E AGORA, GLÓRIA?
Hayton Rocha
A morte de Glória Menezes, aos 91 anos, fecha uma cortina que parecia destinada a permanecer aberta. Durante mais de seis décadas, seu rosto iluminou palcos, telas e salas de estar. Não entrava nas casas brasileiras pela porta. Aparecia no meio da sala e tornava-se íntima da família.
Ao receber a notícia, pensei imediatamente em como reagirá minha mãe.
Há cinco anos, quando Tarcísio Meira morreu de Covid-19, ela me telefonou com a voz de quem segurava o choro pelas pontas:
— Meu filho, você viu?
— O quê, mãe?
— Ele morreu… E agora, o que vai ser de Glória?
Não se referia ao ator como quem lamenta a partida de um desconhecido. Falava de alguém que frequentara nossa casa durante décadas, embora nunca tivesse aceitado um café, pedido açúcar ou perguntado pela saúde da família.
Na época, Glória também estava internada, mas apresentava sintomas leves. Minha mãe, se pudesse, teria vestido duas máscaras, lambuzado os braços com álcool em gel e ido pessoalmente abraçar a viúva.
Ela nunca conseguiu separar inteiramente a ficção da realidade. Para minha mãe, novela não era uma história inventada. Era a vida acontecendo em outro endereço.
Lembro-me dela, no bairro da Gruta, em Maceió, diante do último capítulo de Pecado Capital. Carlão, o taxista vivido por Francisco Cuoco, tentava livrar-se de uma mala de dinheiro abandonada em seu carro por assaltantes. Antes que pudesse entregá-la à polícia, foi morto por um bandido.
Minha mãe levantou-se do sofá:
— Pega esse cachorro miserável!
Não havia policial dentro da televisão capaz de ouvi-la, mas isso nunca a impediu de orientar perseguições, advertir mocinhas e avisar a um personagem que o assassino estava de tocaia na esquina.
Ela já andava aborrecida porque Lucinha, vivida por Betty Faria, trocara Carlão pelo milionário Salviano, interpretado por Lima Duarte.
— Essa moça é interesseira. Quer é o dinheiro daquele velho feio!
E decretou:
— Carlão vai acabar se lascando.
Minha mãe não assistia à novela. Prestava consultoria aos personagens.
Vinte anos depois, em Pernambuco, conheci um dos acionistas da Usina Pumaty. Enquanto explicava o processo de fabricação do álcool, consultava o relógio com inquietação. Às cinco da tarde, interrompeu a visita:
— Preciso ir. Ainda vou tomar banho, jantar e ver a novela.
Descobri que também confundia ficção e realidade. Em Ídolo de Pano, Dennis Carvalho vivera um sujeito capaz de afastar o próprio irmão da herança familiar. Dois anos depois, em Locomotivas, apareceu namorando uma moça e envolvido com outra.
O usineiro apontou para a televisão:
— Esse rapaz nunca me enganou. Não vale nada!
Alguém tentou esclarecer:
— Isso é novela.
Ele franziu a testa:
— Sei não. Ninguém apronta aquilo tudo com o irmão e depois aparece enganando as moças se não for cabra safado.
A televisão chegou ao Brasil antes que muitos brasileiros alcançassem a escola. Num país de tradição mais oral do que escrita, a novela tornou-se o romance dos que não liam romances, o teatro dos que jamais entrariam num teatro e, algumas vezes, a aula de política que escapava da vigilância dos censores.
Carlos Drummond de Andrade, observador atento da vida brasileira, percebeu cedo que aquela caixa instalada no meio da sala não exibia apenas histórias. Exibia o próprio país, com suas contradições, seus vícios e suas virtudes, ainda que Brasília tentasse cobrir o espelho.
Em O Bem-Amado, proibiram as palavras “coronel” e “capitão”, julgando que fossem referências militares. Não compreenderam que Dias Gomes falava de uma patente mais antiga: a de quem governa currais eleitorais, manda nos vivos e inaugura cemitérios sem conseguir encontrar um morto sequer.
As novelas nos deram vilões que odiamos com sinceridade, mocinhas por quem sofremos sem necessidade e políticos fictícios que pareciam menos inventados do que muitos políticos verdadeiros. Os personagens envelheceram conosco. Alguns morreram diversas vezes e reapareceram em outra história, com outro nome e os mesmos olhos.
Glória Menezes fazia parte dessa família sem retrato no álbum. Durante quase seis décadas, ela e Tarcísio representaram para milhões de pessoas a rara possibilidade de um amor sobreviver ao último capítulo.
Agora, penso em minha mãe, aos 87 anos, recebendo a notícia da partida de sua “comadre”. Talvez diga que Glória não morreu. Apenas demorou cinco anos para responder à pergunta feita naquele telefonema.
E agora, o que vai ser de Glória?
Vai ver, foi encontrar Tarcísio. Alguns amores apenas mudam de endereço.

Bela homenagem para a Gloria Menezes , para a sua mãe ! Fez história e deixa saudade nostálgica de um tempo bom da TV brasileira !
ResponderExcluirEm Patrocínio, minha cidade natal, tínhamos dois cinemas. Era folclórico o fato de que o irmão de um dos donos comparecia a todas as sessões e participava da trama: orientava os mocinhos, reprimia os vilões e irritava toda a audiência… rsrsrs.
ResponderExcluirBom dia, caro Hayton!
ResponderExcluirVocê hoje "botou pokando" como diz a juventude atual e, talvez, doutros tempos!
Com certeza a senhora sua mãe estará chorosa com tamanha perda de uma sua "amiga" televisiva - quem sabe não a seja virtual?! - e que, no passado, lhe fizera companhia nas noites esperadas de um novo capítulo de novela.
O carinho nutrido pelo expectador a seus ídolos, por vezes, torna esta aproximação quase real, tamanha a acreditação no personagem da vez e de sempre. Afinal a ficção tem beirado a realidade nalguns momentos.
O exemplo que o casal Glória Menezes & Tarciso Meire foi um exemplo de vida a dois na vida real e que, muitas vezes, fizeram papéis juntos em trabalhos televisivos e/ou teatrais, a exemplo do Irmãos Coragem (1970) (que par romântico sensacional!) e a peça teatral Tudo Bem no Ano Que Vem (1976) para gáudio do seu público e de quem os dirigiu.
Está ação de interagir com os artistas na televisão é bem característica e bastante larga. Lembro de um primo de minha esposa que assistia às novelas em casa de minha sogra e deitava xingamentos aos personagens que ele entendia serem uns pústulas, algumas vezes se adiantava a avisar o personagem mocinha que o namorado dela seria um cafajeste " se saia de nojento, minha filha, ele é um bandido e está lhe enganando com aquela outra. Você não vê isso não, e?" bradar a todos pulmões em sala e silente.
Outro episódio aconteceu comigo quando fui visitar um senhor que se mudara da minha velha Natuba para Salvador, com a finalidade de tratar enfermidade renal, isso lá nos tempos em que o Delfim Neto estava Ministro da Fazenda. Ele pessoa de poucos recursos e a inflação da época lhe levando todos os trocadinhos que levara para sobreviver na Capital.
Depois de conversarmos um bom papo, falarmos da torrinha, ouvir dele um montão de anedotas - era mestre em contar causos -, o meu amigo saiu com esta pérola: "Tonho meu fio, se eu não tivesse com a vida ruim de dinheiro e saúde como estou, quando o Delfim Neto aparecesse, com aquela cara larga que toma todo o visor da televisão, eu ia lá dentro, pegava meu três oitão e dava um tiro na cara daquele infame que tá fazendo meu dinheiro sumir que só éter"
Om certeza a televisão de sua sala, uma quatorze polegadas, sobrevivera àquela indignação de um homem pobre, enfrentando tempos difíceis dr de inflação desenfreada.
Estão aí dois exemplos de como o telespectador se punha diante da crendice de cada um deles frente ao que a televisão lhe dispunha a assistir no seu cotidiano.
Ave crendice!
Ave ficção que faz realidade!
Tonho do Paiaiá, de Munique, Alemanha para as Alagoas das belas águas do mar de Pajuçara
Em menos de 24h perdemos duas rainhas da dramaturgia no Brasil,Glória e Laura Cardoso. Gil Messi .
ResponderExcluirExcelente, Hayton. Sua crônica me deu um nó na garganta e me fez viajar no tempo. Lembrei na hora de como era no interior antigamente: aquelas cidades pequenas que colocavam uma televisão no meio da praça para o povo se reunir e assistir à grande Glória Menezes e a outros artistas ilustres.
ResponderExcluirVocê levantou, de forma brilhante, a magia das telas, fazendo com que atores de TV, com seus magníficos papéis, se tornassem verdadeiros ídolos, gerando um compromisso oficial na noite de uma nação inteira, que parava tudo só para vê-los.
Bacana a sua preocupação e carinho com a sua mãe, trazendo-nos, de forma poética, o quanto ela era próxima de Glória Menezes.
E pensar que a nossa imensa Laura Cardoso também arrumou as malas e partiu para junto do Pai poucas horas antes da Glória, como se estivessem combinando de fechar juntas essa cortina de ouro da nossa história. Você termina com chave de ouro, dizendo que "alguns amores apenas mudam de endereço".
Simbora viver e curtir momentos felizes enquanto as cortinas do espetáculo da vida estiverem abertas!
Caro Hayton.
ResponderExcluirHoje li sua crônica com aquele sentimento raro de quem termina um texto e permanece alguns instantes em silêncio, não por falta do que dizer, mas porque alguma coisa foi tocada num lugar fundo.
Admirável como você conseguiu falar da morte de Glória Menezes sem transformar o texto num obituário. O que aparece, de verdade, é a vida: a sala da casa, a mãe diante da televisão, os personagens tratados como parentes, a indignação com Lucinha, o usineiro julgando Dennis Carvalho como se estivesse diante de um conhecido de longa data. Há muito afeto nessas lembranças, mas também uma compreensão generosa do Brasil e de sua maneira tão própria de criar intimidade com quem nunca viu de perto.
Talvez sua mãe não confundia exatamente ficção e realidade. Talvez ela soubesse, no fundo, que era novela, mas precisava acreditar um pouco mais para que aquela experiência tivesse valor. As pessoas da televisão entravam em sua casa porque, de algum modo, ajudavam a organizar o mundo, a nomear o bem e o mal, a oferecer companhia e até a dar assunto para a família. A televisão não era apenas uma tela: era uma janela aberta para uma vizinhança imensa.
Tudo isso está na sua crônica sem se colocar acima dela, sem rir de sua ingenuidade. Ao contrário: entrou no universo de sua mãe e o tratou com respeito, humor e ternura. Isso reconhecimento, é gratidão. Interessante é que, enquanto fala de Glória, Tarcísio, Carlão, Lucinha e dos velhos capítulos, fala também do tempo que passou por nossas casas sem pedir licença.
“Alguns amores apenas mudam de endereço”, disse você. Essa afirmação poderia soar como uma frase pronta, mas chega merecida, construída por tudo o que veio antes. Não é um enfeite: é a resposta possível para uma mulher que amou personagens como se fossem da família e que agora talvez precise acreditar que certos encontros não terminam — apenas continuam em outro lugar.
Parabéns pela excelente crônica.
Que bom, meu amigo, saber que você também reconhece o peso da teledramaturgia na vida dos brasileiros mais humildes..
ExcluirSeu comentário é, por si só, uma crônica à parte - generosa e sensível - que acaba por enaltecer ainda mais o meu esforço.
Essa crônica “está a merecer” uma continuação que nos informe como sua mãe reagiu a essa perda do teatro/tv nacionais. Vou aguardar Nelza Martins
ResponderExcluirUma viagem pelo mundo das novelas. Eu fui um viciado nesse assunto. Nossa arte relacionada com TV, cinema e teatro ficou ontem com lacunas difíceis de serem preenchidas com a morte de Laura e Glória.
ResponderExcluirBom dia
ExcluirOntem foi um dia cruel para a dramaturgia, mal assimilava a partida de Laura Cardoso, chegou a notícia da partida de Glória Menezes. Duas perdas irreparáveis.
Mas, como diria o francês: Ce lá vie.
A vida não nos pertence, somos apenas moradores, um dia o dono nos chama.
Mais uma grande atriz que nos deixa. Parabéns pela justa homenagem.
ResponderExcluirExatamente a mesma coisa que pensei quando li a notícia. Nossa, minha mãe ainda não superou a morte de Tarcísio e agora essa.
ResponderExcluirÉ a ficção retratando a realidade da vida, tempos bons com atores bons, marcou uma época; boas lembranças. Valeu. James
ResponderExcluirA partida de uma atriz do naipe da Glória Menezes nos abala, notadamente, pela excelência da interpretação de suas personagens nos timaços das novelas e filmes de outrora. Infelizmente, atrizes e atores desse nível, que, como bem falastes, entravam em nossas salas sem pedir licença, estão cada vez mais raros!
ResponderExcluirJusta e oportuna homenagem à atriz Glória Menezes, ícone da TV brasileira. Não lembro de outro casal que tenha representado tanto na telinha. Que o Senhor a receba em Sua morada e conforte os familiares, amigos e fãs.
ResponderExcluirExcelente e tempestiva homenagem a essa grande atriz que "glorificou" sua profissão, com tantas personagens críveis. Já fui um noveleiro de carteirinha e sempre guardei uma admiração profunda por autores que faziam um trabalho hercúleo, de escrever centenas de capítulos, principalmente na época em que não tinham assistentes, a exemplo dos gigantes Dias Gomes, Janete Clair, Ivani Ribeiro, Benedito Rui Barbosa, entre outros. E quando um excelente texto é encenado por artistas de quinta grandeza, aí é a "glória" do espetáculo. E Glória Menezes era uma dessas "estrelas" e seu brilho ficará para sempre presente nessa e nas futuras gerações.
ResponderExcluirMuito boa a sacada do Hayton de utilizar a partida de Glória Menezes para reconhecer sua mãe como protagonista da vida real.
ResponderExcluirEstamos inundados de metatextos, metadramas e, por que não admitir, de metavidas.
Aproveitemos tudo que temos direito!
Linda homenagem.
ResponderExcluirO ciclo da vida sempre nos faz refletir.
🙏🏽✨
ResponderExcluirEu assisti desde Sangue e Areia a Irmãos Coragem. Ontem escrevi pros meus irmãos: "Morreu a Rosa Malena", personagem de Glória em Irmãos Coragem. Não me entristeci com as partidas de Laura ou Glória. Muito idosas, precisavam nascer em outros palcos. E pra lá se foram.
ResponderExcluirBelo texto amigo Hayton!
ResponderExcluirParabéns!
Excelente crônica, caro Hayton! Um tema palpitante. Não chega a ser como o caso do acionista usineiro, mas eu já gostei muito de novelas. Que Deus receba a Glória em paz e que ela descanse ao lado do Tarcísio.
ResponderExcluirQue bela homenagem a Glória Menezes você fez, Hayton! Em sua crônica de hoje, você também consegue mostrar a relação de intimidade que o público das novelas cria com seus personagens, como se fossem parentes que visitam nossa casa todos os dias, sempre naquele horário em que precisamos estar presentes para recebê-los.
ResponderExcluirAcredito que as novelas de hoje, agora também chamadas de séries, continuam retratando, mesmo sendo ficção, situações muito próximas do nosso cotidiano. Talvez seja justamente essa identificação com a vida real que faça o público se envolver tanto com as histórias e seus personagens.
Parabéns pela homenagem! Glória Menezes não fará novas novelas, mas sua trajetória e seus personagens permanecerão para sempre na memória e no coração do público.
Nossa Rosa tão Rebelde
ResponderExcluirResolveu se despedir
Foi encontrar com Tarcísio
Esse é o meu sentir
Perde a TV brasileira
Essa atriz altaneira
Que fez chorar e sorrir.
Na interação entre personagem e público no mundo televisivo, existia em cada um a vontade de moldar a personagem, como se fôssemos escritor ou diretor. Havia mais inocência e romantismo nas novelas. Hoje tem mais erotismo nas transmissões.
ResponderExcluirQue bela homenagem amigo … A história da Glória meio que se confunde com a história da Tv brasileira … O amor dela e o Tarcísio ficou no imaginário popular … Um casal modelo … um exemplo de vida a dois … Perdemos um pilar da tv, mas, muito mais que isso perdemos um ser de luz … uma alma que fez do oficio uma missão … abraçou e mergulhou fundo por décadas e mostrou ao país como se constrói, gerencia e finaliza uma trajetória … Que mulher ! Lembro de tê-la visto pela primeira vez em Irmãos Coragem … uma aula ! Ali, ainda garoto (8 anos de idade ) me encontrei e através daquele maravilhoso universo em preto e branco iniciei uma espécie de processo imaturo de percepção visual que jamais esqueci … impossível … Ali nascia um fotógrafo que, através da telinha da tv desenvolveu senso crítico, apurou a sensibilidade no olhar e chegou onde nunca imaginava … Obrigado por essa homenagem … não poderia receber menos de você !!! Fiquemos com nossa.saudade e nossa lembrança da eternidade que será a lição deixada por Glória … Que foi e será sempre gloriosa !!!! Abraço amigo
ResponderExcluirMário Edson
Bela homenagem. Novamente a dura realidade vencendo a doce ilusão. Luis antonio
ResponderExcluirBelíssimo texto. Parabéns!!!
ResponderExcluirLindo texto! Homenagem merecida.
ResponderExcluirÓtimo texto. Perfeito para esse momento de despedidas marcantes na nossa dramaturgia.
ResponderExcluirHomenagem maravilhosa!!!
ResponderExcluirA minha Glória preferida sempre foi Ana Preta, personagem de Pai Heroi, exibida no já longínquo ano de 1979. Muitas outras vieram, mas Ana Preta ainda habita no meu imaginário.
ResponderExcluirChico Oitavo
Que crônica espetacular, Hayton! Você conseguiu capturar com uma sensibilidade única o modo como a teledramaturgia brasileira invadiu e acolheu as nossas casas, transformando figuras gigantes como Glória e Tarcísio em verdadeiros parentes de comadrio. A forma como você entrelaça a memória da sua mãe orientando os personagens na sala de estar com a própria história cultural do nosso país é de uma riqueza emocionante. Um texto leve, profundo e carregado daquela nostalgia boa que só quem entende da alma do nosso povo consegue traduzir tão bem.
ResponderExcluirTomei posse no Banco do Brasil em setembro de 1968, em Poções ((BA), pequena cidade vizinha a Vitória da Conquista, onde nasci. Em lá chegando,fui morar na “república dos bancários”( 8 rapazes de diversas regiões do País).Nessa época, surgiu a novela “Beto Rockfeller” na Globo, um fenômeno. de audiência capaz de alterar os hábitos e costumes dos moradores, fazendo, inclusive, com que os bancários até abandonasse a “paquera” na pracinha para assistir o capítulo do dia, que era à noite. Alguém aqui lembra dessa novela ou estou muito velho?
ResponderExcluirQue beleza de crônica
ResponderExcluirMais uma belíssima crônica do HAYTON.
ResponderExcluirFantástico o parágrafo: " A televisão chegou ao Brasil antes que muitos brasileiros alcancessem
Mais uma belíssima crônica do HAYTON.
ResponderExcluir"A televisão chegou ao Brasil antes que muitos brasileiros alcançassem a escola..."
Esse parágrafo leva-me a pensar e constatar que, ainda hoje, tantos anos depois, a escola as inda está muito distante.
Tranquilize-se meu caro Mirandinha! Lembro-me da atuação soberba do Luiz Gustavo como Beto Rockfeller; tomei posse no BB em 1962; vi a família atenta ao rádio ouvindo "Mamãe Dolores" e, salvo alguns amassados, ainda passo por *semi novo*, como diria meu amigo Carlos Volney.
a escola ainda...
ResponderExcluirPassei grande parte da minha adolescência assistindo a novelas. Era o meu momento de fugir um pouco da realidade e, ao mesmo tempo, encontrar nela alguma coisa de mim.
ResponderExcluirEu sorria, eu chorava, eu torcia pelos personagens, me emocionava com suas histórias e, muitas vezes, misturava a minha realidade com a ficção.
E lá vinha a Galega, sempre tentando me trazer de volta para a realidade:
“É apenas uma novela! Não é vida real. Deixa de besteira!”
Mas, para mim, talvez fosse muito mais do que apenas uma novela.
Era um lugar onde eu podia sonhar. Onde, por algumas horas, eu podia viver outras histórias, sentir outras emoções e imaginar possibilidades que, na vida real, nem sempre pareciam possíveis.
Hoje, olhando para trás, percebo que aquelas novelas também fizeram parte da minha formação. Elas me ensinaram sobre sentimentos, relações, conflitos, sonhos e, principalmente, sobre o poder que uma história tem de tocar alguém.
A Galega dizia que era apenas uma novela.
Eu acreditava que, de alguma forma, aquelas histórias também eram um pouco da minha vida.
Eita Hayton, como sempre se superando nas suas narrativas tão reais, que nos faz viajar no tempo. Também lembro muito bem essa realidade que vivemos. Valeu, viu? Você tornou hoje, real essa vivência dia tempos áureos da Glória e da TV brasileira. Um abraço
ResponderExcluirGrande Hayton!
ResponderExcluirMais uma boa matéria!
Abraços e parabéns!
Crônica perfeita. Quase que em tempo real do acontecido. Muito bom.
ResponderExcluirA pergunta que está em negrito na exibição do post é providencial para muitos, devo guardá-la.
Na parte que trata do usineiro, lembrei-me de um fumicultor o sr. Nozinho, meu saudoso pai. Dormia cedo, mas só depois da novela das 6. Geralmente, eram novelas de épocas. Ele dizia: "esse cabra safado já tá fazendo a peste aí, de novo". Isso acontecia, às vezes, porque o ator fazia um papel de cabra ruim em uma novela e na seguinte, também. Eu, às vezes, ria que só!
Glória vai deixar muita saudade.
ResponderExcluirBonita, carismática e talentosa, ela brilhou nos papéis que interpretou.
Esta crônica é um registro importante do papel das novelas na vida dos brasileiros.
Que essa estrela brilhe também no céu.
Bela forma de homenagear a fã e a atriz, sem deixar passar o lado sociológico da chegada da televisão por estas bandas, "antes que muitos brasileiros alcançassem a escola." Abração,
ResponderExcluirGradim.
Em alguns momentos sou como D.Eudocia, me percebo defendendo ou acusando alguns personagens, principalmente quando o enredo me agrada. As vezes não sou apenas a telespectadora, mas me insiro no contexto. Coisas de quem gosta de ajudar a resolver problema dos outros, rsrs
ResponderExcluirComo disse no comentário sobre sua crônica anterior, o inusitado não existe mais pra nós, seus súditos leitores, pois você surpreende sempre e cada vez mais.
ResponderExcluirNesta de agora você me levou a uma reflexão diferenciada.
Sim, mesmo não sendo adepto da coisa do espírito, outra vida, mas sem a pretensão de ser dono da verdade, fico na certeza de que, se isso realmente existe, Glória Menezes deve estar mais que sensibilizada, tendo a certeza de que nenhuma homenagem maior lhe foi prestada, quando em vida ou agora, que a contida nessa insuperável peça produzida por você.
Sei não, até acho que assim vale a pena morrer.
A dramaturgia brasileira perdeu duas grandes atrizes em questão de horas;
ResponderExcluirLaura Cardoso morreu aos 98 anos e Glória Menezes aos 91 anos.
Elas ajudaram a construir a história da televisão, 📺 do teatro e do cinema 🎞️🎥 no Brasil.
Descansem em paz!🕊️🕊️
Belo texto! Parabéns Hayton!
ResponderExcluirBela homenagem a essa grandiosa atriz que marcou época na dramaturgia brasileira. De Glória e Tarcísio trago eternas lembranças da novela Irmãos Coragem quando ainda era guri. Mais uma estrela que vai brilhar no firmamento.
ResponderExcluirNovamente, retornei à minha adolescência. Retornei aos meus dezesseis anos de idade, quando tive minha Carteira de Trabalho assinada pela primeira vez. Foi na Tv Imembuy, de Santa Maria (RS), afiliada à Tv Globo.
ResponderExcluirComo eu estudava durante o dia, meu expediente era à noite, ou seja, eu era "pago" para assistir a programação noturna, enquanto trabalhava. E foi ali que me tornei apreciador de novelas e admirador das grandes atrizes e dos grandes atores. E Glória Menezes ocupava um lugar especial nesse verdadeiro "céu estrelado".
Por trabalhar no mesmo conglomerado, eu dizia com uma certa petulância, que eu era "colega de trabalho" dessas Estrelas.
Só não tive a mesma sorte com relação à Laura Cardoso, que só foi contratada pela Globo, tempos depois.
O tempo e as mudanças de emprego - incluindo o Banco do Brasil - fizeram com que essa minha "arrogância" fosse esquecida.
Mas, nesse momento, diante do impacto dessas perdas e da emoção causada por sua Crônica, peço licença para repetir: "Eu fui colega de trabalho de Glória Menezes" ...embora ela nunca tenha tomado conhecimento disso...
Meu bom e velho cumpade Hayton.
ResponderExcluirA sua crônica sobre a gloria caseira de Gloria, associada ao suposto sentimento de Dona Eudócia, representa a alma, o respiro e o suspiro do brasileiro. Da simples dona de casa e do grandão usineiro, de agenda cheia, com tempo pra tudo, e aquele tempinho almofadado, tirando as meias dos pés, pra entrar na rosca-sem-fim do drama novelesco.
Parabéns!
Eu só estou. Tu!?... O homem (na época), com tanta ocupação profissional, saber tim-tim-por-tim-tim, daqueles casa-separa de então.
Tu sois um doido. Doido tu sois.
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻show de crônica e de homenagem à Glória Menezes! Só aplausos para o texto e para uma de nossas rainhas da dramaturgia Brasileira!
ResponderExcluirBela crônica, que mistura a história das telenovelas com memórias de sua genitora, é um retrato de uma época em que provavelmente a única diversão das cidades do interior era assistir aos folhetins eletrônicos. A novela não deixa de ser um crônica. Com outra linguagem, mais recursos, mais longa... A crônica me trouxe lembranças boas também. Memórias familiares de quando assistíamos novelas e programas de humor, todos juntos, na única e pequena tv que tínhamos em casa. E os atores e atrizes, personagens dessas crônicas televisivas, que conhecemos em preto e branco e chuviscos, aos poucos nos deixam. Fica um gosto meio amargo na boca, uma sensação de perda de alguém próximo.
ResponderExcluirFoi uma pessoa muito especial. Todos sentimos sua morte. Que Deus a tenha. A televisão sempre esteve em nossas vidas. As pessoas que aprendemos amá-las e odia-las estão indo todas. Uma pena.
ResponderExcluirO casal fez uma bonita história na TV e permanecerá vivo na memória do povo brasileiro. Excelente crônica, Hayton .
ResponderExcluirEsse casal fez história .a TV e permanecerá vivo a memória do povo brasileiro
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