janeiro 21, 2026

Pacto de mangue e mar

PACTO DE MANGUE E MAR 
Hayton Rocha


Há amores que a gente escolhe com a cabeça — o filme da hora, o livro da moda, o vinho da vez. E há amores que nos escolhem de corpo inteiro: pelas mãos, pelos olhos, por um cheiro antigo que insiste em ficar. Amor por um clube é assim: não se explica, se padece. Lealdade que não se negocia na vitória nem na derrota.

 

Sei disso com o Vasco, herança paterna de um jeito próprio de amar e sofrer. Sei também com o CSA, essa teimosia que verga há anos, mas não quebra. Mas não falo deles. Falo de um amor que não tem camisa vendida em aeroporto: a AABB Maceió.


Mosaico: Album de Família 



Sim, um clube. “De banco”, dirão alguns, como quem reduz uma cidade a um código postal. Mas a AABB é dessas paixões que entram sem bater e quando a gente menos espera já puxaram cadeira e tomaram assento na sala. Nasceu como tantos outros clubes: da necessidade de encontro. Em 1953, bancários em Alagoas decidiram que convivência fora do trabalho e lazer não eram luxo, mas questão de sobrevivência.


Cheguei à AABB em 1970, ainda na Praia do Sobral, trazido pela transferência do meu pai de União dos Palmares para Maceió. Tinha 12 anos — idade em que o mundo cabe no bolso e o amanhã não cobra juros. Fui direto para a natação. Andava sempre assoando o nariz, catarro teimoso de menino. O amarelão e a barriga-d’água, lembranças quentes do Rio Mundaú, só apareceriam depois, descobertos e curados quando o tempo resolveu explicar o corpo.

 

No verão de 1971 vivi meu único triunfo esportivo digno de nota. Talvez por isso o clube nunca tenha saído de mim. Numa prova final de peito clássico, os arredores da piscina estavam coalhados de gente. A torcida parecia toda pelo adversário da raia ao lado. Por mim, só minha mãe e meus irmãos, perdidos no oceano de cabeças, tentavam me salvar do vexame.

 

Ganhei por uma braçada — sabe Deus como. Do alto de dois engradados de cerveja que serviam de pódio, engoli o choro ao receber das mãos de meu pai, então secretário do clube, a única medalha que pendurei no pescoço. Disseram-me que homem não chorava. Nem menino mudando de voz, com pelos nos sovacos. 

 

Soube bem depois que aquele adversário, filho de um associado muito querido, se perdeu nas drogas e hoje, quase setentão, perambula pelas ruas como sem-teto. A raia muda. O pódio apodrece. O aplauso evapora.

 

Volto aos treze anos. Enquanto não comia, dormia ou estudava, queria mais era rachar nos campinhos de terra batida ou à beira-mar, disputar futebol de botão, folhear a Placar. E minha irmã mais velha suspirava lendo fotonovelas e ouvindo canções românticas.

 

Nas noites de sexta, a AABB fervia. Banda, cadeiras duras, fumaça espessa, luz negra estourando nos olhos, o chão vibrando sob os sapatos. Minha irmã queria ir à boate toda semana. Nosso pai era inflexível: só iria se eu fosse. E lá ia eu, mártir involuntário, para um mundo onde não cabia. Às dez da noite já morria de sono. Sem saber, porém, testemunhava o nascimento de uma lenda alagoana que o Brasil inteiro aprenderia a ouvir.

 

No Carnaval de 1972, também na AABB, fingi gostar da bagunça. Não larguei a mão de uma menina nos três dias de folia e, no último, até assobiei a marcha derradeira. Mais alívio que romance. Nem houve beijo. Naquele tempo, matava-se a sede gole a gole.

 

Rimos hoje do que não aconteceu. Ou de quando ouvimos “só eu sei as esquinas por que passei...”. E isso também é amor pelo clube: um lugar onde a memória faz tabela e a saudade vira o jogo a qualquer momento.

 

Doze anos mais tarde, a AABB se mudou para Ipioca, na Praia da Pescaria. Ali deixou de ser apenas clube: virou ecossistema. Um pedaço de chão entre rio e mar, na foz do Meirim, onde o mangue ensina paciência. Na maré baixa, atravessa-se o rio a pé, como se a natureza abrisse uma porteira. Só pede cuidado.



Mosaico: Album de Família


 

Foi ali que nossos filhos deram as primeiras braçadas, aprenderam a tirar caranguejo da toca sem ferir as mãos. Foi ali que, outro dia, vi uma netinha, criada entre teclado e viola estrangeiros, exultar ao ver um amigo meu tocar triângulo. Pediu o instrumento e nos encantou. Talvez não saiba ainda, mas corre em suas veias sangue nordestino — esse povo que transforma uma lata em tambor de todos os ritmos.

 

Lembrei de tudo sábado passado, numa prévia carnavalesca na AABB. Alguém me perguntou qual era minha ligação com o clube. Respondi com outra pergunta: “você tem um tempinho pra me ouvir?”.

 

Porque esse amor não é posse, é permanência. Um pacto entre pessoas, lugares, vozes e ausências. Algo imenso que não se explica nem se rompe. 

 

Como o mangue: parece lama, mas sustenta o mar. 


 

 

61 comentários:

  1. Caro Hayton
    Li sua crônica e gostei demais da sua habilidade em transformar a memória afetiva em algo tão tangível. O que mais me despertou atenção foi a maneira como você articulou a história pessoal com a geografia sentimental de Maceió. Há uma elegância muito particular em não omitir as asperezas da infância — as enfermidades do rio, o pódio improvisado sobre engradados — enquanto se constrói a mística do lugar.
    A nota trágica sobre o destino do seu antigo adversário de raia confere à narrativa uma gravidade necessária. Ela retira o texto do campo da mera nostalgia e o transporta para uma reflexão sobre a transitoriedade e o peso do tempo. É um contraponto severo, mas muito bem colocado, que dá equilíbrio à leveza das recordações de carnaval e das fotonovelas.
    Ao final, ao comparar o clube ao mangue — essa estrutura que, embora oculta e humilde, sustenta a imensidão do mar —, você sintetizou o que significa pertencer a algo. É uma imagem poderosa, que encerra o texto com uma sobriedade que honra tanto as suas raízes quanto a inteligência do leitor.
    Um belo testemunho de permanência. Parabéns.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Depois de viajar pelo texto do Amigo Hayton, a gente se depara com os comentários que vão enriquecendo ainda mais a viagem. Aqui, Izaias debulha a crônica de uma maneira muito especial, dando luz às sutilezas com que o nosso Amigo Cronista nos presenteia a cada semana.
      Que bom poder estar no meio de gente que tem esse dom de embelezar as coisas.

      Excluir
  2. Amigo Hayton,é Muito Prazeroso ler suas Crônicas,e falando em Maceió,o prazer e a saudade triplicam!

    ResponderExcluir
  3. ADEMAR RAFAEL FERREIRA21 de janeiro de 2026 às 05:32

    Cada AABB por onde passamos na vida de retirante tem um pedaço de nós na quadra, na piscina, no campo, no bar, no salão de jogos...foi a nossa terceira casa. Essa crônica coloca no pódio um espaço que foi trocado por outros nos dias atuais e que para nossa geração segue sendo o espaço de lazer preferido. Gratidão caro amigo.

    ResponderExcluir
  4. Caro Hayton,
    Há, na sua crônica(reminiscências) um pacto bem maior: do amor com o respeito; da benquerença com a saudade; do ensinamento com o aprendizado; da preservação com a dignidade!
    Pouco se vê, em dias como os que transitamos, pessoas voltadas a guardar memória e respeito ao que lhes fora basilar no conjunto do aprendizado na vida. Há um esquecimento seletivo, por vezes sibite, como cravam nossos irmãos sertanejos da Velha Natuba dos Kiriris, meu torrão, tudo em obediência à modernidade e, digamos assim, à prosperidade meramente material.
    Tenho e terei um tempinho para lhe ouvir, para lhe ler semanalmente - ao menos -, mas, acima de tudo, creia, tenho um tempão, de sobra mesmo, para admirar sua verve de escritor festejado, com sério rumo à Academia dos maiores nas letras, pensada e nos moldes de antanho, por nosso inconfundível Machado.
    Há fãs que exageram, os tietes, como aqui me ponho, mas o fazem com a consciência de aplaudir o que de melhor se nos vem nos seus brilhantes textos.
    Ave Palavra!
    Tonhodopaiaia.org

    ResponderExcluir
  5. Um mergulho nas lembranças. Obrigado, amigo por nos guia nessa viagem de pés descalços entre o doce do rio e o sal do mar.

    ResponderExcluir
  6. Grande Parahyba - Amigo Singular!
    De vara curta, hoje cutucou vigorosamente a memória.
    Bela viagem ao passado não muito distante.
    Conheço esse paraíso - AABB de Maceió, a atual - Essa que tem a beleza de lugar que acolheria, com modos, a figura genial de Ernest Hemingway, cujas pegadas 👣, você mesmo, ainda descalço, está a trilhar.
    Fraterno amplexo 🤝

    ResponderExcluir
  7. A Associação Atlética Banco do Brasil é um clube que faz parte da minha história desde a década de 1970. Tornei-me associado ao ingressar no banco, em 1983. Atuei como presidente da AABB de Penedo-AL por sete anos e, atualmente, integro o Conselho Deliberativo da AABB Maceió. A crônica, envolvente e sensível, nos conquista a cada linha e nos conduz suavemente por uma verdadeira viagem no tempo. Hayton, como sempre, você nos faz revisitar nossas lembranças mais afetivas. Desta vez, acredito que todos que fazem parte da família Banco do Brasil se veem refletidos nessas memórias ligadas à AABB.

    ResponderExcluir
  8. Já conheci a AABB da praia de Pescaria.
    Tenho fotografado lindas recordações dos meus filhos ainda crianças.
    Velhos tempos.

    ResponderExcluir
  9. Sua crônica de hoje me vez passear por bons momentos vividos em algumas de nossas AABBs, inclusive a de Maceió, quando atleta de voley integrava o time da AABB de Salvador e participava dos varios campeonatos regionais e até nacionais realizados no nosso amado clube. Valeu amigo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Confesso, Perpétua, que vivi momentos maravilhosos também na AABB Salvador, em 1990/91 e 1999/2000. E você e Aguilar sempre estavam por perto.

      Excluir
  10. Há algum tempo ouvi um amigo dizer que só se conhece outra pessoa depois de uma garrafa de vinho. Certamente foi uma metáfora para dizer que precisa ter tempo de ouvir e escutar os detalhes. A crônica de hoje traz o detalhe revelador nos três dias de carnaval, me levando a entender que o personagem se apaixonou por todos os caminhos que o conduziram ao grande amor da sua vida.
    Maurício

    ResponderExcluir
  11. A cada crônica a gente conhece um pouco mais sobre você e sua história de vida. Passa a sensação de caminhar ao seu lado. Grande abraço.

    ResponderExcluir
  12. Sensibilidade única. Um enredo que nos prende e com um final genial : “Como o mangue: parece lama, mas sustenta o mar.”

    ResponderExcluir
  13. Antonio Propheta Neto21 de janeiro de 2026 às 07:24

    Hayton, mais do que contar sua história de amor e emoções nas AABB da sua vida, nos provoca e convoca , com o talento dos poetas, a reviver nossas próprias lembranças guardadas em alguma gaveta da memória …

    Passou um filme em mim enquanto lia e via as fotos …

    Às três AABB da minha vida , dos 6 aos 63 anos , da quadra de cimento da AABB de Serrinha , onde ficou o sangue e a marca dos meus joelhos meninos , passando pela da Barra já em Salvador, ainda menino adolescendo e sua quadra de madeira e piscina azul como a mar do Porto da Barra e a saia de uma moça dançando na salão nobre do andar de cima e os hambúrgueres do restaurante do térreo …e a primeira quadra de vôlei de areia que só olhava de soslaio e fingia ignorar …

    Dos passeios de cavalo nos primórdios da AABB de hoje, onde jovem adulto , andei de cavalo pela primeira vez , da “piscina de hotel “ , dos campos gramados enfim , até os nossos encontros da turma da Centro ….

    Esse Hayton vira e mexe revira nossos corações empedernidos…

    Show de bola .

    E phudeu a Bahia!

    ResponderExcluir
  14. ROBERTO SANTOS FERNANDES21 de janeiro de 2026 às 07:29

    Boas lembranças daquele tempo !
    Entre tartarugas e caranguejos, você continua nos provocando com suas crônicas.
    Parabéns!

    ResponderExcluir
  15. Você me fez lembrar de Exupery em O Pequeno Princípe, meu livro de cabeceira na mocidade. "Todas as pessoas grandes foram um dia crianças – mas poucas se lembram disso". Isso reflete a perda da imaginação e da pureza com o passar do tempo.

    ResponderExcluir
  16. Muito prazeroso ler suas crônicas e em especial essa sobre o nosso clube. Parabéns mais uma
    Vez meu amigo

    ResponderExcluir
  17. ...Excelente crônica, caro HAYTON! Vivenciei "bons momentos" nas AABBs Brasil afora. Saudades. José Luiz.

    ResponderExcluir
  18. Essa ligação quase umbilical dos funcionários com a AABB é fantástica.
    Não fui e ainda não sou frequentadora da AABB, embora seja sócia desde meu ingresso no Banco, mesmo trabalhando no interior. Acho importante fazer parte de nossas associações: fortalece o grupo, dá visibilidade e aprimora as relações interpessoais e de trabalho. E todo dia planejo ir à AABB para ver quem encontro por lá. Um dia ..,,
    Nelza Martins

    ResponderExcluir
  19. Por mais que não tenha frequentado o clube, deu pra sentir toda a ambiência envolvida. Tem um "quê" de experiência compartilhada. E é bom saber que perdemos o nadador, mas recebemos um escritor (e dos bons).

    ResponderExcluir
  20. AABB é coletivo de emoções, conquistas, derrotas, amores, tudo junto e ao mesmo tempo, entremeado de amigos. Brilhante Hayton, sua crônica nos desperta lembranças do privilégio de ter vivido intensamente infância e adolescência conectados ao mundo real.

    ResponderExcluir
  21. Como se fora brincadeira de roda, memória...

    ResponderExcluir
  22. Nós, filhos de funcionários, criados em AABB, temos uma relação muito forte com o clube. Meu pai foi um dos fundadores da AABB de Londrina e desde criança frequentava o clube. Tenho até hoje amigos desde o inicio do clube, na decada de 60. Belas memórias meu caro Hayton.

    ResponderExcluir
  23. Amigo Hayton,
    Com sua habilidade costumeira, vc fez mais que relatar um caso de amor, relatou uma vida.
    Assim também me sinto, um apaixonado por esse clube, que na verdade, é também um lar.
    Sou AABBEANO há 58 anos, cativado que fui, antes mesmo de ingressar nos quadros do BB, por graça e “culpa”, de um tio, funcionário, e fundador da AABB Brasília.
    Quis o destino, essa fábrica de sonhos, que eu criasse minha família, e minha história no BB, sob o teto de uma série de AABBs, tendo sido orgulhosamente dirigente de várias delas.
    Excluindo minha casa, por óbvio, não há lugar em que me sinta melhor (A Andrea acha que a ordem não é essa), e continuo, teimosamente, insistindo em competir, agora apenas na sinuca, exibindo orgulhosamente a camisa que aprendi a amar, há tanto tempo.
    Temos muita coisa em comum, amigo querido, e esse amor, que dividimos com tanta gente boa, é apenas(?) mais um desses encontros.

    ResponderExcluir
  24. Delícia de crônica!
    A vida em forma de poesia. Às vezes passamos por essas coisas ditas banais e nem notamos.
    Feliz de quem recolhe, grava, saboreia. E compartilha!

    ResponderExcluir
  25. Pois é, meu amigo... AABB foi nosso refúgio de finais de semana, principalmente. Ajudei a fundar algumas e fui presidente de duas. Recentemente recebi fotos de uma, grande que sempre foi, completamente abandonada e depredada. Uma judiação. Refúgio até para malacos que traficam. Vivemos tão intensamente nossos lazeres e só restou saudade. O número de sócios caiu demais pela redução do pessoal das agências. Que pena. Até pra sonhar fica triste.

    ResponderExcluir
  26. Essa crônica me fez viajar no tempo! Relembrei as andanças pelas AABBs de Pernambuco e a inesquecível experiência em Carauari-AM. Lá, realizamos um bingo para trazer um Boneco de Olinda para o carnaval do Boi-Bumbá.
    Após conseguir o boi para a doação, veio a missão: quem levaria o boneco de 35 kg? Como ninguém aceitou, tive que assumir o papel! Treinei no quintal com tambaqui e frevo, até que o Hélio, vigilante, tomou coragem e me ajudou no desafio. Levamos a cultura pernambucana para a Amazônia, encantando quem nunca tinha visto nossos bonecos gigantes!
    Valeu Hayton, simbora viver, reviver e brindar os bons momentos da vida!

    ResponderExcluir
  27. Parabéns, Hayton! Belas lembranças! Não sei se a criação das "AABB's" foi um projeto organizacional da diretoria de RH do BB ou idéia de uma cabeça iluminada, desses colegas que fazem algo grande, sem perceber. Porque meu vinculo afetivo com o BB, de pertencimento, foi ampliado com o convivio com colegas na AABB. Alí quase não havia desigualdade de cargo ou salário (as vezes havia😄); Em uma pelada, um menor aprendiz podia dar um olé no gerente geral que não seria punido pelo desaforo! Não era muito recomendável, mas tinha escriturário novato que, no campinho de futebol 7, dava cacete no superior sem dor nem piedade! Enfim amigo, a crônica me trouxe de volta a lembrança de bons tempos, da convivência com bons colegas e amigos

    ResponderExcluir
  28. Tenho 49 anos de vivência em AABBs. São muitas histórias, lembranças. Quase todas positivas. Ver um pouco da história de cada associado de AABB relatado na crônica de hoje me transportou no tempo.
    É preciso muita maestria pra remexer nesse poço de emoções que são os clubes dos funcionários do Banco do Brasil!
    Parabéns, Hayton!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mais que tudo, amigo: você sabe que foi e continua sendo uma das âncoras do Sistema AABB. Significa que esse poço de emoções continuará jorrando, inclusive sobre um universo bem mais amplo que o time de funcionários em cada comunidade.

      Excluir
  29. AABB é sonho que não se acaba. Salvou-me da depressão quando tomei posse em Araguaçu, TO. Cidade de primeira, engatar a segunda não podia. Era o melhor clube do mundo, pois em clube algum eu já havia frequentado. Lá fiquei craque na sinuca, nadei, ri à beça de minha mãe se afogando em meio metro de água e nas festas em que a gente amava cada amigo que via. AABB é sonho que não se acaba.

    ResponderExcluir
  30. Você descreve a AABB Maceió não apenas como um clube, mas como um fio condutor que une sua infância na Praia do Sobral , as conquistas na natação sob o olhar orgulhoso do seu pai e, agora, a alegria de ver seus netos descobrindo as raízes nordestinas em Ipioca. Sua escrita transforma memórias em poesia e nos faz sentir esse pacto de mangue e mar que, de tão profundo, sustenta as histórias mais bonitas da vida.

    ResponderExcluir
  31. Quando adolescente, sempre tinha vontade de ir na AABB de Jacobina. Na primeira vez um primo me levou. Fiquei um pouco constrangido, estava usando uma camisa com o nome do "Bradesco" em letras vermelhas. Grandes momentos do nosso grupo do SBP: Sociedade dos Batedores de Pelada, comemoração dos 20 anos da AABB, shows com Falcão e Belchior, e Chiclete com Banana(dizem que foi o caminho para o fechamento do clube). Grande momentos de integração e descontração.
    O lado triste é que algumas estão fechadas e outras em completo abandono.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Talvez o lado bom das “fechadas e outras em completo abandono” é que elas permanecem vivíssimas em nosso baú de recordações. E isso pode ser o motor de arranque para uma eventual reversão do status quo com membros comunitários que percebam o bem que poderá trazer para si e os seus.

      Excluir
  32. 👏👏👏👏👏👏👏

    ResponderExcluir
  33. Amigo Hayton, ler sua crônica além de conhecer capítulos de sua jornada, de forma lindamente poética, me fez relembrar momentos lindos de minha passagem de 10 anos vivendo em Alagoas!

    ResponderExcluir
  34. Lindas lembranças ! Para mim a AABB também faz lembrar momentos muito especiais, dentre eles os meus distantes 15 anos, comemorado na sede de União dos Palmares. Gratidão por sua escrita!

    ResponderExcluir
  35. É isso ai, Hayton. Tenho orgulho de ser fundador da AABB da cidade onde você nasceu, Itabaiana-PB. Naquela época, a DG só autorizava a fundação quando o número mínimo de associados era de trinta colegas. Quando nossa agência atingiu nos idos de março de 1963, fizemos a assembleia de fundação e AABB surgiu às margens do Rio da Parayba. Fui presidente nos anos de 1973/75 e atualmente é o clube mais pujante daquela cidade, superando em eventos o centenário Itabaiana Club. Está situado as margens do famoso Rio e envaidecido aqueles que nasceram no berço de Zé da Luz, Sivuca, Abelardo (ex. Ministro da Justiça) e Hayton Jurema.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bateu vontade de conhecer essa AABB.
      Só uma ressalva, meu caro Verdi: nasci na banda pobre dos “Juremas”, do Sítio Jacaré.

      Excluir
  36. Amigo Hayton; Crônica de hoje é um bálsamo que pode aliviar o sofrimento que é viver num mundo onde já não viceja a sensibilidade atávica. Parabéns. Angélico como o sorriso abençoado do primeiro neto.

    ResponderExcluir
  37. Também fiz da AABB meu ambiente esportivo e social por muito tempo (SP, Franca e Brasília).
    Foi um privilégio ter um clube desse nível para curtir.
    Que bom você lembrar disso, Hayton.

    ResponderExcluir
  38. Meu amigo, você já está abusando, remete-nos a uma insignificância no que se trata de como definir a vida.
    Sim, cada crônica sua nos traz reflexões que até "incomodam" - as aspas são necessárias -, pelo menos é o meu caso, ao reconhecer minha pequenez, incapacidade de definir algumas angústias que me assomam, ao parar e refletir sobre a trajetória da vida.
    Você está mais que consagrado, os comentários mostram - muitos deles postados por pessoas também reconhecidamente ilustradas intelectualmente.
    É assim, espero um tempo pra me pronunciar aqui, por reconhecer que não tenho o mesmo nível dos que o fazem logo após a divulgação da peça. Meu consolo é aí comprovar que minha convicção não é sequer exagerada, os comentários definem bem, exaltam seu brilhantismo. Só que hoje não resisti, então tô aqui.
    Sou um assumidamente romântico, então você pode imaginar o quanto essa crônica aí mexe comigo. Até lembrei de uma peça magnífica e inesquecível do saudoso e imortal Aldir Blanc, poesia consagrada em uma música interpretada pelo também maravilhoso e imortal João Bosco, O RANCHO DA GOIABADA - "O rádio de pilha, o fogão-jacaré, a marmita, o domingo, o bar, onde tantos iguais se reúnem, contando mentiras..." guardando, é claro, as devidas proporções, já que em nosso caso não há necessidade de criar pra suportar, nada.
    Sim, também nos nossos encontros nas AABBs, quantos não floreiam acontecimentos passados vividos, sempre colocando uma pitada, mas aí só pra alegrar aínda mais os presentes!!!!
    Enfim, mesmo não surpreendendo, já que você é sempre brilhante, desta vez produziu uma OBRA-PRIMA.
    Fico aqui, perdôe se chateei, comparei mal.

    ResponderExcluir
  39. Esqueci de colocar no comentário acina:
    Quem consegue colocar, e de forma tão precisa - "A RAIA MUDA, O PÓDIO APODRECE, O APLAUSO EVAPORA" - tem uma visão sobre a vida que não só causa inveja.
    Acho que Jorge Amado, Veríssimo e tantos outros não só apaudiriam, ficariam também admirados.

    ResponderExcluir
  40. Não há dúvida que existem amores que escolhemos "com a cabeça" e outros que nos escolhem... Os escolhidos por nós, vão muito do que sentimos na hora, da influência de algo que gostamos. Diria que gostar de AABB é quase um "amor dependente", principalmente quando estamos em lugares menores, onde o clube torna-se a "segunda casa". Talvez, hoje não existe mais essa mistura de sentimentos "banco-AABB", por várias razões. Mas, se olharmos como isso era o integrado, faz-nos sentir aquela dorzinha de saudade...

    ResponderExcluir
  41. Egmar Barbosa de Farias21 de janeiro de 2026 às 16:56

    Fez-me voltar no tempo, no início da década de 80.

    Quando tomei posse no BB, em Traipu-AL, no primeiro final de semana, fui conhecer a AABB. Nessa época, funcionava em uma casa de alpendre, na beira do Velho Chico, pertencente ao saudoso mestre Rui Machado, na fazenda Sacão, 1,5km do centro da cidade.

    Quando fui transferido para Girau do Ponciano-AL, eu e mais dois colegas fundamos a AABB de Girau.
    Sempre frequentei AABBs por onde andava em férias, fazia questão de conhecê-las.

    Os filhos surgiram e os três passaram a adorar finais de semana nas AABBs de Traipu, Girau, Arapiraca e Maceió, essa última, na Pescaria, já frequentando os famosos chalés.

    Conheço várias AABBs Brasil afora. No entanto, a nossa querida AABB de Maceió é sem igual: natural, agradável, chamosa é como se fosse a princesa das AABBs.

    Maravilhosa crônica. Após lê-la, aqui deitado em minha rede, fechei os olhos por vários minutos e fiz uma turnê no meu passado BB.

    ResponderExcluir
  42. Hayton, em mais um belo texto, você traduziu com precisão o sentimento de tantos amigos que encontram nas AABBs muito mais do que um clube. Ali estão o aconchego do descanso, a alegria do convívio familiar, os reencontros, os abraços e as histórias que se constroem ao longo do tempo. São momentos simples e preciosos, que se transformam em lembranças eternas guardadas no coração de cada um de nós. A AABB é, para muitos, verdadeiramente, uma extensão de nossas casas.
    Parabéns!

    ResponderExcluir
  43. E o cronista, hoje, narra para nós a sua história, como frequentador de AABBs, em especial, a de Maceió.

    Criadas para promover qualidade de vida, bem-estar e integração social, entre funcionários, seus familiares e demais sócios comunitários, as AABBs foram por muito tempo o melhor clube de entretenimentos das cidades do interior. Hoje, a maioria delas é coisa do passado. Muitas já foram fechadas.

    Em Serra Talhada, minha terra natal, já tiveram que vender parte do terreno, para quitar dívida de IPTU com a prefeitura. É triste, mas é verdade.

    Em Custódia, já teve a administração repassada para Fábrica de Doces Tambaú, posteriormente para a Prefeitura, e mesmo assim, só abre as portas nos finais de semana.

    Pelo andar da carruagem, temos que guardar bem vivas os momentos vividos nas AABBs, das cidades de porte médio, pois o que antes foi bom, hoje é coisa do passado.

    Oxalá, as capitais e as grandes cidades consigam, manter as suas.

    ResponderExcluir
  44. Amigo Hayton, ler sua crônica além de conhecer capítulos de sua jornada, de forma lindamente poética, me fez relembrar momentos lindos de minha passagem de 10 anos vivendo em Alagoas!

    Responder

    ResponderExcluir
  45. Agostinho Torres da Rocha Filho22 de janeiro de 2026 às 10:01

    Feliz é aquele que consegue reviver a infância com uma certa nostalgia, em especial quando consegue descrever episódios dessa mesma infância com um toque mágico de realismo, criatividade e poesia. Devo confessar que chorei de emoção ao ler PACTO DE MANGUE E MAR, não apenas pela beleza da obra, mas também por ter vivenciado parte da narrativa. Que Deus o mantenha sempre inspirado para escrever cada vez mais crônicas que tocam as pessoas no fundo da alma. Parabéns!!!

    ResponderExcluir
  46. Revive tantos momentos felizes ao deparar e degustar uma crônica que Nos faz viajar no tempo. Afinal, a trajetória dos caminhos percorridos, enquanto funcionários, pessoas, famílias, amigos, clientes, passam pelo convívio sim, em nossas AABBS. AABB, também, foi palco de relacionamentos e realização de bons negócios, permitiram a realização de nossos objetivos e metas com mais leveza. Curto, defendo e enxergo como uma extensão de nossa casa.

    ResponderExcluir
  47. Esse "tempinho"pedido ao amigo para definir essa relação de amor com a AABB, levaria mais de sessenta anos, e seguiria adiante.
    Amor é assim. Se mistura com a própria vida. Guimarães Rosa disse que a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.
    Viver, no meu sentir, por si só, é um ato de amor.
    É verdade que há amores que a gente escolhe com a cabeça - e são maravilhosos - mas aqueles que nos escolhem - e que deixamos ser escolhidos - ahh... esses são absolutos. Esses, via de regra, são compartilhados - o que os tornam singulares.
    Li, certa vez - nem lembro quem escreveu - que somos todos anjos de uma asa só; e só podemos voar quando abraçados uns aos outros. Achei uma linda definição de amor.
    Belíssima e comovente Crônica. Lotada de amor.
    Abração!!!
    Mário Nelson.

    ResponderExcluir
  48. PARABÉNS para a AABB e para nós que temos o prazer de ler o que escreve

    ResponderExcluir
  49. Altamirando F. da Silva23 de janeiro de 2026 às 09:06

    Bons tempos, Hayton. Sou associado da AABB desde 1970, em Vitória da Conquista, passando por Brasília, Aracaju e, finalmente, Salvador, onde cheguei em 1981 e formamos um time da Superintendência para participarmos do campeonato, apenas como uma forma de integração.Time mesclado por menores estagiários e veteranos, alguns que nunca haviam chutado uma bola.
    Quando você chegou, não tínhamos mais time, apenas babas, com você, Wanger e outros da Super.
    A AABB é a minha “segunda casa”. Quando me aposentei com apenas 50 anos de idade, para me cuidar melhor de um câncer no intestino, a cobrança de parentes e amigos era muito grande sobre o que eu ia fazer, pois era muito jovem.
    Como eu não sabia fazer nada, além de trabalhar no Banco, passei a observar os colegas que saíram no PDV e, na maioria, fracassaram como empreendedores. Com medo de “arriscar” a “poupança” que amealhei em 30 anos de trabalho (28 de BB), resolvi passar a fazer, apenas, até hoje, a atividade que mais me dá prazer e felicidade, sempre na AABB: jogar futebol. Estabeleci uma meta de jogar futebol até os 80 anos. Estou com 79. A vontade continua, mas a decadência física dificulta o cumprimento da meta. Ma vou chegar lá!!

    ResponderExcluir
  50. A AABB de Maceió é dos mais belos lugares onde já estive. Conheço algumas AABB’s pelo Brasil, mas nenhuma, nenhuma mesmo, tem a beleza que a de Maceió tem.
    Para quem não a a conhece - o que é uma pena - pode ir agora conferir e constatar que a descrição de Hayton foi mais-que-perfeita.
    Durante os dezenove anos em que moramos em Maceió, passamos muitos domingos naquele paraíso. Chegávamos cedo para conseguir o quiosque mais próximo do rio e do mangue. Ali não tomávamos só banho. Munidos de um balde, catávamos massunis (mariscos) grandes e deliciosos para degustarmos antes do almoço.
    Se a maré estava boa, bastava atravessar uma linda ponte de madeira e pegar umas ondas.
    Depois, armávamos uma rede e podíamos tirar uma soneca, ler um livro ou, simplesmente, só ficar embevecido com a paisagem inesquecível.
    Nenhuma outra classe possuía um clube daqueles. Tanto que muitos clientes do Banco - mesmo tendo seus próprios clubes - eram sócios da AABB Maceió.
    Parabéns e obrigada, Hayton, por colocar essa joia na sua coletânea cada vez mais rica de crônicas e parabéns também para todos os colegas que administram e mantêm esses clubes com muito empenho e competência.
    “Ai, ai, que saudade, ai que dó
    Viver longe de Maceió “.

    ResponderExcluir
  51. Minha afinidade com as AABB's começou, logo que entrei para o Banco, em Santiago (RS). E não foi nada difícil, já que eu havia crescido e me criado exatamente ao lado de um clube, o "Vinte e Um de Abril" (clube dos ferroviários), no bairro do Itararé, em Santa Maria (RS), onde era frequentador diário (meu pai era sócio).

    E até ganhava "uns trocados", arrumando os "pinos" de um esporte chamado "bolão", uma espécie de boliche à moda gaúcha, só que com uma bola de madeira bem maior e bem mais pesada.

    Voltando à AABB de Santiago, foi lá que minha esposa quase "deu à luz", porque eu dei mais atenção a um evento do Clube do que a um chamado da natureza, do qual já tínhamos muita experiência.

    Era a terceira gravidez de minha esposa e, naquele 26 de fevereiro de 1982, passamos pelo hospital, devido às dores que ela estava sentindo. Examinada por uma enfermeira, fui tranquilizado por ela, que afirmou que o bebê não nasceria antes da tarde do dia seguinte, porque não havia nenhum sinal de dilatação. Só que minha esposa não acreditou...

    Fiquei grato por ter sido tranquilizado, porque precisava participar de um evento na AABB, do qual eu era responsável e organizador, pois fazia parte da Diretoria.

    As horas foram passando. O evento acontecendo, deixando-me muito contente com o sucesso e minha esposa cada vez mais nervosa.

    Até que, por volta da meia-noite, recebi uma ordem: "Vamos para o hospital, agora". Tentei ponderar e ouvi um sonoro: "AGOOORAA!"

    Minha filha caçula, Lilian, nasceu na madrugada do dia 27 de fevereiro de 1982, duas ou três horas depois de nossa saída da AABB e chegada ao Hospital. Era bem perto.

    Lá, encontramos novamente a mesma enfermeira, porque ela estava de plantão: "a senhora, aqui? Eu não disse que não vai nascer antes da tarde? Não tem nem quarto para a senhora ficar!". Naquele momento, a "bolsa" estourou e a paciência de minha esposa também...

    ResponderExcluir
  52. Show de crônica, Hayton. Me fez relembrar que ao longo de 38 anos de carreira no Banco do Brasil, as AABBs foram muito mais do que um espaço de lazer: foram um verdadeiro ambiente de formação humana, convivência e realização. Foi ali que cresci como pessoa e como profissional, acompanhei o crescimento da minha família, entre encontros, celebrações e histórias que se entrelaçam com a minha própria trajetória.

    Nas AABBs construí amizades que ultrapassaram o tempo e o espaço do trabalho, laços sinceros forjados na convivência diária, no respeito às diferenças e no espírito coletivo. Aprendi a conviver com grupos diversos, a ouvir, dialogar e administrar conflitos — experiências que contribuíram profundamente para meu amadurecimento pessoal e profissional.

    O esporte sempre foi um capítulo especial dessa caminhada. Vestir a camisa do clube, disputar campeonatos de futsal e vivenciar a emoção de representar a AABB em quadra foram momentos marcantes. Entre vitórias, títulos conquistados e desafios superados, aprendi sobre disciplina, trabalho em equipe, resiliência e superação — valores que carreguei para todas as áreas da vida.

    As AABBs foram palco de alegrias, aprendizados e conquistas. Um espaço onde se constrói pertencimento, se fortalecem vínculos e se preservam memórias que permanecem vivas. Olhar para essa trajetória é reconhecer que ali não apenas vivi bons momentos, mas ajudei a construir uma história feita de amizade, esporte, família e dedicação.

    ResponderExcluir
  53. Mércia Serra 27/01/202627 de janeiro de 2026 às 15:54

    Parabéns!Suas crônicas são fantásticas.

    ResponderExcluir
  54. Sou fã da AABB Maceió. Não lembro exatamente o ano, mas visitei a AABB pela primeira vez no início dos anos 90, tinha se mudado recentemente. É uma bela AABB, localização maravilhosa e uma equipe de dirigentes muito afinada e que atuam com amor e dedicação para o engrandecimento do clube.

    ResponderExcluir
  55. AABB é isto mesmo. Uma paixão que não se explica.

    ResponderExcluir

Caráter ao relento

CARÁTER AO RELENTO  Hayton Rocha   Engana-se quem acha que conhecer alguém é questão de tempo. Tempo ajuda, mas raramente revela. A gente só...