julho 08, 2026

Atrás da porta

 

ATRÁS DA PORTA
Hayton Rocha


A repercussão da crônica "O mar não é para amadores", publicada há poucos dias sobre os perigos dos cruzeiros marítimos, me trouxe alguma preocupação. E se algum executivo dessas companhias de navegação me acusasse de terrorismo náutico? Numa dessas, eu acabaria sendo obrigado a confessar que tudo não passou do desabafo de um traumatizado pela pandemia diante do risco de passar semanas confinado num hotel em alto-mar.



Ilustração: Uilson Morais (Umor)


 

No entanto, deixaria claro que jamais afirmei que todos os cruzeiros são perigosos. Mais: se me oferecerem uma passagem gratuita para provar o contrário, continuarei recusando a viagem nesses palácios flutuantes.

 

Só reconsidero se instalarem no convés um hospital completo, com UTI, centro cirúrgico, infectologistas, pneumologistas, laboratório de análises clínicas e, por cautela, um anjo da guarda de prontidão.

 

Alguns dirão que é prudência. Outros, que é covardia. Pouco importa. Quase nunca separo uma coisa da outra.  

 

Um leitor amigo resolveu contemporizar. "Nem tanto ao mar nem tanto à terra", escreveu. Gostei da observação. Tanto que passei a refletir sobre o destino dos milhares de litros de dejetos sólidos, líquidos e tudo aquilo que a elegância literária recomenda não descrever, produzidos diariamente por uma pequena cidade em pleno oceano.

 

Nem tanto ao mar. Nem tanto à terra. Mas exatamente onde?

 

A pergunta me ocupou por algumas horas. Certas inquietações se alojam na nossa cabeça de modo traiçoeiro. Para onde vai o conteúdo de milhares de descargas quando não existe rede de esgoto, estação de tratamento ou candidato prometendo saneamento básico? Prefiro acreditar que tudo seja tratado com rigor científico antes de retornar à natureza. 

 

A dúvida ainda é o mais confortável esconderijo dos otimistas.

 

Outro leitor amigo me enviou um vídeo protagonizado por um médico. Esses médicos modernos não se contentam mais em combater doenças. Resolveram também fiscalizar hábitos, corrigir costumes e destruir a tranquilidade alheia.

 

Segundo o doutor, deixar a toalha secando dentro do banheiro, por exemplo, é um erro quase criminoso. A explicação envolvia bactérias, células mortas, descargas sanitárias e uma série de detalhes microbiológicos capazes de transformar um simples banho numa experiência traumática.

 

Não repetirei tudo aqui por respeito às almas mais sensíveis. Basta dizer que, ao final do vídeo, minha toalha pendurada atrás da porta já não parecia uma toalha. Parecia uma emboscada. A escova de dentes adquiriu aparência suspeita. O sabonete começou a inspirar desconfiança.

 

O médico citava pesquisas científicas. Falava de bactérias encontradas em toalhas compartilhadas. Mencionava estudos japoneses. Sempre os japoneses. Não satisfeitos em fabricar automóveis que não quebram e câmeras que fotografam crateras na Lua, resolveram agora investigar a vida secreta das toalhas.

 

A ciência possui passatempos curiosos. O resultado foi suficiente para provocar uma crise existencial em boa parte dos internautas brasileiros.

 

Houve quem prometesse trocar toalhas diariamente. Outros cogitaram instalar varais na sala. Alguém declarou que estudava a viabilidade econômica de transformar a varanda num centro de secagem industrial.

 

A paranoia é uma planta resistente. Cresce em qualquer terreno quando irrigada por vídeos de internet. Mas o episódio me permitiu uma conclusão inesperada. 

 

Passei anos desconfiando do oceano. Temendo acidentes, confinamentos, surtos e tempestades. Como tantas pessoas da minha geração, cresci acreditando que os perigos moravam longe. Nas selvas, nos desertos, nos mares revoltos. Os antigos enchiam os mapas de monstros marinhos. Dragões aquáticos, serpentes gigantes, criaturas capazes de engolir embarcações inteiras.

 

O desconhecido sempre viveu além do horizonte. Talvez por isso a humanidade tenha atravessado séculos olhando para fora. Vigiando o mar. Observando o céu. Temendo monstros que imaginava escondidos depois da última onda. 

 

Enquanto isso, o perigo aperfeiçoava sua estratégia. Mudava-se para dentro de casa. Instalava-se discretamente atrás da porta do banheiro. Passava a morar numa toalha úmida.

 

Existe certa ironia nisso. A mesma espécie que atravessou oceanos em caravelas precárias, enfrentou continentes desconhecidos, guerras, naufrágios, pestes e tempestades agora passa parte do dia discutindo partículas microscópicas que podem pousar sobre uma toalha felpuda.

 

A civilização avançou muito, mas a ansiedade correu mais rápido. Essa talvez seja a verdadeira história da humanidade. Mudam os séculos, mudam os perigos, mudam os nomes dos monstros. Mas continuamos os mesmos. Nossos antepassados temiam dragões marinhos que nunca existiram. Nós tememos monstros menores que existem. Não se sabe qual geração dormiu melhor.

 

Pensando bem, talvez os antigos estivessem certos em desenhar monstros nos mapas. A diferença é que os deles viviam no oceano. Os nossos moram no banheiro. E costumam ficar pendurados atrás da porta.

58 comentários:

  1. Nossos avós estavam certos. Nas casa de antigamente a “casinha”, ficava lá no terreiro. Dureza era a dor de barriga à noite, no escuro, às vezes com chuva. Mas as porqueiras ficam longe das toalhas e escovas

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se bem, Isa, que, como as casas não tinham banheiros internos como hoje, guardavam-se os penicos (urinóis ou bacias) embaixo da cama ou em móveis de cabeceira, para que não fosse necessário ir até o quintal durante a madrugada.

      Excluir
    2. Nem fale de penicos… eu, 8 anos, magricela, franzina tinha a obrigação matinal de ir verter os penicos dos quartos dos pais e irmãos. Da cozinha ao terreiro tinha uma escada e os penicos cheios de tudo, muitas vezes no balanço de meus passos trêmulos, entornavam o conteúdo nauseabundo nas minhas mãos

      Excluir
  2. Grande Hayton. Sua crônica traduz com precisão a nossa ironia moderna. Falo por nós, do BB, e por outros milhares que vivenciaram essas mesmas batalhas. Sobrevivemos a reestruturações brutais, ao "Novo Rosto", a reengenharias que extinguiram cargos, a transferências compulsórias e a metas dobradas. Hoje, na calmaria da paz conquistada, criamos novos monstros para combater. Trocamos a rotina de matar leões no banco pelo rastreamento de poeira no banheiro, pela contagem de passos e pela neurose da umidade do ar. Escapamos dos grandes perigos do mundo para nos tornarmos reféns das pequenas cismas domésticas.
    Simbora viver, contemplar e nadar em algumas águas calmas do oceano. 🥂🍻

    ResponderExcluir
  3. Haydee Jurema da Rocha8 de julho de 2026 às 06:42

    Como alguém já falou: " Quem procura acha!"
    Vamos viver a vida com mais leveza... Não podemos esquecer que o contato com esses seres " invisíveis" obrigam o nosso sistema imunológico a trabalhar. A " máquina humana" não não pode ser trancafiada num armário, sob pena de enferrujar.
    Sem contar com os "desequilíbrios mentais" oriundos desse tal "desenvolvimento tecnológico."

    ResponderExcluir
  4. Crônica pedagogica!!!
    E o assunto veio do mar até chegar dentro de casa!!!! Só faltou a recomendação de dar descarga com a tampa do vaso abaixada, na tentativa de prender as bactérias dentro dele. Kkkkk. Ah! E hoje apareceu no face uma mulher dizendo que o marido teve uma virose por e.coli. Se ela tivesse lido sua crônica teria tomado providências e o marido não teria tido a virose.Nelza Martins

    ResponderExcluir
  5. Se já temos tanta coisa para nos preocupar, por que criamos mais tantos problemas?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É isso, amigo. Como diz a máxima atribuída à sabedoria oriental: se há solução, não há motivo para desespero; se não há, o desespero é inútil.

      Excluir
  6. Bom dia amigo, preciosa crônica. Sem falar nos falsos médicos criados pela IA que estão povoando as redes sociais com recomendações "segundo Havard". Outro dia me mandaram um desses vídeos, que num tem quem diga que nun é falso, e é. E o médico ensinava como um veio deve entrar no banho. Fiquei pensando que se eu seguir aqueles procedimentos de primeiro molha aquilo, depois aquilo e aquilo, nunca mais tomarei banho. Até termômetro na água a leste do médico Iaiano recomendou, porque disse que nos os de pele enrugada podemos ter choque térmico. No reino dos perigos, prefiro me fingir de bobo e ignorante, pra conseguir desfrutar de um bom banho do jeito que gosto.

    ResponderExcluir
  7. O tempo passa e os hábitos continuam em harmonia com as bactérias. A tal da covid foi um alerta para futuras gerações, mas deixou em cada família uma grande mágoa. Por outro lado, trouxe a calma de que precisamos desacelerar dessa vida agitada. Eu, como bebo, tenho a coragem de atravessar o Atlantico , se possível com a bebida inclusa no pacote.

    ResponderExcluir
  8. Bom dia amigo Hayton.
    Bela crônica.
    A época atual nos trouxe a doença de procurarmos doenças.

    ResponderExcluir
  9. Caro Hayton, uma excelente crônica. Quanto ao mar, guardo distância: nem nadar aprendi. Já as toalhas, ao longo dos meus 82 anos, troco-as ao achar conveniente.

    ResponderExcluir
  10. Nem o Dr. Bactéria pensou nesta situação de contaminação no ambiente que muito refletimos sobre a vida. Um novo tema para estudo científico ou monografia na área de infectologia.

    ResponderExcluir
  11. pois ê, meu caro. Para concluir a trilogia so falta uma crônica sobre os perigos do Motel. uma ênfase na hidro. Luis Antonio.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Belo tema, Lula. Se bem que não tenho licença poética para tratar assunto. Teria que, antes, obter uma outorga uxória para desenvolvê-lo.

      Excluir
    2. Ha!Ha!Ha! Muito boa a sugestão para o fechamento da trilogia. Esperemos que a outorga uxória seja assinada.

      Excluir
  12. ROBERTO SANTOS FERNANDES8 de julho de 2026 às 07:32

    É bom ter uma boa leitura pra começar o dia!
    Parabéns por mais essa.

    ResponderExcluir
  13. Hayton, mais uma crônica inteligente e saborosa. Você transforma uma inquietação cotidiana em uma reflexão divertida sobre como nossos medos mudaram de endereço, sem perder o humor nem a leveza. O final é daqueles que faz a gente sorrir e pensar ao mesmo tempo. Parabéns!!

    ResponderExcluir
  14. Rindo das lembranças e advertências que meus pais sempre faziam diariamente até porque eu era bem rebelde com o asseio em minhas peraltices de criança, e nossa casa só tinha 1 banheiro daqueles bem antigos e ali toalhas roupas sabonetes escovas se misturavam em uma casa com 8 e até 10 pessoas, imaginem a trabalheira de minha mãe avó e secretária do lar tinham pra deixar tudo organizado e limpo.

    ResponderExcluir
  15. A crônica foi boa, geralmente leio mais tarde, hoje, não sei porquê, li antes do café matinal.
    Passei por tudo isso, e muito mais. Gostava muito da Latrina no fundo do quintal, podia demorar mais e usar a criatividade. Se me entende!!

    ResponderExcluir
  16. Sempre uma leitura que envolve, traz um sentimento de reflexão, viagem no tempo, pela trajetória da vida. Ainda bem que o problema mudou de amplitude, distância, solucao mais facil.
    Confesso que sempre tive o hábito de não deixar no banheiro; toalha, escova de dente, até perfume. O que era motivo de discórdia doméstica. Até a publicação do vídeo, apliquei a sentença com a Súmula Final. Kkkk

    ResponderExcluir
  17. Esses japoneses...Só porque comem de palitinho resolveram que agora vão ser com as bactérias, que, aliás, tem origem no grego bakterion que significa pequeno bastão. Então, que tal pegar um pequeno bastão pra incomodar o mundo inteiro?, pensaram os japoneses, kkkkk.
    Se for assim, melhor nem dormir mais, pois nossas camas podem abrigar até 1 trilhão de ácaros se alimentando do cadáver de nossa pele.
    Pra não ir mais longe, vamos dormir em paz e usar tranquilos as toalhas que ficam atrás da porta do banheiro, inclusive as úmidas que são um bálsamo para secar nossos corpos. E haja palitinho pra esses japoneses, hein? Adorei a crônica.

    ResponderExcluir
  18. Show de crônica, Hayton. Sou daqueles que prefere brincar em "terra firme". O mar, ao meu ver, deve ficar para os seus habitantes naturais. Quanto às bactérias, acredito que seguirão travando uma batalha diária contra o nosso sistema imunológico. Os anticorpos fazem a sua parte, mas, é prudente não dar vantagem ao inimigo.

    ResponderExcluir
  19. Grande Hayton! Num cruzeiro de travessia oceânica, por 18 dias eu ficava pensativo em tudo isso durante a viagem. A reflexão de hoje nos faz pensar no invisível que nos atinge todos os dias. Mas vamos em frente tudo aquilo que possa nos aniquilar! Abraço!!

    ResponderExcluir
  20. Uma crônica escatológica, mas limpinha e com bom humor! Antigamente tínhamos mais contato com germes e bactérias, desde crianças, e isso nos dava resistência às doenças na vida adulta. Mas, pelo andar da carruagem, em um futuro não muito distante, tudo será mais asséptico, com toalhas super limpas, banheiros impecáveis, tudo sem cheiro, sem gosto, sem cor ...
    P.S. Li em algum lugar, que os chineses (ou japoneses) já inventaram um modo de se enxugar do banho sem toalha, uma espécie de maquina de lavar e secar gente.

    ResponderExcluir
  21. Esse meu amigo cronista é muito criativo. Gostei muito da abordagem.
    Como não custa nada palpitar, tem uma expressão no corpo da crônica que merecia ir para o título: “A vida secreta das toalhas”.

    ResponderExcluir
  22. É isso mesmo, meu amigo Hayton. Os bichos podem até ter diminuído de tamanho, mas ficaram muito mais perigosos. Na verdade, eles sempre estiveram por perto, escondidos na toalha úmida, no sabonete, na escova de dentes e em tantos outros lugares. São os fungos, as bactérias e os vírus, que evoluíram ao longo do tempo, assim como a medicina evoluiu para identificá-los e combatê-los.
    Mesmo dentro de casa, por mais cuidadosos que sejamos, nunca estamos totalmente livres de um encontro indesejado com esses microrganismos.
    Eu já não era admirador das viagens de cruzeiro marítimo, mas, depois dessa sua crônica, você praticamente bateu o martelo. Sempre que possível, é prudente evitar ambientes que possam representar maior risco de contaminação por bactérias e outros agentes infecciosos.

    ResponderExcluir
  23. É, meu amigo, tá difícil!
    Sem uma dose moderada de ignorância, fica muito preocupante viver.
    Com uma dose maior, todavia, vive-se bem, e não faltam oportunidades eleitorais.

    ResponderExcluir
  24. O banheiro já foi o mais acolhedor território para afugentar monstros sagrados com as próprias mãos...

    ResponderExcluir
  25. Vixe Maria, cada dia surgem opiniões, como que terroristas, para nos deixar mais preocupados com coisas que fizemos a vida toda sem nenhuma culpa de estarmos errados.

    ResponderExcluir
  26. Como você escreve bem! Como saber enxergar de forma interessante coisas simples e torná-las boas de ler!!!

    ResponderExcluir
  27. Ademar Rafael Ferreira8 de julho de 2026 às 10:40

    De uma coisa não tenho dúvidas é mais seguro navegarmos nos "mares" da boa leitura. Sucesso e até quarta-feira.

    ResponderExcluir
  28. Somos produtos do meio que, por modismo ou por imposição, aceitamos como verdadeiros. Em tempos de "influencers", cujas afirmativas são mais respeitadas do que tratados científicos, torna-se difícil decifrar o que é nocivo ou benéfico... Na realidade, se ficarmos questionando tudo, pouco tempo sobra para ser vivido. Enfim, a crônica, de fato, nos faz refletir e isso é bom. Parabéns.

    ResponderExcluir
  29. Belo Texto!!!

    ResponderExcluir
  30. Sobre os rebolados traiçoeiros do mar, pesam a bobagem que o aventureiro Pedro Alvares fez, em navegar bebendo e conversando merda, a caminho das Índias.
    Todo brasileiro que fosse a Portugal, deveria dar uma passadinha na igreja da Graça, em Santarém (lugar que, dizem, que está e ao mesmo tempo não está sepultado o nosso descobridor), e mesmo assim acender-lhe uma vela, e dizer-lhe umas verdades póstumas:
    - Cabral, fi duma égua! Tais vendo a merda que deu, tu navegar tomando cachaça?!
    E tome-lhe cacete...

    ResponderExcluir
  31. Atenção, senhor cronista, senhoras leitoras, senhores leitores, sem esquecer das/dos comentaristas! O que vem a seguir é...

    Até os meus doze anos, também convivi com as latrinas, vulgo "casinhas"; com urinóis, vulgo "pinicos"; com o caminho escuro e com as escadas e suas consequências...

    E, pior! Um dia, ao atravessar uma "pinguela" muito estreita, sobre uma valeta, por onde corria uma água escura, meu pé direito escorregou e caiu na valeta. Felizmente, foram só o pé e a canela.

    Este incidente resultou em várias "perebas", no pé e na canela, curadas com banha de porco (ou melhor, "suíno") e cinzas retiradas do fogão à lenha (um "ótimo" remédio caseiro...). Até hoje, existem algumas cicatrizes...

    E podia piorar? Esperem só!

    Até aqui, falamos dos oceanos (sem confundir com o nosso amigo Oceano, claro!), dos navios de cruzeiro, dos banheiros, das toalhas molhadas, das camas, (vou aproveitar e acrescentar os hospitais, além dos lugares e banheiros públicos em geral), mas falamos pouco de algo... o nosso próprio corpo...

    Sabemos que ele é cercado por verdadeiros exércitos microscópicos, dispostos a nos derrubar e nos tornar, inclusive, transmissores. Hajam gripes, resfriados, viroses, covids etc. O ambiente pode estar super higienizado, mas basta alguém espirrar e...

    Até que, com bons hábitos de higiene, ainda conseguimos ter um relativo controle sobre a parte externa do corpo. Mas basta um descuido e lá vem uma infecção urinária, uma infecção na garganta, uma "diarréia" e por aí vai!

    Calma, que ainda não terminei! Hoje, estou sendo seu "malvado favorito".

    Falei da parte externa do corpo, que podemos controlar, e das "invasões" por descuidos ou transmissões. E até podia parar por aqui. Mas, existe algo que, geralmente, passa totalmente despercebido: os microorganismos que habitam nosso corpo.

    Hayton já comentou que, em sua grande maioria, são eles benéficos. Mas... Há um detalhe importante: eles não podem migrar do órgão que habitam para outro órgão, onde se tornam "terroristas".

    Isto aconteceu comigo, em 2012, quando tive uma pancreatite aguda, causada por um desses "migrantes danadinhos". Minhas chances de sobreviver eram de menos de cinco por cento, mas como sou muito teimoso, consegui uma sobrevida, que completou este mês quatorze anos.

    Depois dessas experiências, cheguei a mesma conclusão de Gonzaguinha. Fico com a pureza das respostas das crianças. É a vida, é bonita e é bonita!

    É arriscada, mas é bonita!

    ResponderExcluir
  32. JAMES CAVALCANTE DE MEDEIROS8 de julho de 2026 às 17:34

    Já pensou ficar enclausurado por causa de bactérias que circulam livremente pelos ambientes. O ser humano tem bactérias, faz parte do modo de viver; precisa para encarar as enfermidades. James

    ResponderExcluir
  33. Não sabia que o banheiro era tão perigoso.
    Outro dia vi um gajo relatando o perigo de escorregar e cair enquanto nos banhamos.
    Agora vem essa da toalha.
    Talvez seja melhor tomar menos banhos e usar mais toalhas. Sei não.

    ResponderExcluir
  34. Eita que o assunto de hoje mexe com todo mundo.
    Concordo com Haydee: “Vamos levar a vida com mais leveza.” E como bem dizia minha avó: “Tudo de mais é demasia”.
    A propósito, outro dia fui a uma dermatologista por conta de uma irritação nas mãos. Ela me disse que, depois da pandemia, esses casos aumentaram bastante, resultantes de excesso de lavagem nas mãos e uso constante de álcool.
    Assim, nada de exageros.

    ResponderExcluir
  35. Diante do terrorismo que cresce a cada dia na internet, o remédio é usar o bom senso. “Nem tanto ao mar. Nem tanto a terra.” Depois da saga da toalha de banho, assisti a um vídeo onde um dito médico difama o nosso cuscuz de cada dia. A (des) informação acusa o velho conhecido de muitos de nós nordestinos, de provocar pico de glicose. Em protesto, comi no jantar, regado a leite de coco.

    ResponderExcluir
  36. Quem viveu nas décadas de 40, 50, 60, acho que adquiriu imunidade suficiente para encarar os modernos ambientes em que vivemos atualmente. Que tal comparar as folhas de jornais com o papel higiênico aveludado de hoje? Ou o moderno vaso sanitário, com o pinico sanitário? Quanto à viagem de navio, passei sete dias num cruzeiro e adorei ficar respirando o ar puro em alto mar. Felizmente, não aconteceu daqueles imprevistos que vi num documentário da Netflix: "A viagem do cocô." Aí sim, é apavorante! Enfim: "Nem tanto ao mar. Nem tanto a terra." Ou seja, devemos tomar cuidado, mas não se apavorar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quem, como eu (e talvez você também, Orlando), tomou banho no Rio Mundaú e escapou da ancilostomíase (o velho amarelão) e da esquistossomose (a famosa barriga d’água, doença do caramujo), heranças das águas mornas da Ilhota e da Terra Cavada, já ganhou foi umas vidas extras. Tem mais é que comemorar.

      Excluir
  37. Caro Hayton,
    Tenho estado relapso - deselegante mesmo para consigo - em comentar seus valiosos e educativos escritos, como sói ocorrer com esta crônica.
    Penitencio-me🙏🏻
    Mas, voltando ao "banco da praça" literário, vi sua crônica como educativas, elucidativa e, acima de tudo, um chamamento à reflexão quando da leitura de certos textos que se querem parecer informativos, e que, no seu íntimo, desinforma, alguns deles dizendo de bases e publicações científicas, estas nunca valoração ou canceladas pir autoridades da área do estudo específico.
    No mais, meu pedido de perdão por ter sido tão relapso.
    Continuo com imenso medo de Cruzeiros Marítimos😂🤣
    Ave Verbo!

    ResponderExcluir
  38. Rapaz, a racionalidade moderna, ou melhor, a racionalidade destes tempos está me deixando preocupado. Transforma-se tudo em patologia. A lógica agora quer padronizar, controlar e medir absolutamente qualquer coisa. Como exemplo, um dia desses eu tentei visitar um recém nascido, mas recuei porque fui informado que não podia visitar antes dos 3 meses para não transmitir doenças. Mais interessante mesmo, foi ler um desses especialistas em sexo na velhice dizer que se você anotar numa agenda comum o dia e a hora de transar que aumenta a tesão. Não sei onde a gente vai parar. Ainda bem que toda geração precisa morrer.

    ResponderExcluir
  39. Muito bom esse texto, Hayton!
    Tbm, já fiz mais de um Cruzeiro e, aproveitei ao máximo a comodidade e luxo de ter tudo à mão! E olhe que sou uma pessoa mais terra, pé no chão, nem sequer sei boiar, porém, experimentei e adorei a viagem!!!
    Quanto ao problema das toalhas, louvei por ter voltado ao meu Piauí__morar em uma casa__onde o sol é escaldante, que mata até os pensamentos, quanto mais as bactérias, e as roupas são esterilizadas ao ar livre!😄
    Mas, brincadeiras à parte, os cuidados com a escova faz sentido, por ser um objeto de uso oral!!!

    ResponderExcluir
  40. Mesmo não sabendo nadar, fico pensando que num cruzeiro, o menor perigo vem do mar...

    ResponderExcluir
  41. Essa "continuação" da crônica sobre Cruzeiros, com foco nas toalhas e bactérias foi instigante demais. Parabéns Hayton.

    ResponderExcluir
  42. Três coisas: já inventaram remédio para alergia. Agora, alergia a navios, a pílula deve ser muito grande. Não tem como tomar. Toalhas secando no banheiro, conheço pessoas que morreram com mais de cem anos e faziam isso naturalmente. Precisamos arrumar serviço pra esses pesquisadores. Quanto aos monstros do mar, no Amazonas existe a crença de que um boto se transforma em um rapaz bonito e engravida as meninas... sou mais esse boto...kkkk

    ResponderExcluir
  43. Sem nunca abdicar da condição de Presidente de seu FÃ-CLUBE, não aceito também essa DITADURA - as maiusculas são pertinentes - que os tais detentores do conhecimento e até controle da Ciência querem, pretendem determinar até nosso passo a passo.
    Afinal, como eles propagam, nossa única alternativa - falo sobre nós, SEMINOVOS - seria nos hospedarmos em um hospital ou clínica, até o final de nossos dias.
    Então, prefiro ficar aqui, conservado em BARRIS DE CARVALHO...

    ResponderExcluir
  44. "passei a refletir sobre o destino dos milhares de litros de dejetos sólidos, líquidos e tudo aquilo que a elegância literária recomenda não descrever" kkk Depois dessa pérola, o texto só vai ficando cada vez melhor. Nem sei de que parte gostei mais. Só sei que ri muito aqui, sozinha. Bravo, Hayton!

    ResponderExcluir
  45. Agostinho Torres da Rocha Filho11 de julho de 2026 às 08:22

    Cada qual com suas neuras, obsessões ou preocupações excessivas. Particularmente, prefiro acreditar na máxima de que "se eu não vi, não voga." De toda sorte, o cuidado com a higiene pessoal nunca fez mal a ninguém.

    ResponderExcluir
  46. O mundo invisível dos inventores de conteúdo fajuto faz com que os idiotas de plantão acreditem numa realidade que sempre vivemos. Tudo começa com o medo. Medo de se contaminar com uma toalha e medo de ser assombrado por seres imagináveis. Se o perigo do mundo moderno se resumisse a conversa fiada de influenciadores picaretas estaria em paz comigo mesmo. Enquanto isso, a minha toalha vai continuar no banheiro e a vida vai seguir como sempre foi.

    ResponderExcluir
  47. Continuo com reserva quanto ao passeio de cruzeiro, mas secar a toalha fora do banheiro tá difícil. Parabéns Hayton, por mais essa preciosa crônica.

    ResponderExcluir
  48. Aplausos !!👏🏻👏🏻👏🏻

    ResponderExcluir

A água e o tempo

  A ÁGUA E O TEMPO Hayton Rocha Sexta-feira passada, meu velho e querido amigo Biramar me perguntou, com palavras mais elegantes, se não hav...