novembro 04, 2026

A zoada dos outros

  

A ZOADA DOS OUTROS
Hayton Rocha

 

Um sujeito alto e magro ainda subia e descia escadas como menor aprendiz do Banco do Brasil, em 1975, quando fez provas para entrar em definitivo na engrenagem daquele mundo que parecia sólido como um cofre. E o fez com uma calma um tanto inocente, irresponsável, não filha da soberba, mas da ignorância do tamanho da porta que poderia se abrir.

Vinha de família grande: a mãe viúva, nove filhos e uma dose de coragem que precisava bastar para todos. Chegara à capital cinco anos antes, ainda com o futuro em estado bruto. Seu plano, se é que havia algum, era terminar o segundo grau e tentar um vestibular. O banco, naquele momento, era só uma estação intermediária, dessas em que a gente desce do trem sem imaginar que ali vai passar a vida inteira.

Na primeira etapa, as coisas tinham corrido bem. Português, psicotécnico, matemática. Atravessou como quem pisa numa rua cheia de poças: molha os pés, mas não afunda. Dias depois, veio a notícia da aprovação preliminar. E junto com ela, o anúncio da última etapa: prova de datilografia.



Hoje isso soa engraçado. Mas naquele tempo, dominar uma máquina de escrever era como aprender a falar a língua dos homens. Quem tinha intimidade com aquela zoada e o teclado de ferro já começava a vida com meio caminho pavimentado.

Na véspera, viu o salão sendo preparado. Mesinhas e cadeiras alinhadas, máquinas como soldados de chumbo antes da batalha. Ali cresceu a vontade de virar gente séria, ter um emprego de verdade, ganhar quatro mil cruzeiros por mês, comprar aquele Corcel 73 de que falava Raul Seixas em Ouro de Tolo e, quem sabe, ter menos culpa, menos vigilância e mais intimidade com a namorada.  

A prova parecia simples: novecentos toques em seis minutos. O tempo, visto de perto, tem elasticidades que só se descobre quando se precisa.

O sujeito não era completamente estranho às teclas. Tinha aprendido numa escola de datilografia que aquilo era quase um ofício de sobrevivência. E posicionar os dedos corretamente era mais importante do que saber o que dizer. Mão esquerda de "A" a "G". Mão direita de "H" a ":". Olhar para o teclado era proibido, como se o segredo de fazer a coisa certa fosse confiar no que não se vê.

Nos dias que antecederam a prova, procurou alguns veteranos, com suas risadas e cicatrizes. Ouviu relatos de gente que travou, de dedos que desaprenderam, de nervos que não obedeceram. Guardou um conselho: comece devagar e vá ganhando confiança; depois acelere. Parecia simples, como quase tudo que não é.

Na hora, descobriu que o inferno tinha som. Um coro metálico, ritmado. As máquinas explodiram ao mesmo tempo, e aquilo deixou de ser prova individual. Era um campo de batalha onde cada um fingia lutar sozinho, mas ouvia o avanço do outro. Cada tecla batida ao lado parecia dizer: você ficou para trás.

Tentou seguir o plano e começar devagar. Mas como sustentar o próprio ritmo quando o mundo ao redor dispara? É difícil resistir à tentação de correr quando todos parecem voar. Foi então que o pânico encontrou seus atalhos. Teclas enganchadas umas nas outras, dedos perdidos, palavras que deixavam de ser palavras. E cada erro, além de tomar tempo, roubava o mais importante: o eixo.

Porém no meio daquele caos havia algo profundamente humano, embora ele ainda não soubesse nomear: não era apenas uma prova técnica. Era um teste de não se desorganizar com a zoada alheia.

Quando o tempo acabou, veio a ordem seca: parar imediatamente. Arrancou a folha da máquina com uma mistura de alívio e susto. Olhou o texto. Havia palavras irreconhecíveis, mas também algo mais importante: quase chegou até o final. Faltaram cinco palavras. Ali entendeu que o quase também é lugar de chegada.

Deu certo. Meio século depois, tendo passado a vida inteira numa mesma empresa e já aposentado há dez anos, ele ainda lembra daquele salão como quem guarda um aviso que não se repete.

Continua escrevendo como naquele dia: sem olhar para o teclado, tentando não escutar o que acontece ao seu redor.

Com o correr dos anos, aprendeu que a zoada dos outros só acordava a sua. Se bem que demorou a distinguir uma coisa da outra.

38 comentários:

  1. Foi longe hoje!!! E eu me vi também fazendo a prova. Mas eu levava uma vantagem: já trabalhava com a famosa máquina de escrever. Então fui confiante e cheia de vontade de fazer tudo certo e no tempo. Antes, teve a prova de Português e Matemática e quando saí da prova encontrei uma moça cujo pai conversava com meu marido, perguntei como foi na prova de matemática (eu não tinha conseguido terminar, faltavam 2problemas quando o tempo acabou) e ela disse que foi ótima. Então pensei: se houver empate tenho que desempatar com datilografia. Tirei 98 na prova. Não foi 100 porque uma letra a saiu fraquinha e eu dei um retrocesso para “acender” a letra. O
    Olho da pessoa que corrigiu a prova era “olho de lince” e percebeu e tirou os 2 pontos correspondentes ao retrocesso. Nelza Martins

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  2. Amigo,
    Parece até copia!
    Nao sei vc, mas fiz essa danada com a temperatura beirando 10 graus celsius, mas me lembro bem de como suei!
    Acho que deu certo, pelos 30 anos seguintes!!!!
    Boa e velha Remington, que saudades sua!!!

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  3. Ademar Rafael Ferreira4 de novembro de 2026 às 05:54

    É...minha tortura foi no primeiro andar da agência do BB em Patos - PB, até hoje tenho certeza que meu "anjo da guarda" fez a prova por mim. Fiquei perto da nota mínima em distância comparada com o chute cruzado de Pelé contra o Uruguai na copa de 1970, apos drible no goleiro sem tocar na bola.

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  4. Hayton, você me transportou para a agência Centro Recife no final de 1982. Sua crônica transforma uma das etapas do concurso em uma verdadeira lição de vida. É fácil imaginar aquele salão cheio de candidatos nervosos, com tremedeira e até com aquela clássica dor de barriga! Eu mesmo passei por isso na hora. A pressão era tanta que, quando mandaram parar, meu maior sentimento não foi a dúvida se eu tinha passado, mas o puro alívio de terminar e correr para o banheiro, sufoco em dobro! 🤣
    Brincadeiras à parte, seu texto mostra que o grande desafio não era apenas datilografar, mas manter o próprio ritmo no meio do barulho dos outros. E pensar que, depois de tantas décadas, a lição continua atual: mudaram as máquinas, os teclados e a tecnologia, mas a pressa, a ansiedade e a mania de nos compararmos com os outros continuam por aí.
    Simbora para a próxima crônica, com boas memórias, lições valiosas e doses exatas de bom humor!

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    1. Como bem pontuou Jean-Paul Sartre, “o inferno são os outros”. Desde que o mundo é mundo, meu caro Oceano!

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  5. Lembro do status do meu diploma de datilografia.

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  6. Lembro do meu curso de datilografia, mas não de ter passado por um desafio desses, num campo de batalha.
    Fiquei imaginando a tensão daquele momento e o quanto as coisas mudaram em 50, 60 anos. Viva o avanço da tecnologia.

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  7. Parece que na nossa geração tudo era igual. Fiz o curso de datilografia, com direito a foto para expor na parede e orgulho da família.
    Meses depois, enfrentei uma prova do DASP, para Estafeta dos Correios, antes do resultado consegui outro emprego, nunca soube se passei. Anos depois o DCT se transformou em Empresa, e entrei com com cargo mais alto, e fiquei por longos 38 anos. Estava escrito nas estrelas que eu seria Ecetista
    Abraço

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  8. Quando fiz o curso de datilografia, sentava em um tamborete, não tinha cadeira na escola. Para adiantar o curso, ao invés de uma hora, passei a fazer três horas diariamente. Como existia a sequência de lições e horário, o colega do lado
    puxava a minha folha de papel da máquina, para que eu não avançasse mais do que ele.

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  9. Eita, caro amigo Hayton, essa crônica mexeu comigo, me levou longe! Acho que só a palavra escrita( datilografada ou digitada, tanto faz) tem esse dom! Nos transporta no tempo! Ainda lembro do começo do texto da prova de datilografia. " O Rio Grande do Norte, é isso, sal, sol, Nordeste..." Pra quem estudou na apostila de Antonio André, lembra que esse texto estava lá, para praticar os 900 toques... Também eu fiz as provas do concurso, sem muito entusiasmo. Queria ser engenheiro. O tempo passou, esqueci Engenharia. A vida me levou pro Banco. Fui feliz lá.

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    1. Essa também é a intenção da crônica, Djalma: fazer barulho para despertar aquilo que, embora adormecido dentro de nós, continua a nos dizer de onde viemos e a apontar para onde vamos.

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  10. Hayton acertou na mosca ao escolher o tema de hoje. Muita gente do blog deve ter feito prova pra “tirar” o diploma de datilógrafo, além de participar da prova insana pro concurso do BB.
    No meu caso, a única diferença é que não tive grana pra fazer o curso de datilografia. Aprendi a escrever usando apenas quatro dedos, olhando pro teclado. E foi assim que gabaritei a prova do BB. Fiz os 900 toques em seis minutos, com pouquíssimos erros.
    Renderam 33 anos no BB e um rumo pra minha vida profissional!
    Até hoje digito nos teclados com apenas quatro dedos. No celular, são dois! Kkk

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    1. Há dedos que, hoje, parecem não saber a que vieram. Os mindinhos das mãos, por exemplo: quando muito, servem para limpar os ouvidos. Já os dos pés, desde que o homem desceu das árvores, parecem ter assumido uma única função: encontrar, sempre com a ponta, a quina dos móveis.

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  11. Poderia copiar copiar e colar o comentário do Djalma, muito semelhante à minha história. No dia da prova, quem ficou mais tempo na fila acabou decorando o texto, todos que faziam, voltavam dizendo o que estava escrito. Pra mim, garantiu os 30 anos e 2 meses lá. Miranda

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  12. Se os comentários aceitassem imagem eu iria colar aqui o meu diploma da Escola Modêlo de Datilografia, obtida em 28 de fevereiro de 1973, aos meus 10 anos. Isso aconteceu porque um pouco antes eu havia encafifado que queria aprender, de modo que quando chegou a hora do purgatório datilográfico para aceder ao paraíso bancário, eu pude deixar os demais candidatos deprimidos ao ouvir minha metralhadora tipográfica e me divertir muito internamente, agradecido ao asdfg. Dedé Dwight

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    1. Você me lembra bastante um velho amigo meu chamado Dinho, o prodígio, que mereceu há alguns meses uma crônica sobre seus feitos memoráveis!

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  13. Quando.eu tinha quinze ou dezesseis anos de idade, meu pai me inscreveu num curso de datilografia, o único existente na cidade do interior onde morávamos. Lembro que as máquinas eram todas pretas, marca UNDERWOD e os teclados eram cobertos, impedindo nossas "pescas". No final do curso tivemos direito a formatura, com festa e entrega de diploma, além de ouvirmos uma linda saudação feita pelo pastor e professor RENÊ DUBOIS, convidado especial para o evento, pois o nosso professor era também pastor evangélico. Passado algum tempo, em plena quarta-feira de cinzas, fui a uma padaria fazer um lanche e tomar um refrigerante para curar a ressaca carnavalesca. Lá encontrei alguns funcionários do Banco do Brasil que também lanchavam. Um deles aproximou-se de mim e disse que estavam abertas as inscrições para o concurso do BB, incentivando minha inscrição. O curso de datilografia me salvou, fui aprovado e trabalhei trinta anos e dois meses naquela grande empresa, onde fui muito feliz. Eternamente grato ao meu pai e ao colega que me incentivou, ambos falecidos. PAULO SAMPAIO.

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  14. Sua crônica de hoje, Hayton, despertou em mim uma lembrança muito especial: a prova de datilografia que fiz para ingressar no Banco do Brasil.
    Até hoje acredito que o resultado daquela prova não seria motivo para minha eliminação. Talvez por pensar assim, encarei o teste com mais tranquilidade, sem tanta preocupação com o desempenho.
    Mas, antes de chegar o dia da prova, fiz minha preparação em uma escola de datilografia que funcionava na Rua do Meio, próximo de onde eu morava naquela época. Começamos com os exercícios repetitivos das letras A, S, D, F e G, para a mão esquerda, e J, H, L e Ç, se não me falha a memória, para a direita.
    Assim, acabei me formando em datilografia, mas, curiosamente, todo aquele aprendizado tinha um objetivo muito específico: estar preparado para fazer a prova de datilografia do Banco do Brasil. Boas lembranças de uma época em que até os pequenos desafios faziam parte da construção da nossa história!

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  15. Passei por isso, também. Não tive veteranos para dicas, mas tive escola de datilografia com o mestre Carlos Araújo, seu colega de BB. Do que me ficou, destaca-se o barulho infernal das milhares de teclas disparadas na largada. Um verdsdeiro teste. Bela lembrança.

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  16. Sufoco total, caro Hayton... nem é bom lembrar! Na época, ter um curso de datilografia era o investimento de maior retorno para quem desejava uma carreira de colarinho branco. Que o digamos nós, aposentados do Banco do Brasil.

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  17. É...mexeu com a memória de todos. Eu acredito que foram alguns anjos da guarda que me ajudaram a entrar no BB. Me lembro que, mesmo antes de sair o edital do BB, eu ministrava aulas de matemática para o segundo grau em escola pública e trabalhava como editor de textos em uma afiliada da Rede Globo (TV Anhanguera), digitando numa máquina cujo tipos geravam letras com cerca de 0,5cm cada. Então, pelo menos em matemática e datilografia eu estava confiante. Passei na primeira etapa e fomos lá para o teste de datilografia. Eu olhava aquelas máquinas como quem sabe, de cor, pilotar qualquer veículo automotor: ajustar o cinto de segurança, verificar se está em ponto morto, ligar o motor, engatar a primeira marcha e deslanchar. Foi o que aconteceu. Consegui terminar antes e sem qualquer erro, pois o trabalho na TV exigia ser ágil e sem erros de digitação nas laudas de teleprompter. E lá se foram os anos todos que passei no BB. É... quem não acredita em Deus que duvide... . . Adorei a crônica.

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  18. Boas lembranças. Abraço

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  19. O cronista hoje embarcou quase a totalidade de seus leitores na mesma viagem. Lembrou-me muito bem da minha prova, porque na véspera de realizá-la eu estava tenso, já que era (e continuo sendo) um dedógrafo, e diferente da maioria dos demais, não uso os indicadores de cada mão, mas o indicador e o médio da mão direita.
    Na hora de começar a prova, com receio perguntei ao funcionário fiscal que estava ao meu lado, se poderia usar meu jeito de datilografar. Felizmente sua resposta foi positiva e, assim, consegui completar todo o texto sem problema.
    Que bom ter recordado esse momento da minha caminhada, através das teclas dessa quarta-feira.

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  20. Espetáculo de crônica! Me levou da prova de datilografia à aposentadoria.
    Abração.
    Gradim.

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  21. Caro Hayton.

    Também passei por experiência semelhante, mesma época, no interior de Goiás.
    Lendo você, pensei que estávamos longe um do outro, mas muito perto no que estava em jogo. A gente se sentava diante de uma máquina de escrever para disputar um emprego, sem ter muita noção de quanto da vida poderia se decidir ali.
    O futuro inteiro cabendo numa folha de papel, sujeito a dedos que nem sempre obedeciam.
    Você me fez pensar numa coisa: a zoada não permitia saber se o vizinho estava acertando, apenas que estava batendo nas teclas. Mas, na cabeça da gente, o outro era sempre melhor, mais rápido e competente; os erros, o nervosismo e a possibilidade de fracassar pareciam exclusividade nossa. É uma vantagem enorme que costumamos dar aos outros: comparamos o que sabemos das nossas dificuldades com o que imaginamos das facilidades deles.
    Também havia um peso muito concreto naquela oportunidade.
    Para quem estava começando, conseguir um emprego daqueles era poder fazer planos que, até então, dependiam de muita coisa fora do próprio alcance. Não se tratava apenas de vencer uma prova. Era começar a ter alguma resposta para a pergunta sobre como ganhar a vida.
    Por isso, o conselho de começar devagar, tão sensato fora do salão, ficava difícil de cumprir lá dentro.
    E você passou sem terminar tudo. Gosto de pensar nesse detalhe, porque a memória poderia muito bem ter guardado apenas a aprovação e apagado as cinco palavras que faltaram. Mas elas ficaram, lembrando que o rapaz não precisou fazer uma prova perfeita para construir sua história.
    Quanto à zoada de dentro, essa atravessou o país e as décadas conosco. Ainda hoje dá trabalho perceber quando estamos seguindo o nosso ritmo e quando estamos apenas tentando acompanhar uma máquina que bate na mesa ao lado. Excelente história de vida e crônica

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  22. Caríssimo Hayton - Bom dia!
    A crônica de hoje, me fez mergulhar nas lembranças do longínquo ano de 1972. Ali estava a minha grande chance de vida e esperança. Me acompanhava no momento da prova de datilografia, o pavor e o indefectível suor gelando as mãos e quase congelando os dedos.
    Cento e oitenta toques por minuto, nem a infinita e dedicada aplicação no curso de datilografia do senhor Nicanor Rego, única escola a ensinar esse ofício em Barreiras-BA, seria capaz de garantir que o infernal barulho da “velocidade” dos concorrentes estava mais nos meus nervosos ouvidos do que na agilidade dos dedos dos “adversários”.
    Pode acreditar. Viajei no tempo que cheguei a suar e esfriar as mãos, 54 anos depois.
    Fraterno amplexo 🤝

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  23. De tecla em tecla à posse, um oceano amarelo se abriu. Quem soube nadar explorou múltiplos mares, experimentou glórias e dissabores, cresceu e sorriu diante da história que viveu.

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    1. Muito obrigado pela parte que me toca, Renato.🤣🤣
      Simbora!🤝

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  24. Fiz meu Curso na antiga Escola de Datilografia Pratt nos anos 60) em Três Corações com a Dona Geny Pereira Penha. Quando fiz o concurso para o BB, eu me sentia craque! Botei o papel na velha Remington, comecei a datilografar e, lá pelo meio da folha, alguém voltou o carro de sua máquina... e eu, sem pestanejar, também voltei o carro da minha máquina bem no meio da frase. Um caos.... voltar correndo para arrumar, voltar ao texto a ser copiado e recomeçar. Felizmente dei conta de chegar ao final dentro do tempo marcado com a marca incrível de 900 toques por minuto! Um feito extraordinário!

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  25. Muito legal!
    Lembro-me bem do meu dia nessa prova (melhor seria dizer provação), e da “certeza” de que não havia conseguido…

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  26. Eita que a mexida dos dedos com a zoada dos outros mexe com as reminiscência de todos nós da família BB, cada um com sua história para contar.

    Diplomei-me em datilografia na escola de d.Rosinha, lá em União dos Palmares.

    Ao vir estudar em Maceió passei, praticamente, 3 anos sem praticar.

    Estudei que só um condenado as disciplinas exigidas para o concurso do banco.

    Confiei no taco do diploma datolográfico e me referrei: reprovado.

    Fiquei p. da vida, fiz o concurso do IBGE, sem datilografia, e por lá fiquei por 2 anos, utilizando a máquina de datilografia, preenchendo um monte de formulários pós pesquisas e o diabo a quatro.

    Tornei-me exímio datilógrafo.

    Novo concurso do BB. A prova de datilografia me aprovou.

    Concluí as "dedadas" antes do tempo. O fiscal notou e recomendou:
    - pode continuar datilografando. Ajuda na nota.

    Continuei, dei um retrocesso não sei em qual letra.

    Mesmo sem conseguir a nota máxima, foi suficiente para passar 11.216 dias no Banco do Brasil.

    Parabéns Hayton, por resgatar tais lembranças, lembrando que não devemos nos "desorganizar com a zoada alheia e que o quase também é lugar de chegada".

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  27. Lembro até hoje a sequencia das teclas: “ASDFG” e “ÇLKJH”.
    Lembro também da prova, como você bem descreveu, caro Hayton.
    Fez-me bem essa lembrança, amigo.
    Abração e obrigado.

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  28. ROBERTO SANTOS FERNANDES4 de novembro de 2026 às 11:34

    Em setembro de 1967, também passei por esse aperreio. Nesse dia o colega ao lado gritou nervoso, "onde está o ç ?", o fiscal da prova então levantou o seu dedo mínimo e exclamou: está aqui!
    Bons tempos!

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  29. A crônica de hoje me deu uma carona para viajar no tempo e voltar a Paranavai (PR) no início de 1975.

    Aquele "coro metálico" de dezenas de máquinas de datilografia me assustou assim que autorizado o início da prova.

    Passado o susto inicial, consegui reassumir o controle das teclas e cheguei ao final daquele desafio com um desempenho que me permitiu tomar posse na agência de Loanda alguns meses depois.

    Ali começava a trajetória que me levou a trabalhar ao lado do nosso admirado cronista das quartas-feiras.

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  30. A crônica me fez, outra vez, atravessar o túnel do tempo; do meu tempo!

    Quis o destino que eu enfrentasse (sim, era como uma batalha campal) essa “tempestade de teclas” em duas oportunidades.

    Dois anos antes de passar no concurso do BB, passei no corcurso da CEF, aos 19 anos e recém reservista do serviço militar.

    Quis o destino que, apesar de ter concluído a digitação (?) de todo o texto da prova de datilografia, não prestei atenção a uma regra que exigia o uso do parágrafo na primeira frase e, por consequência, as linhas do texto não estavam rigorosamente iguais ao modelo distribuído aos candidatos. Assim, as últimas palavras de cada linha não coincidiam…

    Resultado: reprovado em datilografia.

    A frustração de um jovem tem limite e esse, no meu caso, foi ouvir de minha saudosa mãe dizer que “Deus estava reservando algo melhor pra mim”.

    Premonição, sabedoria ou amor? Tudo isso e muito mais!

    Então, quis o destino e o BB anunciou um novo concurso público dois anos depois.

    Fui aprovado nas provas de português, matemática, contabilidade e prática bancária e… Lá estava eu naquele campo de batalha, pra enfrentar outra vez a “tempestade de teclas” em frente a uma olivetti, contra o relógio.

    Lembro do nervosismo devido ao trauma da CEF; lembro como se fosse ontem, que passei os olhos no texto alguns segundos antes de respirar fundo e mergulhar no meio daquele barulho ensurdecedor. Concluí o texto antes do prazo estipulado e com a formatação fidedigna (trauma da CEF).

    O BB ajudou a formar meu caráter, minha maturidade, minha família.

    E, você sabe Hayton, MÃE SEMPRE TEM RAZÃO !

    Forte abraço! 🤗

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  31. Denise Vianna - Eu nunca me desfiz de uma máquina pequena, onde eu treinava a datilografia. Depois de muito tempo sem uso, a máquina esquecida em um depósito e eu já acostumada com os computadores de mesa, atendi o meu celular e ouvi a voz da minha filha, que na época tinha 10 anos: Mãe adivinha o que eu achei aqui em casa? Eu respondi logo, o que vc achou Letícia? Ela super animada me respondeu, uma Imprimidora Mãe. A gente aperta o botão da letra e ela imprimi na hora. Era a minha máquina de escrever que ela ressuscitou kkkkkk
    .

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A zoada dos outros

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