do mato têm alcance limitado no tempo e no espaço.
    Já os faunos urbanos são onipresentes, ainda que com nomes pueris, carnavalescos, até simpáticos, como penduricalhos..

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  17. Meu caro Hayton, voce e sua genialidade com as palavras, nos leva a importantes reflexões .

    Como mudarmos essa triste realidade ? O que faremos em prol dos
    nossos netos, para uma sociedade mais justa em um pais com tantas riquezas?

    Na minha humilde opiniao, tudo começa nos valores que nutrimos no ambiente familiar , devendo ser fortalecido nas escolas e universidades !

    Com um mundo cheio de distraçoes e redes sociais influenciando a formaçao de crianças , precisamos agir !

    Poderiamos nos mobilizar para aprovarem uma lei proibindo o acesso a redes sociais antes de 16 anos, por exemplo .

    Temos que cuidar dos valores e referencias das novas gerações . Talvez seja uma maneira de reduzir a populaçao de vampiros.

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  18. História real, com leveza! E o povo, vai continuar escolhendo esses sanguessugas?

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  19. Belíssima crônica, mestre Hayton.
    O mistério da morte repentina de suínos, ovelhas e cachorros no Povoado de Lagoa Cumprida (AL), tem levantado diversas teorias na comunidade. Será mesmo o chupa-cabras? Só saberemos depois dos processos investigativos.
    Por outro lado, ainda pior, é a corrupção na política, que afeta a legitimidade dos governantes, alimenta a violência e inibe o desenvolvimento econômico. Sua perpetuação, através de vários escândalos, um atrás do outro, tem levado a descrença da população nas instituições democráticas.
    Afinal, quem é mais perigoso os chupa-cabras ou sanguessugas da nação? Com base nas lendas e informações disponíveis, a resposta depende se estamos falando de perigo real ou folclórico.
    Mas, acredito que os sanguessugas da nação, esses sim, são de longe mais perigosos.

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  20. Perfeita! Sem tirar, nem por! Parabéns!
    No folclore o chupa-cabra nos diverte, na vida real, se diverte com a gente.

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  21. A notícia sobre o suposto aparecimento de um “chupa-cabra”, causando grandes prejuízos aos criadores de porcos, acaba provocando mais espanto e preocupação do que aqueles que, como verdadeiros “sanguessugas” — gabirus, mitos e tantos outros — consomem o dinheiro público com rapidez e, infelizmente, já não nos surpreendem mais.
    Fico na esperança de que a solução, ainda que leve tempo e dependa do amadurecimento de uma consciência voltada à preservação e ao bem coletivo, esteja no voto consciente.
    Parabéns, Hayton, por mais uma vez nos brindar com suas crônicas inteligentes e provocativas.

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  22. Quando o "chupa-cabra" vira o supremo dos animais, recorrer a quem? Ao leão? Muito perigoso, pois também é um sanguessuga. Hayton, você e suas analogias geniais. Parabéns!

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  23. Deparar com uma crônica de extrema qualidade, reflexão e chamado é um grande presente do bom dia. Chama a todos, encarar, uma grave realidade que transformou a imaginação rural em uma prática humana, repugnante. É impressionante como o discurso no Brasil ainda suplanta a Ética, em plena Era da Mudança, da possibilidade de acompanhamento, conhecimento.......
    Vida que segue...

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  24. Nosso amigo Wagner Gomes postou algo semlehante... Muito oportuno https://blogdopco.com.br/minas-gerais-artigos/o-quinto-da-derrama/

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  25. Muito boa a correlação entre chupa-cabras e políticos. Interessante que nós - que nos julgamos o povo honesto e bem informado - não temos muito o que fazer sobre os lendários chupa-cabras. Mas não há um político desonesto que não seja eleito exatamente por nós!

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  26. Hayton, você foi no alvo! A analogia folclórica bem se aplica... embora, as consequências dos "chupa-cabras" politicos seja mais maléfica.

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  27. Crônica atualíssima, misturando o tempero do folclore nordestino com pitada de crítica social.

    A analogia é certeira e incômoda: o chupa-cabra folclórico suga sangue de animais, já os “chupa-cabras” do dinheiro público, especialmente em ano de eleição, fazem estrago mais profundo e com requintes de aparente legalidade. São os especialistas em deixar cofres públicos anêmicos, obras e promessas cheias de vento.

    Ao fim e ao cabo, a crônica acerta em cheio ao sugerir que talvez o maior mistério não esteja nas cercas de Lagoa Comprida, mas nos gabinetes climatizados. Porque, se o chupa-cabra do agreste ainda gera dúvida, os dos nossos impostos, são espécie catalogada, embora e curiosamente, ainda difícil de capturar.

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  28. Infelizmente nossos vampiros vieram caprichados…

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  29. Boa analogia 😂😂😂

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  30. A comparação mostrada nesta crônica, demonstra claramente o instinto de sobrevivência dos irracionais e a ganância racional pelo poder e pelo dinheiro que, a cada ano, está mais voraz, desumana e incontrolável

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  31. Agostinho Torres da Rocha Filho23 de abril de 2026 às 09:14

    "A corrupção é o cupim da República. República suja pela corrupção impune tomba nas mãos de demagogos que, a pretexto de salvá-la, a tiranizam. Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da República."
    As palavras proferidas pelo do Dr. Ulisses Guimarães em pleno Congresso Nacional sintetizam com clareza a ideia central do texto, que nos induz a refletir sobre as próximas eleições. Bela crônica! Parabéns!

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  32. Desse jeitinho Hayton. Como sempre, crônica formidável e, nos tempos atuais, muito oportuna. Mais uma vez, parabéns!

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  33. O mais estarrecedor é perceber que o “chupa-cabra” que drena nossas vidas fala bem, convence fácil e, mesmo deixando rastros, pouco se importa com qualquer punição. A amnésia coletiva, somada à falta de consciência social e política, acaba permitindo que esse tipo de gente se mantenha no poder, ainda por cima com respaldo popular.
    Na Bahia, chamamos de “chupa-cabra” os radares escondidos que multam motoristas. O que antes era apresentado pelas prefeituras das grandes cidades como instrumento de educação no trânsito, hoje se transformou em mecanismo de arrecadação, muitas vezes com metas a serem cumpridas pelos agentes.
    Enquanto porcos sangram nos terreiros, vítimas de um imaginário alimentado pelo medo e pela desinformação, é o nosso bolso que sangra diante das ideias mirabolantes de quem administra os cofres públicos.
    Parabéns, Hayton!

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  34. Tenho saudades dos humoristas de outrora, que conseguiam nos fazer rir, falando verdades. Um dos personagens de Jô Soares tinha um "bordão" assim: "Eu não sou palhaço, mas estão me fazendo de palhaço!". Simples. Direto. Objetivo.

    A culpa é da ganância, da ambição e da falta de vergonha na cara. A corrupção sempre existiu, mas agora está escancarada, com o ladrão virando vítima e o lesado, algoz.

    É mais fácil acreditar em chupa-cabra, saci-pererê, mula-sem-cabeça, ET de Varginha, do que em "figurão honesto", infelizmente.

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    1. Complementando, as ilustrações do Umor também mostram essa verdades. É das poucas coisas que ainda me fazem rir.👏

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    2. A parceria com esse grande cronista, o meu amigo Hayton, tem-me facilitado conquistar o riso dos seus leitores. Fico feliz com suas palavras, caro João Alberto. Obrigado!...

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  35. Lá vem você com mais um tema que não só nos sacode, causa vários sentimentos, muitas reflexões e preocupações, também indignação.
    Afinal, não há "chupa-cabra" que consiga ser mais predador e malfeitor à Natureza, que os políticos desta infeliz Pindorama.
    E o pior, é que as mazelas por eles praticadas são não só aceitas, mas até cultuadas por seus sectários seguidores.
    Enfim, você resumiu aí os males que mais nos assolam. Não bastasse, ainda tem a charge genial do nosso querido UMOR, que ilustra definitivamente nossas particularidades.
    Continue mandando brasa.

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    1. O Volney nunca economiza em generosidade e eu sou um privilegiado por ter sua amizade. Obrigado, mais uma vez, meu querido amigo, por sua elogiosa mensagem!...

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  36. Hayton, com um humor fino e irônico, trazendo-nos o folclore do chupa-cabra, constrastando com os sugadores oficias da nossa sociedade, poderíamos concluir, por suposição, que se o mito fosse uma realidade, ainda assim não chegaria nem perto de certos “vampiros” conhecidos.

    Através desse imaginário popular, você nos revela algo muito mais concreto e inquietante, construindo uma critica social poderosa ao expor onde estão os verdadeiros monstros, inseridos em nossa própria realidade.

    Quando afirma que “os verdadeiros vampiros já circulam livremente em mais uma pré-temporada eleitoral,” faz um claro alerta que muito em breve estarão ocupando diversos gabinetes e cargos políticos, dando continuidade à prática em sugar o dinheiro público. E, em grande parte, isso só ocorre com a permissão da própria sociedade e eleitores.

    Então ficam as seguintes reflexões: se estamos em um estado de torpor social ou seria um tipo de Síndrome de Estocolmo coletiva, pois estamos sendo sequestrados e retirando nossos direitos, permitindo a continuidade de velhas práticas.

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  37. Preferia que fosse só folclore. Quanto aos outros, imagino a educação que receberam dos pais. Será que cabe o ditado: tai pai qual filho?

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A volta do Chupa-cabra

A VOLTA DO CHUPA-CABRA  Hayton Rocha   Uma série de mortes de porcos tem intrigado moradores da zona rural de São Brás, no agreste alagoano,...