OS QUE CABEM NO JIPE
Hayton Rocha
Nem bem o ano virou a esquina e já me chega, na segunda manhã de janeiro, uma mensagem de meu amigo Artur Roman, dessas que não chegam por acaso.
Não requer resposta imediata. Pede digestão lenta, café forte, janela aberta e lembranças antigas se mexendo em fogo baixo. Artur escreve com carinho e bisturi: elogia, provoca, cutuca onde dói e, no fim, costura uma dica preciosa.
Ele estranhou meu tom na última crônica do ano. Acostumado a me ver rindo das próprias quedas, viu melancolia demais em O cemitério das agendas. Achou que eu tivesse varrido gente inconveniente para debaixo do tapete, numa catarse discreta, para começar 2026 com o coração mais leve.
Dezembro tem esse mérito estranho: a gente faz balanço, limpa gavetas, joga fora recibos, rancores e algumas amizades com prazo de validade vencido.
Artur conhece bem o peso dos relacionamentos. Assim como eu, passou décadas nos andares altos de grandes empresas, onde o ar é rarefeito e os sorrisos, muitas vezes, forçados, protocolares.
Talvez por isso tenha deduzido, logo de cara, que aquela crônica falava menos de agendas e mais de ausências. E me pediu, com a delicadeza de sempre, que neste começo de ano eu lembrasse também da outra banda: a dos amigos que se instalaram em meu coração e ficaram.
Fiquei matutando. Já escrevi crônica nesse tom há alguns anos. Falei de amigos que partiram — ou me abandonaram — durante a pandemia, recorrendo a uma velha fábula de Esopo: dois amigos, um urso, uma árvore. Um sobe, o outro fica no chão. Moral eterna: amizade que abandona na hora do perigo não merece o nome que usa. O urso cochicha isso no ouvido do sobrevivente, com sabedoria de velho. Algumas lições só aprendemos quando o susto já passou.
Nunca tive muitos amigos. Um pouco por vocação, outro por itinerância. Mudanças de cidade, de rumo, de trabalho. A infância se espalhou em mapas diferentes. Da adolescência sobraram dois ou três nomes que ainda reconheço pelo riso, mas já não sei de suas dores nem de seus sonhos. Na vida adulta, conheci muita gente — gente boa, inclusive —, mas amigos, poucos.
Com esses poucos, brinco dizendo que eles cabem dentro do meu velho jipe: com cinto de segurança, janelas abertas e espaço apenas para as conversas necessárias.
Gosto dessa imagem. Amizade é como carro antigo: nem sempre comporta quem queremos, exige manutenção, faz barulhos estranhos, mas não nos deixa na estrada se a gente aprender a escutá-lo. Os que seguem comigo conhecem meus defeitos de marcha, aceleração e freios. Eu conheço os deles. Fingimos, por educação mútua, que não escutamos tudo nem vemos demais. E assim a viagem segue.
Também escrevi aqui, mês passado, que ouvi de um escritor uma sentença inesquecível: “Livro não é brinquedo”. Falava de lançamentos esvaziados, de cadeiras sobrando, de gente que só aparece quando há churrasco ou holofote. Dizia isso sem mágoa. Aprendera que o livro é pretexto para o encontro, não espetáculo. Que os poucos amigos que aparecem salvam a noite. Preciso registrar agora que esse cara, além do próprio, também sou eu.
Descobri que amizade é menos discurso e mais presença, mesmo a uma distância silenciosa. Amigo é quem aparece quando menos se espera. Quem se senta na primeira fila invisível. Quem entende que escrever — assim como viver — é lançar garrafas ao mar sem garantia de resposta. Às vezes alguém encontra, abre, lê. Às vezes não. Ainda assim, a mensagem precisa ser lançada, porque o gesto conta muito.
Pois é, Artur: você me sugere começar o ano falando da outra banda de amigos e leitores que fui juntando ao longo da vida e da escrita. Isso me remete a meu velho jipe. Quem já andou nele sabe. Sempre há alguém, no banco do carona, para ajudar a escolher o caminho quando a chuva cai pesada e a estrada, cheia de buracos, se bifurca sem aviso. Os outros vão atrás, reclamam do calor, do frio, da música — mas permanecem.
Não escrevi O cemitério das agendas por acerto de contas nem por ressentimento. Escrevi por necessidade, para que os vivos respirassem melhor. Os que ficam não exigem explicação nem discurso. Sabem, como eu, que amizade não cobra holofote nem promessa: pede estrada. E basta que sigamos juntos, mesmo calados, até onde o jipe aguentar.

Transitar nos dois extremos com sabedoria é missão para poucos, o cronista Hayton o faz com sua reconhecida sabedoria. Começou o ano com os dois pés e as duas mãos "como quem sobe em coqueiro". Sucesso.
ResponderExcluirBom dia, bom iniciar de ano literário, ano de cronista, de articulista, de escritor, afinal, caro Hayton!
ResponderExcluirGostei imenso da sua crônica de hoje; entendo que a provocação de Artur foi oportuníssima rsrsrs, cabendo a você, como coube, escrever, elegantemente, sem desagradar a ele e a tantos mais.
Quisera eu poder, ao menos, pongar no para-choque traseiro do seu Jeep, segurando firme na longarina que acolhe a capota, para, intrometido como estou sendo rsrsrs, participar da citação dos que cabem nesse veículo então desejado por muitos serem transportados.
Abraçaço
O jipe é feito coração de mãe: sempre cabe mais um, homem de Deus!
ExcluirPois é, " amigos" são aqueles que permanecem, apesar de nossos defeitos. Quem nos julga, é melhor que se perca nas curvas do caminho...
ResponderExcluirAmigo é “coisa para se guardar debaixo de sete chaves”.
ResponderExcluirEssa do jipe é nova. Gostei disso.
Aprendi com um coronel, que certa vez salvou um bancário no sertão alagoano, uma lição direta e precisa. O bancário reclamava da omissão de amigos numa briga em que se metera. O coronel foi certeiro:
Excluir“Meu filho, com a idade que tenho, já vi quase tudo nesta vida, e meus amigos cabem dentro da minha Rural.”
Hayton,
ResponderExcluirQue texto necessário para começar este 2026. Recebi sua crônica como quem aceita um convite para sentar no banco do carona desse seu jipe e, confesso, a viagem foi das mais proveitosas.
O Artur foi cirúrgico na provocação. É verdade que, às vezes, a gente se demora um pouco mais no "cemitério das agendas" para entender o que ficou para trás, mas a sua resposta a ele traz o equilíbrio exato. A metáfora do jipe é excelente, não só pelo saudosismo do veículo, mas pela honestidade da lotação: amizade de verdade não é ônibus de excursão, é transporte seletivo, para poucos e bons, com direito a todos os ruídos e solavancos que o tempo impõe.
Gostei especialmente de como você descreveu essa "manutenção" dos afetos. Essa educação mútua de fingir que não ouvimos todos os barulhos estranhos do outro é o que mantém a engrenagem girando. É a maturidade de quem já subiu e desceu muitos andares corporativos e hoje prefere o ar puro de uma estrada de terra, com quem entende o valor do silêncio e da presença sem holofotes.
Sua escrita, como sempre, consegue a proeza de ser leve sem ser rasa. Você fala de ausências e presenças com a propriedade de quem sabe que, no fim das contas, o que importa não é o tamanho da plateia no lançamento do livro, mas quem são os poucos que ajudam a decifrar o mapa quando a chuva aperta.
Obrigado por compartilhar essas reflexões. Elas dão um norte bom para os meses que virão.
Nossa Hayton, ficou linda a reflexão provocada pelo quetido Artur, outro doutor do texto. Abração
ResponderExcluirTu, que navegas pelo mundo, sabes que a metáfora do jipe te serve como vela ao barco. É na tempestade que se revelam grandes amigos; na calmaria, qualquer um se diz bom de leme.
ExcluirEu não sei quem está do lado, mas eu estou sentado em um daqueles banquinhos traseiros e laterais.
ResponderExcluirMaurício
Bom dia sou Edilson do assentamento Santa Izabel município de lagoa dos gatos recebi esta crônica de um amigo Edmilson Duarte achei muito enterresante ,não requer resposta imediata pede digestão lenta isso é muito bom
ResponderExcluirQue bom que você gostou, Edilson! Espalhe!
ExcluirEdilson de Santa Izabel Frases que devemos levar para nosso dia dia
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ResponderExcluirComo faço toda quarta-feira, li sua crônica e senti vontade de lhe mandar esta mensagem.
Dias atrás, você compartilhou no grupo da Centro uma reflexão sobre o baixo nível de interação, mesmo com mais de 160 amigos presentes. Entendi e senti perfeitamente o que você quis dizer. Às vezes, quando organizo um encontro do grupo ou proponho alguma ação solidária, também percebo que poucos se manifestam. É como estar em uma viagem de ônibus com 160 passageiros, mas com um sentimento de solidão.
Como conheço cerca de 90% dessas pessoas, sei que cada uma tem suas particularidades. Interajo com muitas no privado e percebo perfis diferentes: tem quem goste de conversar com todo mundo, quem prefira o silêncio, quem não se anima com muita leitura. Por isso, tempos atrás, lhe escrevi sugerindo que não parasse de enviar suas crônicas ao grupo. Tem gente que lê e apenas não comenta — seja por timidez, insegurança com o português, ou até por dificuldades com o uso das ferramentas digitais.
Sigo nesse “ônibus” com mais de 160 passageiros que, em sua maioria, se conheceram numa agência com prefixo 6X. E quando promovemos um reencontro, percebo que aquelas mensagens que pareciam não ter retorno, na verdade, foram lidas e compreendidas — só não foram sinalizadas. É nos encontros presenciais que essa conexão silenciosa se revela.
Gosto muito de ler suas crônicas. Às vezes, na correria dos eventos do clube, deixo para ler com calma. Mas leio sempre.
Começando o ano bem, com o jipe na estrada. Valeu, Hayton. Abração,
ResponderExcluirGradim.
Que esse Jipe caiba, ao menos, um FARIA! Hehehe. 🫶
ResponderExcluirMeu genitor teve um jipe capota de aço. Na época, eu, inconscientemente, dirigia pelas estradas da imaginação.
ResponderExcluirNão sei se por imitação, adquiri um jipe amarelo capota de lona. Era uma festa quando dava carona a famílias com crianças.
Lembro-me que um dia de muita chuva, a esposa com uma das nossas filhas, recém-nascida, tivemos que parar e pedir que entrássemos em uma casa na beira da estrada. O telhado da residência tinha mais buracos(goteiras) que tábua de pirulito. Agradecemos e seguimos em frente. Nos caminhos da vida, nem sempre fazemos amigos, mas eternizamos momentos felizes na nossa memória.
Profunda e necessária ❤️
ResponderExcluirHayton, você me remeteu a minha infância/adolescência, quando nosso tio Vavá (Genival) enchia enchia o jipe e saía conosco, em direção à Mata do Cabaú!! Quanta alegria, quantas risadas ... Saudades!
ResponderExcluirMais uma crônica maravilhosa. Me identifico muito com a essência do texto.
ResponderExcluirÉ isso aí, Hayton! Sigamos pelas estradas da vida nesse velho jipe, onde sempre há lugar para as boas amizades que nos ajudam nas travessias que virão. No silêncio do caminho, seguimos cultivando histórias que o tempo eternizará. Que em 2026 continuemos absorvendo suas crônicas das quartas-feiras, extraindo fôlego para nossa jornada pelos caminhos incertos da vida.
ResponderExcluirSimbora, curtir a vida com sabedoria, paz e amor.
É...amigo a gente conta numa das mãos e sobra dedo pra caramba.
ResponderExcluirA amizade não se constrói por obrigação. Os amigos de verdade — aqueles que caminham conosco, seja na presença ou no pensamento — permanecem por perto, como se estivessem no “quarto ao lado” ou dividindo o mesmo jipe. Basta bater à porta ou convidar para a próxima viagem. Não escolhemos todos os caminhos, mas podemos escolher quem não queremos levar no percurso. Sua crônica é instigante e sensível, Hayton. Confesso que já fiquei viciado nas quartas-feiras por causa dos seus textos.
ResponderExcluirRevirando meus guardados, encontrei uma antiga agenda de endereços. Do tempo em que só havia telefones fixos... Ali estão preservados, nomes e telefones de amigos, parentes, perdidos no espaço e no tempo. Afetos perdidos há muito pela distância ou pela morte. Confesso que rolou uma discreta lágrima revendo alguns nomes. Eu iria jogar fora aquela agendinha, simples, marrom, de capinha de couro. Não tive coragem. Voltei com ela para a mesma gávea onde sei que um dia, quando eu não estiver mais neste plano, alguém vai jogar fora dizendo “não sei porque a Isa guardava isso”....
ResponderExcluirParabéns, Hayton!
ResponderExcluirAmigo é aquele ser imprescindível nas nossas vidas. Amigo é quem chega quando o mundo sai e dos meus erros ri sem querer me julgar.
Tua crônica fala, com sabedoria, sobre o valor da amizade, Hayton. O amigo sempre se dá um jeito de se fazer presente, mesmo que não esteja próximo. Show de crônica, amigo!
ResponderExcluir*sempre dá um jeito...
ResponderExcluirNão esqueça de deixar nossa vaga nesse seu jeep, nem que seja em cima do step. Queremos estar sempre presentes em suas viagens. Amigos como você é para ser guardado do lado esquerdo do peito, onde você está, tenha certeza disso.
ResponderExcluirParabéns! Não apenas pela maravilhosa crônica de abertura do Ano Novo, mas por ainda possuir amigos verdadeiros em quantidade suficiente para lotar um velho jipe. A maioria das pessoas consegue transportar facilmente seus amigos de copo e de cruz no quadro de uma bicicleta Caloi. Amizade é, de fato, como carro antigo: nem sempre comporta quem queremos, exige manutenção, faz barulhos estranhos, mas não nos deixa na estrada. Um abraço!
ResponderExcluirMe fez lembrar de quando reencontro bons e velhos amigos, de boas e duras caminhadas, que passei anos sem encontrar. Em poucos minutos de conversa parece que nunca estivemos distantes.
ResponderExcluirHayton além de escritor é terapeuta😀😀👏🏼👏🏼gostei!
ResponderExcluirEu fui lendo e fazendo meu inventário das amizades: dos conhecidos que por mim passaram, dos que me decepcionaram (e que eu possa ter decepcionado... não sei), dos que ficaram, e assim meu 'jipe' também vai seguindo😀😀
💪🏻💪🏻🙌🏼🙌🏼😘😘
Ótimo, amigo
ResponderExcluirQue lindo texto ,HAYTON !!Quero uma vaga no seu jeep !!❤️
ResponderExcluirMais uma ótima e pertinente crônica, Hayton.
ResponderExcluirPrópria para final e início de ano, quando renovamos as esperanças de dias melhores e benquerenças verdadeiras.
Acertas em cheio ao tratar da amizade, sem verniz nem romantizações.
Há no texto a compreensão de que o tempo, as escolhas e as decepções vão afinando o círculo e que isso não empobrece a vida, ao contrário, a torna mais verdadeira.
Os amigos que vão ficando são poucos porque são reais. Não disputam espaço, não exigem aplausos, não se ressentem do silêncio. Cabem no jipe porque aceitam o balanço da estrada, a poeira, os desvios e até as paradas longas. As desilusões, tratadas com delicadeza, aparecem não como rancor, mas como aprendizado: quem não suporta o caminho, salta antes da próxima curva, do próximo quebra-molas, do mata-burros...
Amizade não se mede por presença constante, nem por promessas barulhentas, mas pela disposição de seguir junto, mesmo quando não há assunto, mesmo quando a paisagem é repetida.
Arrematas com sabedoria ao afirmar que "amizade não cobra holofotes nem promessas". Amizade pede estrada e, basta que sigamos juntos, mesmo calados, até onde o jipe aguentar - porque, no fim, são esses poucos que tornam a viagem suportável e, às vezes, até inesquecível.
Conhecido vem… conhecido vai….. alguém me pergunta? Seu amigo… eu respondo: conhecido. Então, amizade não se reclama se convive, mesmo depois de uma década sem contato você é sempre bem recebido, lembranças fluem. Outro dia encontrei Lula Loven, amigo de Marista, lá pela década de 70, olhou e disse você está com bom aparência e, arrastando o dos pés e dizendo eu estou bem e, começou às lembranças. Aí não para. Outro dia nego Plínio, de primeira linha. É isto Hayton, não podemos viver só de lembranças, vivemos para a frente. James Cavalcante de Medeiros
ResponderExcluirMuito bom!
ResponderExcluirSeria para mudar o tom da anterior, mas apenas o reforçou (pois assim é a vida). 🤣
Irretocável!
Excelente crônica Hayton! Ao longo da estrada da vida conheci muitas pessoas que ainda hoje me recebem com um sorriso, com afeto, com abraço. Mas amigos verdadeiros são poucos. Os amigos, mesmo distantes, permanecem instalados em nossos corações. É como canta Renato Teixeira, em sua canção Amizade Sincera: "Os verdadeiros amigos ...sabem entender o silêncio e manter a presença mesmo quando ausentes".
ResponderExcluirForte abraço
Concordo com o JM Rabelo. Você ratificou, com outras palavras e com um tom zeloso, o que havia dito na crônica anterior. Apesar da provocação do Artur ser muito interessante, não vejo amargura nessa constatação de que amigos de verdade costumam ser muito poucos. Isso não impede a gente de ir estreitando laços com conhecidos antigos ou com novas pessoas que aparecem em nossas vidas. Desse jeito também pode se construir uma amizade. Ponto. Nem precisamos dizer profunda ou verdadeira. Seria pleonasmo!
ResponderExcluirNão me atrevo a fazer esse tipo de balanço. Já sou por demais sacudido do galho em que me atraco. Também dizem que amizade está no que chega quando todos partem: do churrasco, todos participam, mas a sala de espera do hospital quase sempre fica vazia. Donde se conclui que, geralmente, há mais entusiasmo que verdade em certas amizades. Que 2026 seja, para todos nós, um ano mais leve. Ops, parece qie me entusiasmei....
ResponderExcluir...Demais, caro HAYTON! - O amigo nos transporta por uma estrada sombria e de fim melancólico.
ResponderExcluir...Meu pai, na sua simplicidade e rudez nordestinas, sempre dizia pra mim: "José, quando você puder contar na 'palma da mão' os ditos amigos, sinta-se feliz". Realmente, ele tinha razão. José Luiz Sobrinho.
Boa tarde, Hayton. O melhor comentario que vi no seu blog hoje foi de Edilson do assentamento Santa Izabel. Por ele, entendi melhor o que você quis dizer com "... escrever — assim como viver — é lançar garrafas ao mar sem garantia de resposta. Às vezes alguém encontra, abre, lê. " Saber que seu escrito pode chegar a pessoas como um "ex-sem terra", nos confins de Lagoa dos Gatos-PE, deve ser prazeroso e fazer você pensar: - Valeu a pena.
ResponderExcluirSem perder o tom e o tema, gostaria de repetir o que disse na semana passada: “é a vida! É bonita, é bonita e é bonita!”
ResponderExcluirPorém, o que vi, li, ouvi e senti nos últimos dias fez com que pensamentos pessimistas aflorassem, como raras vezes acontece. Assisti, nos grupos, amizades firmadas na profissão que abraçamos digladiarem-se numa retórica e narrativa de (questionável) apoio a “ídolos de pés de barro”. Assim caminha a humanidade.
Mas não desisto. Também vi um amigo, emocionado, relatar que, infelizmente, não foi reconhecido por um amigo portador de Alzheimer, mas que não iria desistir dele em nenhuma hipótese. Isso aqueceu. Reacendeu a esperança.
Não tenho ídolos. Tenho amigos, com residência fixa no meu coração. Próximos, distantes, calados, falantes, preocupados, distraídos, esquecidos, ausentes. Não importa. Isso vale também para as amigas. Todas. Com destaque para a sensibilidade natural que elas têm.
Nem otimista, nem pessimista, sua crônica é realista e assim, se evita frustrações, que podem acontecer na primeira situação, mas deixa uma janela aberta para quem se apresentar, como bem escreveu o Sérgio Riede.
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